Projeto prevê a recomposição ciliar e obras contra as enchentes no ribeirão que cruza seis municípios
Ribeirão Quilombo: será necessário o plantio de 280 mil mudas nativas, o que vai exigir um investimento aproximado de R$ 570 mil anuais durante 10 anos (Leandro Ferreira/AAN)
As lideranças políticas da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão envolvidas na execução do ambicioso projeto que prevê, em dez anos, a revitalização completa do Ribeirão Quilombo, há décadas castigado pela emissão de poluentes domésticos e industriais. O plano prevê a recuperação da mata ciliar e a construção de reservatórios e diques, importantes para evitar alagamentos nos trechos em que o ribeirão atravessa áreas urbanas superadensadas. As obras, orçadas em R$ 171 milhões, serão executadas com recursos provenientes do poder público e parcerias com o setor privado. Quem tem a missão de coordenar os investimentos é o Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que há 29 anos ordena ações técnicas de preservação ambiental e a preservação dos mananciais. Para recompor as matas ciliares ao longo dos 50 quilômetros de extensão do ribeirão será necessário o plantio de 280 mil mudas nativas, o que vai exigir um investimento anual aproximado de R$ 570 mil anuais, ao longo de uma década. O plano de contenção de cheias e a construção de 11 reservatórios é bem mais caro. Vai custar cerca de R$ 16 milhões anuais. De acordo com o presidente do PCJ, Benjamin Bill Vieira de Souza, que também é prefeito de Nova Odessa, os custos orçados ainda não consideram que cada prefeitura precisa gastar para tratar o próprio esgoto. Do ponto onde o ribeirão nasce até a foz no Rio Piracicaba, o Quilombo corta os municípios de Campinas, Paulínia Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa e Americana. “O Plano das Bacias PCJ prevê que toda a região tenha em dois anos 100% de coleta e tratamento de esgoto. Isso é essencial para recuperar a qualidade das águas do Quilombo”, fala Bill. “A gente quer que as pessoas voltem a pescar e a nadar no ribeirão, como faziam até a década de 60.” De imediato, Bill pretende concentrar os esforços para engajar agentes públicos no tratamento de esgoto em Sumaré, onde a construção de três estações ainda esbarra em conflitos administrativos que envolvem a Prefeitura e as empresas privadas contratadas para a administração do sistema de saneamento. Inundações O combate às enchentes também é essencial para o sucesso do projeto. As inundações provocadas pela cheia do Ribeirão Quilombo, notadas com frequência na zona urbana de Sumaré, decorrem do subdimensionamento dos bueiros e pontes em relação aos atuais índices de impermeabilização das áreas contribuintes. As maiores vítimas são as populações ribeirinhas, geralmente de áreas ocupadas e desprovidas de infraestrutura adequada. O risco de desabamentos é enorme, principalmente no período das chuvas. A saúde das famílias vive ameaçada. Em Americana, as cheias afetam a região central, comprometendo o fluxo de veículos na Avenida Bandeirantes e na Rua Carioba. Para contornar a situação, o projeto prevê a construção de piscinões e diques ao longo de todo o curso do ribeirão. Serão áreas de cobertura vegetal, destinadas à preservação permanente. Antes que o ribeirão atravesse Americana, por exemplo, a água vai encher os piscinões previstos para instalação em Nova Odessa.