Publicado 12 de Janeiro de 2022 - 9h11

Por João Lucas Dionisio/Correio Popular

Comércio de acessórios para celular na área central de Campinas: afastamentos de funcionários, por conta de sintomas gripais, vêm prejudicando a capacidade de atendimento das lojas

Kamá Ribeiro

Comércio de acessórios para celular na área central de Campinas: afastamentos de funcionários, por conta de sintomas gripais, vêm prejudicando a capacidade de atendimento das lojas

O aumento de casos de síndrome respiratória nas últimas semanas, que vem sobrecarregando o sistema público de saúde em Campinas, passou a afetar também diversos setores da atividade econômica. Isso porque dezenas de funcionários estão afastados em virtude de sintomas gripais, o que acaba prejudicando o funcionamento de empreendimentos como lojas, restaurantes, bares e até mesmo de companhias aéreas. Com a redução no número de trabalhadores e a dificuldade para a reposição dos postos de serviço, a Associação Brasileira de Lojistas Satélites (Ablos) informou ontem que estuda a redução no horário de funcionamento dos shoppings em todo o país.

A ideia do presidente da entidade, Mauro Francis, é a de encurtar o atendimento a apenas um turno, propiciando que os varejistas possam equalizar o déficit de colaboradores afastados por conta do novo coronavírus ou da gripe. Essa redução de horário em Campinas, que conta com mais de sete shoppings, envolveria cerca de 1,5 mil lojas. A situação é complicada também em bares e restaurantes, segmento onde os colaboradores costumam atuar em contato direto com os clientes. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), as lojas do ramo estão afastando, em média, 20% dos funcionários por semana.

Para o gerente de uma churrascaria em Campinas, Cláudio Ivan Santos, de 54 anos, o mês de janeiro está sendo complicado em decorrência do afastamento de trabalhadores. "São muitos casos de gripe, o que acaba tornando o trabalho mais corrido e desgastante", afirmou. O restaurante, que tem em seu quadro 54 funcionários no total, precisou afastar aproximadamente 16 deles devido aos sintomas gripais nos últimos dias. "Apertou bastante a rotina, fomos obrigados a contratar alguns temporários para dar conta da demanda", explicou. Mesmo assim, a incerteza que pesa sobre o as próximas semanas vem causando insegurança. "Assusta bastante, principalmente com a existência da nova variante. Mas torço para que as coisas possam melhorar", espera o gerente. Na tentativa de reduzir os riscos de infecção por parte dos funcionários e clientes, Santos destacou que reforça a importância da higienização das mãos e do uso de máscara diariamente.

Comércio de rua

A onda de casos de síndromes respiratórias também afeta o funcionamento de lojas da região central de Campinas, como as do calçadão da 13 de Maio, considerado um dos principais pontos comerciais do município. Proprietária de duas unidades de uma ótica de médio porte, Raquel Subo, de 43 anos, explicou que, pelo fato da equipe já estar bem enxura em virtude dos impactos econômicos causados pela pandemia, a falta de apenas um trabalhador - afastado com sintomas de covid-19 - já prejudicou o funcionamento do empreendimento. "É difícil, porque dependemos da loja funcionando para pagar as contas e criar caixa para conseguir admitir novas contratações futuramente. A opção é lidar com esses obstáculos da melhor maneira possível até que as coisas melhorem", explicou.

Segurança máxima

Para evitar que funcionários sejam infectados por alguma síndrome respiratória, Angélica Nader, de 58 anos, cobra que todos, trabalhadores e clientes, cumpram as regras sanitárias na loja de acessórios para celulares que gerencia, no Centro. "Uso de máscara é obrigatório. Caso contrário, o cliente não é atendido. Além disso, a higienização constante nas mãos já se tornou um hábito", revelou. Com as medidas, o resultado foi positivo, segundo ela. Até ontem, nenhum colaborador havia apresentado sintomas gripais. Entretanto a situação, para ela, é preocupante. "Fora da loja, não temos como controlar a forma como as pessoas se cuidam", explicou.

Empresarial

Proprietário de uma empresa que gerencia inúmeros condomínios residenciais em Campinas, Alexandre Garutti, de 49 anos, contou que, após as festas de fim de ano, mais de cinco funcionários do seu escritório foram afastados em decorrência de sintomas respiratórios. "Todos em menos de uma semana, o que acabou impactando bastante no funcionamento da empresa. Desdobrei-me junto a outros colaboradores para poder atender a demanda, mas foi difícil".

O empreendimento, que conta com cerca de 25 funcionários, segue funcionando, mas alguns processos que eram feitos de maneira mais ágil, hoje levam um tempo maior por conta da falta de pessoal. "Teoricamente faço a função de três ou quatro", revelou. Garutti também que teme pelo futuro, principalmente com a circulação da variante Ômicron. "Praticamente todos os dias um funcionário é afastado do escritório".

Nos céus

O aumento de casos afetou gravemente as companhias aéreas brasileiras. Isso porque, com o afastamento dos trabalhadores que apresentavam sintomas gripais, a operação de diversas empresas do setor foram fortemente prejudicadas neste início de ano. O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, registrou ontem mais 20 voos cancelados em virtude da falta de tripulantes disponíveis para realizar os voos. Ao todo, o terminal já soma 187 viagens canceladas nos últimos cinco dias. Considerado um dos maiores e mais importantes do Brasil, Viracopos recebe uma média de 300 voos por dia.

Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) assegurou que está monitorando todos os casos de síndromes respiratórias apresentadas por pilotos, comissários e demais profissionais do setor aéreo. Além disso, a agência afirmou que está acompanhando as empresas do setor para garantir que a prestação de assistência aos passageiros seja cumprida. As companhias aéreas ressaltaram que os usuários com voos alterados ou cancelados podem remarcar a viagem por meio do site oficial da empresa sem cobranças adicionais ou fazer o pedido de reembolso.

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João Lucas Dionisio/Correio Popular