Publicado 12 de Janeiro de 2022 - 9h24

Por Da Redação do Correio Popular

Família e amigos velam o corpo de Carmen Pinheiro da Silva, uma das dez vítimas da tragédia de Capitólio, sepultada ontem em Sumaré: clima de comoção e inconformismo

Diogo Zacarias

Família e amigos velam o corpo de Carmen Pinheiro da Silva, uma das dez vítimas da tragédia de Capitólio, sepultada ontem em Sumaré: clima de comoção e inconformismo

Foi enterrada ontem a terceira vítima de Sumaré na tragédia de sábado passado nos cânions do Capitólio, em Minas Gerais, Carmen Pinheiro da Silva (43 anos) - mãe de Camila Silva Machado (18 anos); sepultada na segunda-feira, juntamente com o namorado Mykon Douglas Osti (24 anos). Dezenas de pessoas acompanharam as cerimônias de enterro das três vítimas nos dois dias no Cemitério da Saudade de Sumaré.

A chuva fina durante a cerimônia de ontem compôs o cenário de tristeza pelas perdas de vidas, de forma inesperada no acidente provocado pelo desabamento de uma rocha nos cânions do Capitólio. As pessoas que compareceram ao velório não se conformavam com as mortes ocorridas no mesmo núcleo familiar durante um passeio em uma lancha no lago de Furnas. Das dez vítimas, oito eram de familiares.

Os familiares mais próximos preferiram não dar depoimentos, pois estavam muito abalados. Dentre os amigos da família, Maria de Fátima Silvério, amiga de Carmen, disse que dividiu por vários anos a convivência com ela, no bairro Jardim Nova Terra, em Sumaré. Maria firmou que Carmen era muito extrovertida e amiga de todos, sendo também uma mãe zelosa. "Foi uma batalhadora na criação dos filhos e todos do bairro gostavam muito dela. Uma pena que tenha ido tão cedo", comentou.

Outro morador do bairro Jardim Nova Terra, José Onório, amigo de infância de Carmen e de toda a família, destacou a grande amizade. "Fomos criados todos juntos, desde pequenos. Estudamos juntos e a amizade era grande entre as famílias do bairro. Carmen sempre foi uma pessoa de bom coração, uma pessoa nota dez. Não tem o que falar mal dela. Foi extrovertida, trabalhadora e cuidou muito bem dos filhos, tanto da menina como dos outros dois filhos. É difícil de acreditar que ela tenha deixado esta vida terrena. Uma tragédia que ninguém contava. Uma fatalidade, pois saíram de Sumaré para passear e se divertir, mas não voltaram mais", lamentou.

Carmen foi a última vitimada a ser encontrada e teve sua identidade confirmada na segunda-feira passada entre os mortos na tragédia. O corpo dela chegou ao velório do cemitério de Sumaré às 14h de ontem, em uma lápide lacrada do Instituto Médico-Legal (IML) de Passos (MG), onde os corpos da tragédia foram identificados em exames de DNA. O enterro ocorreu por volta das 16h.

Além de Carmen, Camila e Mikon, o quarto morador de Sumaré, Geovany Teixeira da Silva (37 anos) - namorado de Carmen, foi enterrado na segunda-feira no município de Serrania, na região de Poços de Caldas (MG), junto com o filho Geovany Gabriel Oliveira da Silva (14 anos); o pai Sebastião Teixeira da Silva (64 anos); a mãe Marlene Augusta Teixeira da Silva (57 anos); e o primo Tiago Teixeira da Silva Nascimento (35 anos). Com isto, oito pessoas do mesmo núcleo familiar formaram a lista das dez vítimas do acidente.

Os outros dois vitimados no acidente foram: Júlio Borges Antunes (68 anos), de Alpinópolis (MG), amigo de infância do pai de Geovany; e Rodrigo Alves dos Anjos (40 anos), de Betim (MG), marinheiro e piloto da embarcação denominada "Jesus", alugada pelo grupo familiar.

Os dois casais de Sumaré saíram de férias na sexta-feira passada rumo aos cânions do Capitólio para comemorar o aniversário de Maykon, que completaria 25 anos no domingo, um dia depois da tragédia. Os dois casais se encontraram com outros quatro familiares - pai, mãe, filho e primo de Geovany (namorado de Carmem) - e dividiram um rancho na região e um barco para poder conhecer de perto os cânions.

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