Publicado 13 de Janeiro de 2022 - 8h41

Por João Lucas Dionisio/Correio Popular

Público lotou apresentação da Orquestra Sinfônica de Campinas no Teatro Castro Mendes, no dia 23 de novembro do ano passado: restrição sugerida é de ocupação máxima de 70%

Diogo Zacarias

Público lotou apresentação da Orquestra Sinfônica de Campinas no Teatro Castro Mendes, no dia 23 de novembro do ano passado: restrição sugerida é de ocupação máxima de 70%

O aumento de casos de síndromes respiratórias, principalmente em função da nova variante Ômicron, impeliu o Governo de São Paulo a anunciar ontem, em entrevista coletiva, novas recomendações para o combate à covid-19. Entre elas, a sugestão para que as prefeituras reduzam para 70% o limite de presença em eventos públicos e privados que gerem aglomeração.

Segundo o governador João Doria, como os municípios apresentam condições epidemiológicas distintas uma das outras, a decisão final sobre a adoção ou não das recomendações ficará a cargo das administrações municipais. Por outro lado, para o Campeonato Paulista de futebol, que se inicia no próximo dia 23, o governo determinou a redução de 30% na capacidade dos estádios e manteve a exigência do comprovante de vacinação com pelo menos duas doses.

De acordo com coordenador executivo do Comitê de Combate à Pandemia do Estado de São Paulo, João Gabardo, a recomendação foi elaborada com base na análise dos pacientes que foram infectados com a covid-19 nas últimas semanas. "O ideal é que todos os eventos exijam o comprovante de imunização completo e, se possível, o teste rápido de detecção da doença", confirmou.

O anúncio foi feito apenas ontem, mas cidades como Amparo e Capivari se adiantaram e determinaram, já na semana passada, uma série de restrições, como fechamento de bares e restaurantes às 23h e a proibição de aluguel de chácaras para a realização de festas.

Na visão de Gabardo, a população precisa entender o quanto antes que a nova variante só parece ser menos letal em virtude da vacinação em massa. Ele alertou que, atualmente, o Estado enfrenta uma pandemia de não vacinados. Ou seja, pessoas com mais de 18 anos que não completaram o esquema de imunização e crianças que não receberam as doses. "Esses dois segmentos são os principais responsáveis pelo acréscimo no número de casos de covid-19 e internações", revelou.

Mesmo com o crescimento de casos e com a predominância da variante Ômicron, Gabardo justificou o fato de o governo ter optado pela recomendação e não por uma determinação. "Entendemos que os municípios possuem quadros epidemiológicos diferentes e precisam legislar de acordo com a situação de cada um", argumentou. Ele explicou, ainda, que a ocupação de leitos atual e o acréscimo no número de pacientes internados, apesar de altos, saíram de uma base de comparação baixa. "As recomendações devem ser proporcionais à realidade do momento", avaliou. No entanto, o coordenador executivo reiterou que as medidas anunciadas ontem não são definitivas. "Outras recomendações ou determinações podem ser implementada nas próximas semanas."

Estádios

A única determinação anunciada ontem pelo governo estadual - conforme antecipado em entrevista exclusiva do prefeito João Doria ao Correio Popular no último domingo - foi a redução de 30% na capacidade de público nos estádios paulistas. Doria explicou que, no caso do futebol e de outros eventos esportivos estaduais, como é o caso do Paulistão, a decisão cabe ao governo. "É uma determinação que deverá ser obedecida", afirmou. A regra entrará em vigor no próximo dia 23, quando está marcado o início do Campeonato Paulista. "O nosso objetivo é o de proteger as pessoas", justificou. Além disso, o governador assegurou que as decisões tomadas pelo Comitê são embasadas na saúde e na ciência. "Não determinamos ações com base em pensamentos políticos, eleitorais ou ideológicos", garantiu.

Posicionamento

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Campinas informou que vai aguardar a publicação do decreto estadual para então analisar a aplicação ou não das medidas recomendadas em relação aos eventos públicos e privados. A Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) reforçou que a retomada dos eventos de cultura e entretenimento é um processo que está em andamento no Brasil, respeitando-se os índices epidemiológicos de cada região. "O retorno das atividades do segmento foi racional e cauteloso. A escolha desse setor como 'vilão' é subjetiva, simplista e injusta", criticou.

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João Lucas Dionisio/Correio Popular