CHOQUES EM VOOS

Ave colide contra avião e piloto precisa retornar para Viracopos

Número de aeronaves danificadas neste tipo de ocorrência cresceu 180% no ano passado

Israel Moreira/ [email protected]
04/04/2023 às 09:11.
Atualizado em 04/04/2023 às 09:11
Choque de aviões com aves no espaço aéreo de Viracopos cresceu muito em 2022 levando o terminal aeroportuário a utilizar serviços contratados de falcoaria para minimizar danos (Osvaldo Furiatto Jr/ Mira e clica)

Choque de aviões com aves no espaço aéreo de Viracopos cresceu muito em 2022 levando o terminal aeroportuário a utilizar serviços contratados de falcoaria para minimizar danos (Osvaldo Furiatto Jr/ Mira e clica)

O número de aeronaves danificadas em colisões contra aves, principalmente, urubus, durante operações de pouso ou decolagem no Aeroporto Internacional de Viracopos aumentou 180% em 2022 em comparação com 2021. No último sábado um voo da Azul, que decolou do Aeroporto de Viracopos, às 15h40, com destino ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, foi obrigado a retornar ao terminal após 20 minutos. No período houve uma colisão com uma ave que sobrevoava o local e danificou o bico da aeronave. A aterrissagem ocorreu sem problemas. Na aviação casos como esse são conhecidos como “Bird Strike” e podem provocar queda de aeronaves. Em reportagem do Correio Popular no mês passado, um dos motivos da maior presença de urubus nas proximidades do terminal aéreo ocorre justamente pelo crescimento no descarte de carcaças de animais e de lixo acumulado, normalmente feito por moradores de bairros das imediações próximos a pista de pouso e decolagem.

O impacto de um urubu contra um avião pode causar rombo na fuselagem, quebrar o para-brisa e provocar a falha de uma turbina, pois a ave pode ser sugada. Se as duas turbinas forem atingidas por aves, o risco de queda do avião é muito grande. Por isso, é importante a conscientização da população para não descartar lixo que possa atrair urubus no entorno do aeroporto, em especial nas cabeceiras da pista.

Em nota, a Azul informou que o pouso da aeronave e o desembarque dos passageiros ocorreram normalmente. A empresa destaca que os passageiros impactados pelos cancelamentos receberam toda a assistência necessária da equipe local, conforme prevê a Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e foram reacomodados em outros voos da empresa. A companhia lamenta eventuais aborrecimentos ocorridos e ressalta que medidas como essas são necessárias para conferir a segurança de suas operações.

Falcoaria

O Aeroporto Internacional de Viracopos utiliza um dos recursos mais praticados no mundo que é a falcoaria. Diversos aeroportos do mundo já utilizam essa prática milenar contra colisões aéreas como por exemplo o JFK (Nova York), Portela (Lisboa) e Barajas (Madri). No Brasil, a prática foi adotada nos aeroportos da Pampulha e Confins (Belo Horizonte), Galeão (Rio de Janeiro), Salgado Filho (Porto Alegre), Eurico de Aguiar Salles (Vitória), Lauro Carneiro de Loyola (Joinville) e Val-de-Cans/Júlio Cezar Ribeiro (Belém).

Em Campinas, uma empresa terceirizada realiza os serviços com aves de rapina para Viracopos. Segundo a assessoria de imprensa do aeroporto, são voos diários dos predadores como gaviões e falcões em ambiente natural causando medo em outras espécies, fazendo com que elas saiam do local diminuindo a quantidade de colisões com aeronaves nas pistas de pouso e decolagem. Quando uma ave colide com uma aeronave são gastos na recuperação valores exorbitantes, por isso o trabalho com a falcoaria tem o princípio de evitar os gastos e salvar vidas. Outras aves predadas quando percebem a presença das rapinantes, se afastam e não ficam próximas, auxiliando e muito as empresas que operam voos em Viracopos.

A reportagem do Correio Popular procurou o Coordenador de Meio Ambiente do Aeroporto Internacional de Viracopos, Moises Alves de Araújo Júnior, para falar sobre o trabalho terceirizado e quais outras possibilidades de trabalho para evitar as colisões, mas até o fechamento dessa edição ele não retornou.

Falcoaria é a arte de criar, treinar e cuidar de falcões e outras aves de rapina para a caça e exige muita dedicação, paciência e tempo de treino com as aves quase diariamente. Os treinadores tendem a gastar no mínimo 20 minutos e até horas por dia trabalhando com as aves.

Além disso, o pássaro precisará ser tratado diariamente, consumindo alimentos de qualidade e recebendo água fresca. Pesar a ave diariamente também é essencial para garantir que ela permaneça saudável e pronta para a caça.

O choque de aves contra aviões tem sido minimizado graças a técnicas de adestramento de aves de rapina como falcões e gaviões que fazem o monitoramento das pistas dos aeroportos.

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