Publicado 13 de Janeiro de 2022 - 8h41

Por João Lucas Dionisio/Correio Popular

O fotógrado Fernando Petermann, de 49 anos, correu para fazer o pré-cadastramento do filho Theo, de seis anos

Ricardo Lima

O fotógrado Fernando Petermann, de 49 anos, correu para fazer o pré-cadastramento do filho Theo, de seis anos

O Governo de São Paulo anunciou ontem a abertura do pré-cadastro para o início da imunização contra a covid-19 em crianças na faixa etária de 5 a 11 anos. O governador João Doria afirmou que os pais já podem acessar o site do governo (www.vacinaja.sp.gov.br) para inserir os dados cadastrais da criança e agilizar o atendimento nos postos de saúde do Estado.

O primeiro carregamento, com 1,2 milhão de doses, estava previsto para chegar ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, na madrugada de hoje. O repasse inicial ao Estado gira em torno de 240 mil doses. Ao todo, cerca de 4,3 milhões de crianças estão aptas a receber a dose do imunizante contra a doença.

O governo revelou, ainda, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando a liberação da Coronavac para a faixa etária de 3 a 11 anos. Caso isso ocorra, o Estado já conta com cerca de 16 milhões de doses, o que seria suficiente para imunizar as crianças paulistas e ainda auxiliar na vacinação de outros Estados.

Mesmo com a resolução recente do impasse da vacinação em crianças, envolvendo o Governo Federal e a Anvisa, Doria reforçou que o governo está pronto para a campanha de imunização desde o dia 16 de dezembro. “Imprimimos 4,5 milhões de carteiras de vacinação devidamente caracterizadas para essa finalidade. Compramos também 4,5 milhões de seringas e agulhas adequadas especialmente a essa faixa etária e preparamos toda a logística de distribuição”, afirmou. Além disso, o Estado contará com 5,2 mil pontos de vacinação e 268 escolas públicas estaduais. “Estamos prontos para imunizar as crianças”, assegurou.

De acordo com o governador, a capacidade de vacinação é de aproximadamente 250 mil crianças por dia, mas o número pode ser superior mediante a demanda. No entanto, o governo paulista prevê receber cerca de 20% das vacinas do primeiro lote, com cerca de 248 mil doses. Com isso, a prioridade será a de imunizar crianças com alguma comorbidade ou deficiência, indígenas e quilombolas. “O Ministério da Saúde está ofertando agora apenas 1,2 milhão de doses. No Estado são 4,3 milhões de crianças com idade entre 5 e 11 anos. Se considerarmos também a faixa etária de 3 a 11 anos, o número salta para 5,6 milhões. Ou seja, além do atraso na entrega, trata-se de um número pequeno”, criticou.[TEXTO]

Du[/TEXTO]rante o pronunciamento, o governo não oficializou uma data para o início da imunização. No entanto, a coordenadora do Programa Estadual de Imunização, Regiane de Paula, explicou que, se tudo ocorrer dentro do previsto pelo Ministério da Saúde, a campanha deve começar no início da próxima semana. “Após desembarcar em Campinas, as doses vão passar por um controle de qualidade de, no máximo, 24 horas. Temos a expectativa de receber as doses entre os dias 14 e 15, quando daremos início imediato à distribuição nos 645 municípios do Estado em até um dia”, explicou.

Esperança

O fotógrado Fernando Petermann, de 49 anos, recebeu com alívio a informação de que a campanha de imunização para as crianças será iniciada dentro dos próximos dias. “É um misto de sensações”, afirmou. Isso porque Petermann poderá imunizar o seu filho Theo, de seis anos. “Assim que saiu a confirmação da campanha, corremos para o site do governo e realizamos o pré-cadastro dele”, contou. Na visão dele, quanto mais rápido a população for vacinada, melhor.

Mesmo entusiasmado em saber que o seu filho será finalmente imunizado contra a covid-19, o fotógrafo admite que muitos pais ainda resistem à vacinação para crianças. No entanto, Petermann recomendou que as pessoas “confiem mais na ciência e nos profissionais de saúde”. Mesmo sem ter sido infectado pelo novo coronavírus, a possibilidade de imunizar toda a família é motivo de esperança para o futuro. “Tomamos todos os cuidados necessários durante os últimos dois anos torcendo para a vacina fosse produzida o mais rápido possível”, destacou.

Segura e eficaz

O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou que as vacinas aplicadas em crianças por todo o mundo são seguras e eficazes. “A Pfizer foi liberada pela Anvisa, na qual confiamos e respeitamos.” Segundo ele, de seis milhões de crianças que receberam o imunizante nos Estados Unidos, apenas oito desenvolveram casos de pericardite e miocardite, que são problemas cardíacos. “Uma criança teve o quadro evoluído para a forma mais grave”, detalhou.

Segundo ele, uma criança infectada com a covid-19 tem de oito a dez vezes mais chance de desenvolver algum problema mais grave de saúde. Ele destacou que a segurança proporcionada pelo imunizante é infinitamente maior do que os riscos que eventualmente possam acontecer. “São sinônimo de proteção”, completou.

O governo estadual revelou que a Anvisa analisa a liberação da Coronavac à faixa etária de 3 a 11 anos. Com isso, o Estado teria cerca de 16 milhões de doses a pronta entrega, o que “seria o suficiente para todas as crianças paulistas”, garantiu Gorinchteyn.

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João Lucas Dionisio/Correio Popular