Publicado 12 de Janeiro de 2022 - 9h33

Por Ronnie Romanini/ Correio Popular

Testagem para a covid-19 é realizada em paciente: do dia 2 até 10 de janeiro foram coletadas 9.469 amostras

Ricardo Lima

Testagem para a covid-19 é realizada em paciente: do dia 2 até 10 de janeiro foram coletadas 9.469 amostras

Em apenas 9 dias de janeiro, Campinas ultrapassou a marca de 10 mil testes RT-PCR para detecção da covid-19 realizados no SUS Municipal. No mês passado, já com o início do surto de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs), esse número demorou quatro semanas para ser atingido, abrangendo o período de 5 de dezembro a 1º de janeiro, de acordo a contagem em semanas epidemiológicas. Os dados são da Secretaria de Saúde de Campinas, que não informou quantas dessas amostras tiveram resultado positivo em janeiro. Em dezembro foram menos de 5%.

Do dia 2 de janeiro até a segunda-feira, dia 10, foram coletadas 9.469 amostras por meio do exame RT-PCR, uma média aproximada de 1.052 por dia. A alta na demanda fica clara quando considerada apenas a primeira semana epidemiológica de 2022. Do dia 2 ao 8 de janeiro foram realizados 7,5 mil testes, número quase cinco vezes superior ao da semana epidemiológica 49 - a primeira de dezembro de 2021 -, quando 1.551 pessoas foram testadas.

Esse evidente crescimento de pessoas com sintomas respiratórios é concomitante ao aparecimento da variante Ômicron no Brasil. Embora haja a falta de informações precisas pelo "apagão de dados" dos sistemas do Ministério da Saúde desde o início de dezembro, o próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reconheceu ontem que a Ômicron já é predominante no Brasil.

Nova modalidade de testes

Uma tecnologia que pode detectar o vírus da covid-19 diretamente dos equipamentos de coleta nasal, os swabs, foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade São Francisco (USF), por meio do programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Saúde, com a colaboração da Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos e da Universidade Presbiteriana Mackenzie. O projeto pode dar celeridade à triagem de pacientes com a covid-19, uma vez que o resultado sai em menos de um minuto.

Com o nome de MasSpec Pen, o método utiliza um dispositivo plástico, em formato de caneta, para a coleta de moléculas biológicas. Essas moléculas são transportadas para um espectrômetro de massa para análise. Essa tecnologia é derivada de um sistema de detecção e diagnóstico de câncer desenvolvido pela pesquisadora brasileira da Universidade do Texas, Lívia Eberlin. O método também pode ser usado em exames de papanicolau, que já utiliza o swab na coleta.

O sistema já consegue apontar, por meio de algoritmos e modelos estatísticos, se uma amostra contém células cancerosas. Agora, a intenção é a de aplicar a tecnologia para detectar a covid-19 em pacientes.

Entretanto, o caminho para a novidade chegar à população não é simples. O desenvolvimento da tecnologia para a covid-19 foi realizado apenas em escala laboratorial, ou seja, em escala reduzida. Para a nova forma de testagem virar realidade, é preciso que haja um investimento privado e a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), explicou uma das coordenadoras do projeto, e professora da USF, Andréia de Melo Porcari.

"Seria necessária uma análise com muitos voluntários e com um custo considerável, já que, além do novo teste, o PCR também precisaria ser aplicado nessas pessoas. Temos a idealização do projeto, mas precisamos de investimento. O processo de validação junto à Anvisa não é algo que a pesquisa consiga pagar. A iniciativa privada pode entrar nessa".

O projeto foi apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e teve um artigo publicado na revista Analytical Chemistry.

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Ronnie Romanini/ Correio Popular