Publicado 14 de Janeiro de 2022 - 8h36

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Diretoria da Regional Campinas do Sinduscon-SP apresentou os resultados do segmento no município ontem e explicou que o setor não parou as atividades durante todo o ano passado

Ricardo Lima

Diretoria da Regional Campinas do Sinduscon-SP apresentou os resultados do segmento no município ontem e explicou que o setor não parou as atividades durante todo o ano passado

O setor da construção civil de Campinas fechou o ano de 2021 com um movimento de R$ 10 bilhões em investimentos e a criação de 42 mil unidades habitacionais, gerando 35 mil empregos, um crescimento de 8% em relação ao desempenho de 2020. A expectativa para 2022 é de crescer mais 2% em relação ao ano passado, mesmo com as incertezas que a covid-19 ainda ocasiona à economia e os aumentos de preços de materiais de construção.

Os dados e as projeções para o município foram divulgados ontem por Márcio Benvenutti, diretor da Regional Campinas do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), depois da apresentação sobre o desempenho e perspectivas da construção civil feita pela presidência da entidade em São Paulo.

Benvenutti explicou que, em 2021, houve crescimento, mesmo com a pandemia e os gargalos criados pela falta de alguns materiais e aumento nos custos. "O segmento se sustenta em um tripé: mão de obra, material e financiamento. O ano foi positivo nos pilares da mão de obra e dos financiamentos, mas no pilar dos materiais para construção enfrentamos dificuldades", explicou.

O principal fator de confiança está na área de financiamentos. "Os financiamentos para a construção da casa própria nunca foram tão baixos no Brasil. Antes da pandemia, as taxas de juros mais baixas estavam em torno de 12% ao ano e em 2021, a taxa anual caiu para 4,5%", explicou. Para exemplificar, um financiamento que antes resultaria em uma parcela mensal de R$ 1 mil, com a aplicação da taxa de juros mais baixa, a parcela ficaria de R$ 600 ao mês.

Segundo Benvenutti, o financiamento mais barato resultou em um grande volume de aquisições de imóveis em Campinas no ano passado. "A Caixa Econômica Federal, que opera com 85% dos financiamentos habitacionais no Brasil, informou que Campinas foi a segunda maior praça do país nessa modalidade, perdendo apenas para o município de São Paulo", disse. O perfil dos imóveis no ano passado em Campinas, segundo o diretor da entidade, foi predominantemente para o programa Minha Casa Minha Vida. "Imóveis de alto padrão voltaram também com força, pois a cidade ficou muitos anos sem lançamentos nesse segmento", comentou.

Legislação

Mudanças nas leis municipais contribuíram também com o melhor desempenho em 2021. "A Prefeitura, em parceria com a regional de Campinas do Sinduscon-SP, auxiliou também no processo de crescimento e de maior investimento no setor da construção, porque fez mudanças em leis visando a atrair mais investimentos", comentou.

Foi criada a possibilidade de construção de casas sem garagem, o que reduz muito no custo final da obra e incentiva os empreendedores a investir em lançamentos nesse perfil. "Com os lançamentos imobiliários em corredores do BRT (ônibus de trânsito rápido), por exemplo, existe essa possibilidade de imóveis sem garagem para famílias que usam bicicletas e o transporte público e não têm veículos", exemplificou Benvenutti. A possibilidade foi possível com a criação do programa de Empreendimentos Habitacionais de Interesse Social (EHIS), por meio da Lei Complementar 312/2021 para realização de empreendimentos de interesse social em regime de parceria com a Companhia de Habitação de Campinas (Cohab-Campinas).

Quanto ao pilar da mão de obra, Benvenutti garantiu que o segmento não encontrou problemas em 2021, uma vez que houve a continuidade das atividades, dentro de padrões de segurança e controle sanitários. "Dos 35 mil funcionários que atuam no setor em Campinas, apenas 0,04% deles sofreram com o contágio da covid-19", afirmou.

Dificuldades

Já os aspectos relacionados aos materiais de construção resultaram em dificuldades para o setor, porque a pandemia impactou nos preços, que ficaram mais caros, e na escassez de alguns itens mais sofisticados, tanto os fabricados no Brasil quanto os importados. Isso ocorreu devido a uma paralisação temporária na indústria, que logo foi retomada, mas que se reverteu em uma demora excessiva no atendimento à demanda do segmento.

Um exemplo foi o da indústria de cerâmica, que não conseguiu entregar nos prazos desejados ou planejados. "Muitos pedidos atrasaram de 90 a 120 dias. Antes da pandemia, o prazo não passava de 30 dias", comparou. "Se a obra é muito grande e precisa de reposição ou modificação, o construtor não consegue resolver a questão", comentou.

Houve atraso também na entrega de quadros elétricos e materiais mais sofisticados, como ar-condicionado, semicondutores e equipamentos de automatização. A demora ainda ocorre, principalmente, em função das importações. Além da entrega demandar prazos maiores, os preços são flutuantes na pandemia.

Brasil

Os números nacionais também apontam crescimento de 8% no Produto Interno Bruto (PIB) da Construção em 2021 e de um novo aumento de 2% no setor este ano em comparação ao ano passado. Dados do Sinduscon-SP apontam que o Brasil construiu, no ano passado, 881 mil unidades e movimentou um volume de R$ 200 bilhões em financiamentos da casa própria, volume bem superior ao que se registrou em 2020, quando foram erguidas 350 mil unidades no país e houve uma movimentação de R$ 100 bilhões em financiamentos da casa própria.

Os dados foram divulgados por Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do Instituto de Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), ao lado de Odair Senra, presidente da entidade, e de Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia. Senra destacou que: "Apesar da turbulência que marcará 2022, tanto do ponto de vista econômico quanto político, há sinais de que o período não será ruim para as construtoras". Já o vice-presidente lembrou que a expectativa positiva existe porque as construtoras têm contratos que manterão um bom nível de atividades no ano. E que deve haver ainda um relativo reforço por conta de concessões e reflexos nas obras de infraestrutura por conta do ano eleitoral.

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Gilson Rei/ Correio Popular