VARIAÇÃO MENSAL

Após atingir recorde, preço da cesta básica recua em julho

Observatório PUC-Campinas divulgou balanço que mostra o valor de R$ 735,44, o menor do ano; queda no mês foi de 5,83%

Edimarcio A. Monteiro/[email protected]
14/08/2024 às 10:35.
Atualizado em 14/08/2024 às 11:00
A variação no preço do tomate foi a maior entre todos os 13 itens que compõem a cesta básica, redução de 40,23%; outro produto que ficou mais barato foi a banana, queda de 9,23% (Kamá Ribeiro)

A variação no preço do tomate foi a maior entre todos os 13 itens que compõem a cesta básica, redução de 40,23%; outro produto que ficou mais barato foi a banana, queda de 9,23% (Kamá Ribeiro)

Após duas altas seguidas que fizeram o valor atingir o recorde de R$ 781,23 em junho, a cesta básica apresentou queda de 5,83% no mês passado e chegou ao menor preço de 2024. A pesquisa mensal realizada pelo Observatório PUC-Campinas apurou que o valor ficou em R$ 735,44 em julho. Anteriormente, o menor ocorreu em abril, R$ 736,29. O levantamento local seguiu a redução registrada em 17 capitais brasileiras, e Campinas obteve a sexta maior redução em comparação com as capitais que aparecem na pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que usa a mesma metodologia. Em junho, Campinas havia liderado o ranking de aumento no preço da cesta básica, quando a alta foi de 4,79%.

O resultado no mês ocorreu pela queda de sete dos 13 itens que formam a cesta. O tomate, depois de ser um dos vilões da elevação nos seis primeiros meses do ano, puxou a queda no mês passado (-40,23%). Com isso, o produto foi comercializado com o preço médio de R$ 7,60 o quilo nos 23 supermercados pesquisados pelo Observatório PUC, contra os R$ 12,71 de junho. Em julho, o tomate teve uma participação de 9,3% na formação do preço final da cesta, caindo da segunda para a terceira colocação. Em valor absoluto, ele representou uma queda de R$ 46,02 em comparação a junho. A pesquisa considera a compra mensal de nove quilos do fruto, com o custo final sendo de R$ 68,40.

Para o economista Pedro de Miranda Costa, responsável pelo levantamento do Observatório, a queda em julho foi um processo natural depois de dois meses de elevações. “Como tínhamos registrado altas significativas e inesperadas na cesta, principalmente em junho, um recuo era esperado. Não deveríamos continuar nesse mesmo ritmo. Alguns produtos tiveram o que chamamos de regressão à média. Um fator (fora do padrão) fez eles subirem acima do normal e agora fez recuar”, explicou.

A doméstica Cláudia da Silva Santos sentiu a redução dos preços. “Algumas coisas estão mais barata, principalmente o tomate”, disse enquanto fazia compras. Já o aposentado Mário Kraft não foi tão otimista, mas declarou que percebeu, no mínimo, uma manutenção dos preços. “Algumas coisas caíram, outras aumentaram, mas, no geral, a despesa foi a mesma”, afirmou.

OUTROS ITENS

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura (Esalq), que faz acompanhamento semanal dos preços de produtos agropecuários no atacado, a redução na cotação do tomate foi causada pelo calor em julho, mesmo sendo inverno. “Como os termômetros voltaram a subir, a maturação do tomate ganhou ritmo e, com isso, houve nova queda dos preços. As temperaturas estão acima da média histórica para o inverno, o que vêm adiantando o ciclo e maturação e ocasionando um aumento na oferta”, apontou o relatório do órgão ligado à Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o Cepea, a caixa de 20 quilos do tomate italiano para salada teve queda de 9,1% em Campinas, onde foi comercializada a R$ 77, na semana dos dias 15 a 19 do mês passado. A redução se manteve na semana passada (5 a 9 de agosto), com os preços fechando a R$ 59 no mercado local, queda acumulada de 23,38%. Porém, Pedro Costa, que também é professor da PUC-Campinas, alertou para a possibilidade desse quadro se reverter nos próximos meses. “A antecipação da colheita fez aumentar a oferta agora, mas talvez a gente tenha uma elevação do preço lá na frente”, disse, referindo-se a possibilidade de redução de oferta do produto nos meses seguintes.

A batata, que vinha sendo outro item da cesta com altas significantes, teve queda de 7,8%, de acordo com a pesquisa da cesta básica. Nesse caso, segundo o Cepea, a redução foi ocasionada pela intensificação da colheita da safra de inverno em todas as regiões produtoras acompanhadas pelo órgão. Em São Paulo, a saca de 25 quilos da batata ágata tipo especial fechou julho com o preço médio de R$ 110, queda de 25,04% em relação à semana anterior.

ALTA

Por outro lado, o café foi o item da cesta básica com maior alta em julho, 7,31%. O preço médio do quilo do produto ficou em R$ 24,70, contra R$ 23,02 de junho, de acordo com o Observatório PUCCampinas. Segundo o Cepea, o café arábica fechou julho com a maior média desde fevereiro de 2022, com a saca de 60 quilos sendo comercializada a R$ 1.419,72. O valor foi 5,22% superior à de junho e 73,2% acima do verificado no mesmo mês de 2023.

O produto está no final de safra. “Além de o setor estar atento ao volume ofertado pelo Brasil e à possibilidade de quebra de safra do (café) robusta no Vietnã, devido a adversidades climáticas, o real desvalorizado frente ao dólar impactou nas cotações mundiais, em especial do arábica”, divulgou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. Segundo o órgão, o clima seco em 2024 acelerou o rimo de colheita e tem ajudado na secagem dos grãos.

A pesquisa da PUC apontou ainda que outros itens do café da manhã ficaram mais caros. A manteiga teve elevação de 3,69%, enquanto o do pão francês foi de 0,69%. A alta desse último produto foi um reflexo do aumento da farinha de trigo, 2,71%. A dona de casa Maria Donizete Rosa de Oliveira reclamou dos preços dos alimentos de uma forma geral. “Eu compro somente o que está mais barato no supermercado. O que está caro eu deixo”, afirmou.

COMO FICA

Para o economista Pedro Costa, a tendência é de alta da cesta básica em 2024. “Fazendo a ressalva que sempre é difícil fazer uma previsão, eu acredito que devemos fechar o ano com uma variação acumulada próxima da inflação, na casa dos 5,5, 6%”, afirmou. Nos primeiros sete meses do ano, a cesta apresentou aumento de 3%. Em comparação a julho de 2023, quando o valor foi de R$ 695,51, a cesta acumula alta de 5,74%.

No mês passado, a compra dos 13 itens da cesta básica comprometeu 52,1% do valor do salário mínimo (hoje em R$ 1.412). Considerando que a legislação estabelece que o piso deveria ser o suficiente para alimentar uma família, o piso salarial em Campinas deveria ser de R$ 2.206,32. Esse é o valor necessário para adquirir três cestas para suprir dois adultos e duas crianças.

O valor local foi o sexto maior do país, ou seja, caiu uma posição em relação ao mês de junho. De acordo com o Dieese, a cesta mais cara em julho foi encontrada em São Paulo, onde ficou em R$ 809,77. Na sequência aparecem Florianópolis-SC (R$ 782,73), Porto Alegre-RS (769,86), Rio de Janeiro-RJ (R$ 757,64) e Campo GrandeMS (R$ 736,98). As três cidades com a cesta mais em conta são Aracaju-SE (R$ 524,28), Recife-PE (R$ 548,43) e João Pessoa-PB (R$ 572,38). Segundo o levantamento do Departamento Intersindical, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 105 horas e 8 minutos, menor que em junho, quando ficou em 109 horas e 53 minutos. Já em julho de 2023, a jornada média foi de 111 horas e 8 minutos.

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