Publicado 13 de Janeiro de 2022 - 8h41

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Rio Atibaia, principal fonte de captação de água de Campinas, com forte correnteza devido às chuvas; quantidade de água ainda é insuficiente para afastar risco de crise hídrica, prevista para este ano na região

Diogo Zacarias

Rio Atibaia, principal fonte de captação de água de Campinas, com forte correnteza devido às chuvas; quantidade de água ainda é insuficiente para afastar risco de crise hídrica, prevista para este ano na região

Mesmo com as fortes chuvas que atingem a região de Campinas e boa parte do Sudeste do Brasil, provocando inundações e alagamentos, o mês de dezembro apresentou uma precipitação pluviométrica 30,9% abaixo do esperado. Com isso, o cenário é de preocupação em relação à recuperação do volume dos rios e mananciais que abastecem as cidades da região, mantendo os alertas de uma possível crise hídrica prevista para este ano.

É o que aponta o novo Boletim da Disponibilidade Hídrica das Bacias PCJ, emitido essa semana pelo Consórcio das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Conforme o órgão, a situação verificada no mês passado não se difere muito do que foi verificado em todo o ano de 2021, onde os registros apontaram queda de 23,13% em relação às médias históricas de chuva da última década.

Com a menor frequência de chuvas consistentes, os rios e mananciais acabam sofrendo o impacto e diminuem as suas vazões, acarretando menor oferta hídrica. Alguns rios que servem municípios da região chegaram a apresentar vazões 67,5% menores do que o normal, conforme o estudo do Consórcio PCJ.

Diante desse cenário, municípios da região já se mobilizam para montar estratégias para economizar água e aproveitar o que vem caindo do céu para recuperar suas reservas visando se preparar para possíveis momentos de escassez em 2022. É o caso de Vinhedo, na região de Campinas, que anunciou a permanência do sistema de rodízio para que o município possa equilibrar os níveis de reserva de água bruta, que permanecem abaixo do normal para o período.

Os dados revelados pelo boletim relatam que as chuvas no Sistema Cantareira, importante manancial para as Bacias PCJ e Grande São Paulo, foram as menores já registradas para períodos sem crises hídricas, desde o ano 2000. Segundo dados do consórcio, o ano de 2021 registrou 1.087,6 milímetros, quando a média histórica prevê que sejam 1.504,80 milímetros. Esse número só não foi pior que o de 2014, durante a mais grave crise hídrica já registrada, quando o acumulado do ano foi de 964,90 milímetros.

"Esse comportamento refletiu ainda na capacidade do sistema se recuperar. Mesmo com o início do verão e da temporada de chuvas, o Cantareira seguiu sua tendência de queda do volume útil reservado, passando de 25,90% para 24,85%", diz trecho do documento.

Os técnicos do Consórcio PCJ ressaltam a importância para que o período úmido atual registre boas precipitações, pois, a possibilidade de crise hídrica em 2022 só poderá ser afastada se os reservatórios do

Cantareira se recuperarem e atingirem 60% de reserva até o início da estiagem, que ocorre na segunda quinzena de abril.

Previsões

De acordo com as previsões do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPETC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no primeiro trimestre de 2022 apontam que podem ocorrer chuvas abaixo das médias históricas no Estado de São Paulo, sendo assim também nas Bacias PCJ. O período hidrológico úmido, conhecido como época das chuvas, deve durar até maio de 2022.

A entidade segue com a recomendação de atenção e indica que campanhas de racionalização sejam intensificadas mesmo durante o verão, já que chuvas acontecerão, mas, podem não ser suficientes para a recarga dos mananciais das Bacias PCJ.

"Cada gota de água deve ser armazenada durante o período chuvoso para que se tenha como atravessar a estiagem de 2022. Medidas estruturais como implantação e ampliação de bacias de retenção e piscinões ecológicos devem ser mantidas para tentar aumentar o máximo o nível de recarga de nosso lençol freático e nascentes", diz outro trecho do documento.

O estudo ressalta também a importância de a comunidade estar preparada para tomar medidas de contingenciamento durante a estiagem, caso precipitações abaixo da média se intensifiquem em 2022.

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Vinhedo mantém o rodízio de água para tentar recuperar reservatórios

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A Comissão de Enfrentamento à Estiagem da Sanebavi, autarquia municipal responsável pelo abastecimento e saneamento básico de Vinhedo, avaliou que a recuperação dos reservatórios e mananciais, frente às chuvas que vêm ocorrendo nos últimos dias, não está sendo suficiente para equilibrar os níveis de reservação de água bruta, que permanecem abaixo do normal para o período. Com isso a necessidade do rodízio de água permanece.

Conforme informações dos técnicos da autarquia municipal, apesar das fortes chuvas, o nível de uma das represas que servem ao abastecimento da cidade permanece similar ao período de meados de junho de 2021. No estudo, o percentual de recuperação da Represa 1, que até a última segunda-feira foi de 26 %, chegou a 49% da capacidade, menos da metade, cerca de 80.496,78 metros cúbicos, nível registrado em 22 de junho do ano passado.

Na Represa 2, conforme os estudos, não foi registrada nenhuma recuperação, mantendo o nível de 53% da capacidade, e na Represa 3 foi registrada uma recuperação de 11%, atualmente com 44% de reservação.

Ainda segundo os técnicos, dos 42 dias contados do início de dezembro até agora, período considerado "úmido", 21 dias registraram precipitações. No entanto, as chuvas mais intensas só aconteceram na nossa região neste mês janeiro, totalizando, até segunda, 218 milímetros no período.

Para Vinhedo, o equilíbrio registrado no Rio Capivari, que atingiu a vazão média de 385 metros cúbicos por hora nos últimos sete dias, permite a preferência de captação, o que ajuda a poupar as águas das represas.

De acordo com o diretor de Estação de Tratamento de Água (ETA), Gabriel Carvalho, o volume recuperado até agora na Represa 1, cerca de 42 mil metros cúbicos, equivale a pouco mais de dois dias de produção da unidade ETA 1. "Ainda é muito importante que o rodízio permaneça para que possamos viabilizar a recuperação de nossa reserva de água bruta antes de iniciarmos o próximo período de estiagem nos próximos meses", explica.

O diretor informa que a atual recuperação está muito lenta frente aos dados de anos anteriores. No ano passado, foi registrado o transbordo da Represa 1 no dia 10 de janeiro e as demais reservas estavam praticamente cheias. "Assim, o que foi poupado neste início de ano pode ser facilmente consumido caso haja redução de vazão nos rios", disse.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular