Publicado 14 de Janeiro de 2022 - 8h32

Por Do Correio Popular

Unidades de saúde registram alta procura por consultas, vacinação e testes do novo coronavírus

Ricardo Lima

Unidades de saúde registram alta procura por consultas, vacinação e testes do novo coronavírus

A chegada da variante Ômicron e o aumento dos casos de covid-19 estão provocando uma corrida pelos testes e pela vacinação em Valinhos, principalmente em busca da dose adicional de reforço. No período de 7 a 12 de janeiro, foram vacinadas 5.071 pessoas — o dobro das 2.521 doses aplicadas entre os dias 17 e 22 de dezembro.

Além da alta procura por consultas e para completar o esquema vacinal, houve também um grande crescimento no índice de testes positivos. No início da semana, a média diária de testes para detectar covid-19 no SUS de Valinhos estava em 220 com até 35% de casos positivos. Na quarta-feira, o percentual de casos confirmados atingiu 50%. Em dezembro, a média diária era inferior a 50 testes aplicados, sendo que o índice de detecção ficava entre 3% e 6%.

Desde o início de janeiro, a cidade tem registrado recordes de atendimento no Centro de Especialidades de Valinhos (CEV 1). Durante a pior fase da pandemia, no ano passado, o número de pessoas procurando serviços de saúde com sintomas respiratórios era entre 180 e 200. No dia 4 de janeiro, o número foi superado, chegando a 205 e, desde então, não voltou a esse patamar. Ontem, foram 338 atendimentos no CEV 1, o terceiro maior número desde o início da pandemia. O recorde aconteceu na quarta-feira, quando 379 pessoas foram até a unidade de saúde com sintomas respiratórios. Como comparação, no dia 1º de dezembro foram realizados apenas 55 atendimentos.

O novo secretário de Saúde da cidade, Gabriel Signorelli, que assumiu o cargo nesta segunda-feira, afirmou que o motivo da maior procura aos postos de saúde é justamente o medo de contaminação após a explosão de casos. "As pessoas ficam com medo. Quem estava inseguro agora começa a procurar a vacinação. É notório que a vacina fez uma grande diferença. Valinhos tem um alto índice de imunização, com cerca de 98% dos jovens e adultos vacinados ao menos com uma dose e 92% com a segunda. Valinhos trabalhou essa questão muito bem e o resultado é o baixo índice de pacientes nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs)."

De acordo com o último levantamento divulgado pela Prefeitura, a taxa de ocupação dos leitos de UTI está em 30% no Hospital e Maternidade Galileo e 41% na Santa Casa de Valinhos. "A maioria dos pacientes apresenta sintomas leves. Internações quase não estão acontecendo. Houve um afastamento entre a taxa de casos positivos e de internação. A letalidade e morbidade da Ômicron são baixas", afirmou o secretário.

Em relação aos recordes de atendimento e à explosão na procura por testes contra a covid-19, Signorelli afirmou que é preciso usar os recursos de maneira criteriosa para não faltar no futuro. Recentemente, a Prefeitura recebeu novos testes do governo estadual e aguarda o envio de mais, depois que o governador de São Paulo, João Doria, anunciou a distribuição de mais 2 milhões de testes aos municípios. A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) já alertou que há risco de desabastecimento e recomendou que os testes sejam priorizados para os casos mais graves.

"As pessoas buscam mais teste para poder justificar ausência no trabalho. É importante conseguir o atestado para poder ficar em isolamento com tranquilidade e se afastar do trabalho, mas não adianta vir sem sintomas procurar o teste, pois é um mau uso dele", explicou Signorelli.

Uma das pessoas que estiveram ontem no CEV 1 com sintomas foi a jovem Jenifer Santos, de 22 anos. A fila era longa antes mesmo de a unidade abrir. Jenifer chegou por volta das 6h30 e demorou quase cinco horas para concluir a consulta. Com sintomas, ela fez o teste e confirmou a suspeita: está com covid-19. Outras pessoas também disseram que o atendimento está complicado, com demora. Uma delas relatou que chegou a ficar seis horas no local.

A própria Prefeitura de Valinhos reconhece, nos boletins divulgados, que a alta demanda está fazendo com que o tempo de espera seja maior que o normal. Ontem, o secretário de Saúde solicitou mais escriturários para a unidade, com o intuito de liberar profissionais de saúde de funções burocráticas para agilizar o atendimento.

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