Publicado 15 de Janeiro de 2022 - 11h22

Por Katia Fonseca

O engenheiro agrônomo Gustavo Spadotti Amaral Castro é o novo chefe-geral da unidade Campinas da Embrapa

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O engenheiro agrônomo Gustavo Spadotti Amaral Castro é o novo chefe-geral da unidade Campinas da Embrapa

Com presença marcante na história do agronegócio brasileiro, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com seu centro de pesquisa instalado em Campinas, inicia 2022 com a Embrapa Territorial sob uma nova gestão: o engenheiro agrônomo Gustavo Spadotti Amaral Castro é o novo chefe-geral da unidade.

Nos últimos anos, a Embrapa Territorial desenvolveu Sistemas de Inteligência Territorial Estratégica (SITE), que geram uma série de análises qualificadas sobre territórios e temas da agropecuária nacional. Entre eles, destaque para os de Macrologística Agropecuária (SITE-MLog) e Aquicultura, lançados em 2018 e 2021, respectivamente.

Para este ano, segundo a Embrapa, a previsão de seus pesquisadores e analistas é a de concluir a ampliação da segunda versão do sistema MLog e, para os próximos meses, o lançamento de um sistema para o bioma Caatinga, que reunirá informações sobre cinco quadros locais: o natural, agrário, agrícola, de infraestrutura e socioeconômico.

A empresa também inicia o ano com uma nova gestão e perspectivas de fortalecimento das cidades da região e apoio à agricultura familiar. O engenheiro agrônomo Gustavo Spadotti Amaral Castro assumiu a chefia-geral da Embrapa Territorial, no último dia, após um processo de recrutamento e seleção conduzido pela diretoria-executiva.

O novo chefe sucede o pesquisador Evaristo de Miranda e terá um mandato de dois anos, podendo ficar à frente do centro de pesquisa de Campinas por outros dois anos, já que o mandato é prorrogável por até duas vezes em igual período.

Spadotti é doutor em Agricultura (Fitotecnia) pela Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e ingressou na Embrapa Amapá, em 2012. Após um período, transferiu-se, em 2015, para a então Embrapa Monitoramento por Satélite. Em 2017, tornou-se coordenador do Grupo de Gestão Territorial Estratégica (GGTE) da Embrapa Territorial.

Segundo ele, um de seus objetivos na direção-geral da entidade é o de consolidar a renovação que vem ocorrendo no centro de pesquisa nos últimos anos. Em 2017, o centro incorporou outras três estruturas da empresa: a Embrapa Monitoramento por Satélite, a Embrapa Gestão Territorial e o Grupo de Inteligência Territorial Estratégica, passando a se chamar Embrapa Territorial. "Será, basicamente, a mudança com continuidade", disse.

O novo diretor destaca ainda que a Embrapa passou por diversas transformações ao longo dos últimos seis anos, que marcaram não só a mudança da assinatura-síntese da unidade, mas uma reconexão com os diversos trabalhos de pesquisa realizados junto aos diversos setores ligados ao agronegócio brasileiro. "Com a criação dessa unidade, nossa missão é a de que a Embrapa seja um instrumento estratégico de apoio às decisões territoriais, tanto dos governos quanto do agronegócio brasileiro. Consolidarei nossa 'marca registrada'", garantiu o engenheiro agrônomo.

Com mais de 30 anos de história, o centro de pesquisa da Embrapa já desenvolveu diferentes trabalhos voltados à Região Metropolitana de Campinas (RMC), com a avaliação de impacto da agricultura sobre o povoamento de animais vertebrados no território campineiro, do qual surgiu o site Fauna de Campinas, com informações sobre 256 espécies.

Também gerou estudos para o poder público local atuar em temas como queimadas e o combate à dengue e mapeou as árvores da área urbana de Campinas. Atualmente, a empresa mantém parceria com a Administração municipal no programa Pesquisa e Conhecimento na Escola (Pesco), com a publicação de duas edições do Atlas Escolar da Região Metropolitana, focadas na produção agropecuária. Um trabalho semelhante está sendo realizado em outras cidades, como Monte Alegre do Sul. A Embrapa Territorial atua também no Circuito das Frutas, com projetos voltados ao fortalecimento da fruticultura, em especial na agricultura familiar.

Para a região, Spadotti ressaltou as ações estratégicas com foco na agricultura familiar, que serão ampliadas, e o desenvolvimento de oportunidades ligadas às malhas viárias presentes na região, destacadamente as ferrovias com destino ao porto de Santos, como forma de impulsionar os setores do agronegócio e apoiar o desenvolvimento regional.

Corredor de inovação

A Embrapa divulgou recentemente em um evento comemorativo de 36 anos, um estudo para a criação do Corredor de Inovação do Estado de São Paulo, que pretende criar uma cooperação entre unidades de pesquisa, empresas, startups e universidades com atuação no ramo em Campinas, Jaguariúna, Piracicaba, São Carlos e Ribeirão Preto. A iniciativa ficou conhecida como "eixo-caipira" e visa a promover o desenvolvimento regional por meio do compartilhamento de métodos tecnológicos e sustentáveis.

O foco estará no fortalecimento do setor hortifrutigranjeiro, que vem se destacando RMC, conforme avaliação da entidade, que observa a maior exigência do consumidor na hora de adquirir algum produto.

Um levantamento realizado junto às cidades participantes do Corredor da Inovação, que somam três milhões de habitantes, apontou a grande força de pesquisa da região. Foram contabilizadas 112 instituições de ensino, nas quais cerca de mil profissionais finalizam a graduação em cursos agropecuários todos os anos.

Na linha para consolidar cooperação entre as unidades de pesquisa, nas cidades na rota do "eixo-caipira", encontram-se também de 52 ambientes de inovação, 168 startups de inovação nos setores do agronegócio, além das cinco unidades estaduais da Embrapa, sendo uma localizada em Campinas e outra em Jaguariúna.

O corredor contará também com o apoio de entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A expectativa é a de que a conexão de todas essas estruturas e ambientes de conhecimento e pesquisa possa proporcionar uma participação regional expressiva até mesmo no cenário internacional.

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Katia Fonseca