VEREADOR SOB SUSPEITA

Assessores de Edison Ribeiro são investigados na Prefeitura de Campinas

Administração apura denúncia de ‘rachadinha’ apontada pelo Ministério Público

Thiago Rovêdo/ thiago.rovedo@rac.com.br
02/07/2022 às 09:48.
Atualizado em 02/07/2022 às 11:17

O vereador Edison Ribeiro (PSL) é acusado de reter parte dos salários e até o ticket dos comissionados (Camara Municipal de Campias)

A Prefeitura de Campinas vai apurar as denúncias do promotor da 15ª Vara de Justiça de Campinas, Angelo Santos de Carvalhaes, que envolvem servidores comissionados da Administração em relação ao caso da suposta rachadinha praticada por vereadores da cidade. O anúncio do Executivo ocorreu um dia após o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) abrir um inquérito civil contra o parlamentar Edison Ribeiro (PSL) e seu filho, André Ribeiro, presidente do PSL na cidade, por suspeita da prática criminosa de transferir parte ou todo o salário do servidor comissionado ao parlamentar a partir de um acordo anteriormente estabelecido. 

De acordo com a promotoria, além do suposto esquema ocorrer no próprio gabinete de Edison, o dinheiro também era recolhido de comissionados da subprefeitura do distrito do Campo Grande, na Administração Regional (AR) 13, além de secretarias e empresas públicas, onde estes servidores foram indicados pelo parlamentar. 

A Administração se pronunciou através de nota oficial e informou que "A Prefeitura está apurando os fatos e neste momento não vai se pronunciar". Edison e André se pronunciaram através da defesa, negaram as acusações, mas informaram que vão esperar ter acesso aos autos para se posicionarem.

De acordo com o despacho da promotoria, Edison Ribeiro obriga assessores nomeados para o seu gabinete e também alguns servidores indicados por ele para cargos em comissão na Prefeitura a lhe entregarem parte de seus salários, enquanto André é responsável pela coleta do dinheiro. 

Após a Câmara de Campinas fornecer ao MPSP os nomes dos servidores e a Prefeitura apresentar os comissionados, todos foram ouvidos e forneceram, de forma espontânea, os extratos bancários. "Um ex-servidor comissionado, cujo nome e qualificação são mantidos em sigilo a pedido do declarante, relatou o esquema montado pelo citado vereador e por seu filho. Os servidores tinham que entregar parte de seus vencimentos e, em alguns casos, também o cartão alimentação para uso dos representados e de seus familiares", afirmou o promotor. 

Os extratos bancários anexados nos autos sigilosos revelam saques mensais de porcentagem considerável dos vencimentos desses servidores, em terminais bancários e no mesmo dia em que recebem seus salários, além de transferências, em alguns casos, de valores vultosos para a própria conta bancária do filho do vereador. 

Além disso, o promotor citou que o neto do vereador é jogador de futebol, com um salário de R$ 3 mil, porém, possui um carro no valor de R$ 183 mil, cujo o Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores (IPVA) deste ano foi de R$ 8 mil. "Os representados prestaram esclarecimentos a tendo André Ribeiro se recusado a fornecer espontaneamente cópia de sua declaração de imposto de renda e dos extratos de suas contas bancárias do ano de 2021", informou o promotor.

A pedido do MPSP por conta da investigação contra Edison Ribeiro, a Polícia Civil realizou buscas no escritório do parlamentar, no bairro Cidade Satélite Iris, onde foram apreendidos um computador e documentos. Os policiais também foram até a AR 7 também em busca de documentos - a promotoria não confirmou o que foi apreendido nestes locais.

O advogado Gustavo Valio, que representa a família Ribeiro, afirmou que vai esperar ter acesso ao processo. "Nós não ainda tivemos acesso aos autos para entender o que ocorreu. Depois que tivermos ciência de toda a situação, vamos no pronunciar", afirmou o defensor. 

Rachadinha

De acordo com o MPSP, outros quatro vereadores são investigados no caso de rachadinha por meio de Procedimento Preparatório de Inquéritos Civis (PPIC): Jorge Schneider (PL), Permínio Monteiro (PSB), Zé Carlos (PSB) e Filipe Marchesi (PSB).

Além de Edison, o vereador Otto Alejandro (PL) também tem um inquérito civil aberto contra ele. Já Débora Palermo (PSC), Gustavo Petta (PCdoB), Marcelo Silva (PSD) e Nelson Hossri (PSD) tiveram as investigações arquivadas por falta de provas. 

As representações envolvendo a prática de "rachadinha" por vereadores de Campinas foram todas anônimas e começaram em novembro com o vereador Filipe Marchesi (PSB). Folhetos anônimos, com a foto do parlamentar foram espalhados na região do bairro São José, reduto eleitoral do parlamentar.

Segundo o MP, a prática da "rachadinha" não seria restrita aos assessores dos gabinetes na Câmara Municipal de Campinas. É apurada também a suposta retenção de parte de salários de funcionários indicados pelos vereadores para cargos em outras esferas do poder público.

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