AÇÃO SOLIDÁRIA

Banco de Alimentos completa 20 anos de combate à fome

Somente no primeiro quadrimestre, órgão arrecadou e distribuiu 98,9 toneladas de alimentos para entidades assistenciais de Campinas

Israel Moreira/ [email protected]
01/06/2023 às 08:57.
Atualizado em 01/06/2023 às 08:57
A nutricionista Camila Casuccio de Almeida, responsável pelo controle de qualidade das refeições servidas no Lar Alice de Oliveira: parceria fundamental com o Banco de Alimentos (Rodrigo Zanotto)

A nutricionista Camila Casuccio de Almeida, responsável pelo controle de qualidade das refeições servidas no Lar Alice de Oliveira: parceria fundamental com o Banco de Alimentos (Rodrigo Zanotto)

Fenômeno nefasto na vida de milhões de brasileiros, a insegurança alimentar é um fator que pode ser explicado pela falta de acesso físico, econômico e social a alimentos que satisfaçam as necessidades de uma pessoa. No país, um contingente de 33 milhões de brasileiros sofre com a fome, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, elaborado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) em 2022. O retorno do país ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), do qual havia saído em 2014, reforça a urgência de estratégias e políticas públicas voltadas ao enfrentamento da falta de alimentos na mesa de uma parcela significativa da população brasileira.

Em Campinas, entre janeiro e março deste ano, 78.699 famílias se encontravam em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar, de acordo com os dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Esse número representa um aumento de 29,8% em relação ao contingente apurado no mesmo período do ano passado. São famílias que vivem em situação de extrema pobreza (com ganhos de até R$ 89,00 por mês por integrante) ou pobreza (R$ 89,00 a R$ 178,00).

Na contramão desse caminho, o Banco de Alimentos, vinculado à Secretaria de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos, que atua no combate à insegurança alimentar no município, completou em maio 20 anos de existência. Nos primeiros quatro meses deste ano, o Banco arrecadou 98,9 mil quilos de alimentos, que foram distribuídos para cerca de 120 entidades assistenciais cadastradas. Antes da entrega, todos os gêneros são submetidos a uma triagem técnica.

Fundado em 2003, o Banco de Alimentos arrecada produtos alimentícios em eventos esportivos e culturais, supermercados e empresas, por meio de parcerias. Também recebe alimentos do Programa Municipal de Aquisição de Alimentos. Atualmente, a estrutura funciona em uma área dentro da Centrais de Abastecimento de Campinas S.A. (Ceasa), que é responsável por toda a operacionalização de recebimento e distribuição dos produtos.

Para a secretária municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos de Campinas, Vandecleya Moro, o Banco de Alimentos de Campinas não só fornece recursos essenciais para famílias em situação de insegurança alimentar, como também desempenha um papel crucial na formação de uma sociedade mais consciente, informada e sustentável. "O aniversário desta instituição é uma comemoração da resistência, do espírito comunitário e da dedicação do serviço público".

Conforme a nutricionista e coordenadora do Banco de Alimentos, Bruna Salet de Angelis, que está há 11 anos à frente dos trabalhos, uma corrente do bem que envolve toda a sociedade campineira transforma solidariedade em produtos que ajudarão a saciar a fome de milhares de campineiros. "Recebemos as doações todos os dias, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. Os itens mais doados são alimentos não perecíveis, hortifrúti e produtos de limpeza", elencou a nutricionista.

ENTIDADES

Uma das entidades beneficiadas pelo Banco de Alimentos é o Lar Alice de Oliveira, instalada no bairro São Bernardo. Desde 1955 acolhendo idosos a partir dos 60 anos em vulnerabilidade social, a instituição serve diariamente mais de 500 refeições entre café da manhã, almoço, café da tarde, jantar e ceia para 85 internos e 40 funcionários da casa. A nutricionista Camila Casuccio de Almeida, responsável pelo controle de qualidade das refeições, enaltece a parceria fundamental com a Prefeitura através do Banco. "As alimentações oferecidas diariamente têm todo um cuidado especial com relação aos nutrientes presentes nas preparações", garantiu.

Esse sentimento da nutricionista do Lar Alice de Oliveira é compartilhado por Darci Fernandes Nunes, de 82 anos, que há quatro é acolhida pela casa. Dona Darci nasceu em Campinas, sempre morou na cidade entre os bairros da Vila Industrial e São Bernardo. Ela, que costumava cozinhar tutu de feijão e torresmo, confessa adorar o feijão servido na entidade. "Eu gosto muito da comida daqui. Das frutas, saladas e sucos. Mas, o meu preferido é o feijão. É maravilhoso", disse a senhora.

INVESTIMENTO CEASA

A Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa) recebeu da Prefeitura R$ 10 milhões para investimento em infraestrutura. O valor será aplicado em obras de melhoria e infraestrutura que vão beneficiar permissionários, comerciantes e frequentadores do entreposto. Algumas obras estão em andamento, como a nova portaria e o conjunto de novos banheiros. Também já há projeto para a nova Plataforma logística 4, o galpão de câmaras frias, o ecoponto e obras de acessibilidade.

O prefeito Dário Saadi (Republicanos) enfatiza que o investimento vem para melhorar a vida dos prestadores de serviço e criar um ambiente agradável para os consumidores da Ceasa. Já o presidente da Ceasa, Valter Greve, confirmou que o aporte de capital disponibilizado pela Prefeitura para investimento no entreposto é uma iniciativa que a Ceasa nunca vivenciou e representa importante recurso para investir na modernização e adequações de infraestrutura.

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