Publicado 13 de Janeiro de 2022 - 8h41

Por Da Redação do Correio Popular

Sessão da Câmara de Campinas no plenário principal da casa, realizada no ano passado: com o agravamento da epidemia de gripe e covid, reuniões voltarão ao ambiente remoto

Diogo Zacarias

Sessão da Câmara de Campinas no plenário principal da casa, realizada no ano passado: com o agravamento da epidemia de gripe e covid, reuniões voltarão ao ambiente remoto

Com nove vereadores na mira do Ministério Público (MP) por denúncias de suposta prática criminosa de retenção de parte do salário de assessores, a popular "rachadinha", a Câmara de Campinas voltará a realizar as sessões de forma remota - devido ao surto de covid e gripe - e em clima de suspeição sobre quase um terço de seus parlamentares ao término do recesso em fevereiro. Por sua vez, o MP informou ontem ter retomado esta semana os trabalhos de apuração sobre as denúncias de rachadinha, recebendo as informações solicitadas aos vereadores envolvidos nas acusações. Até o momento, apenas o caso relacionado ao vereador Otto Alejandro (PL) se transformou em um inquérito civil. O vereador ainda pode recorrer.

Segundo o promotor de Justiça Ângelo Carvalhaes, o vereador Filipe Marchesi (PSB), um dos investigados, apresentou nesta semana a sua defesa sobre a notícia de fato atribuída a ele. A notícia de fato é uma investigação preliminar ao inquérito civil. O vereador, conforme o promotor, negou qualquer participação ou envolvimento de assessores dele na prática da rachadinha. "Ele negou as acusações e a indicação do administrador regional apontado como participante do esquema na Administração Regional 6. Também negou qualquer envolvimento em relação à associação beneficente que teria sido dada em troca da nomeação do comissionado. Ele juntou bastante documentos que estão sendo analisados. Mas ainda vou ouvir outras pessoas", disse o promotor.

O MP informou também ter recebido a documentação referente à defesa do vereador Marcelo Silva (PSD), cujo nome também aparece nas denúncias. O vereador apresentou extratos bancários indicando que não houve nenhum saque para pagamento de 'rachadinhas'.

O promotor informou ainda ter instaurado um procedimento preparatório, que é uma portaria entre a notícia fato instaurada e o inquérito civil, para aprofundar as investigações sobre as denúncias envolvendo o vereador Nelson Hossri (PSD). "Apesar do vereador ter apresentado a sua defesa, quero ouvir os assessores que fizeram as denúncias", disse.

Entre os vereadores que apareceram nas denúncias figuram os nomes de parlamentares como o do presidente da Câmara, Zé Carlos (PSB), Permínio Monteiro (PSB), Edison Ribeiro (PSL), Jorge Schneider (PL) e Gustavo Petta (PCdoB). O promotor explicou que todas as informações seguem sendo analisadas e em fase de recebimento de documentação.

Covid-19

A nova explosão de casos de covid-19 e gripe neste início de ano já repercutiu na rotina de trabalho dos vereadores mesmo antes do término do recesso, previsto para fevereiro. A Câmara de Vereadores de Campinas anunciou ontem a suspensão dos trabalhos presenciais dos parlamentares, bem como o atendimento ao público. Com isso, a partir do final do recesso do Legislativo as sessões voltarão a ocorrer de forma remota.

Conforme a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campinas, um ato assinado pelo presidente da Casa, o vereador Zé Carlos (PSB), as reuniões online valem para análise de projetos de lei, moções e requerimentos, que passam a ser extraordinárias, e também encontros de comissões permanentes e audiências públicas, além das sessões.

A presidência da Câmara afirmou que a reforma do prédio iniciada em dezembro também colaborou para a decisão, já que a intervenção, ainda em fase inicial, limita os espaços e faria com que as pessoas ficassem mais perto umas das outras. Além disso, como as obras estruturais no prédio fizeram com que alguns setores do Legislativo se adequassem a espaços menores, os diretores poderão determinar um sistema de rodízio entre os servidores para evitar aglomerações e com isso a transmissão da covid-19 e dos casos de gripe.

A Câmara de Campinas usou o Sistema de Deliberação Remota em 2020, retomando no início de 2021, as sessões presenciais. A intensificação dos casos a partir de fevereiro do ano passado forçaram a Casa a retomar os trabalhos remotos. Em agosto, quando a imunização refletiu em uma melhora dos indicadores, o Legislativo retomou as reuniões no plenário e com a presença de público.

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