Publicado 05 de Janeiro de 2022 - 9h01

Por Ronnie Romanini/ Correio Popular

Estoque atende a 40 leitos de UTI Neonatal e 22 da UCI da Maternidade

Kamá Ribeiro

Estoque atende a 40 leitos de UTI Neonatal e 22 da UCI da Maternidade

O nível crítico do estoque no Banco de Leite Humano fez o Hospital Maternidade de Campinas divulgar um apelo às mães para a doação do leite excedente para ajudar a atingir o volume ideal de armazenamento. Hoje o estoque está 30% abaixo do ideal na Maternidade. A média atual é de 140 litros, sendo que o volume considerado ideal é de 200 litros. Essa quantidade é insuficiente para atender aos 40 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e aos 22 existentes na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI).

Cada litro excedente doado pode ajudar a alimentar até 10 bebês recém-nascidos por dia. O leite materno é considerado um alimento nutritcionalmente completo durante os seis primeiros meses de vida da criança e complementar a outros alimentos até os dois anos de idade.

A Maternidade conta, no momento, com 56 doadoras cadastradas. São cerca de 750 bebês nascidos em média mensalmente no hospital - 25 por dia. Sessenta por cento deles são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para quem mora em Campinas e deseja ajudar com a doação, a própria entidade busca o leite materno na residência da pessoa que optou em contribuir. O cadastro é feito por telefone, evitando o deslocamento e o contato presencial. A ida até o hospital, por parte da doadora, acontece apenas uma vez para a realização dos exames necessários e recomendados pelo Ministério da Saúde.

A médica pediatra e neonatologista, e coordenadora do Banco de Leite Humano da Maternidade de Campinas, Tereza Fernandes Mathiazzi, explicou que a única ida presencial no hospital também serve para a doadora receber todas as orientações e os materiais necessários à coleta. "Explicamos todo o processo para essas mães que precisam vir apenas uma vez, caso morem em Campinas. Quem mora fora, tem que querer e poder, o que não é fácil para uma mãe que está amamentando, pois elas têm que trazer o leite até aqui. A doadora deve estar amamentando o filho - que precisa apresentar o peso adequado - e ser saudável. Muitas, por desinformação, jogam o leite excedente fora, mas elas podem doar ao Banco de Leite". Sobre o baixo índice, Tereza disse que é comum ocorrer uma queda no estoque em todo final de ano. Ela atribuiu esse fato ao envolvimento das potenciais doadoras com outros compromissos que reduzem o tempo disponível para coleta e doação.

Estudos realizados na área apontam que mais de 800 mil mortes de crianças poderiam ser evitadas todo ano com a amamentação. As mães também se beneficiariam: cerca de 20 mil óbitos por câncer de mama não aconteceriam, uma vez que a mulher que amamenta tem uma redução importante na chance de desenvolver esse e outros tipos de câncer, além de outras doenças. "O leite materno estimula a imunidade do bebê, inclusive contra a covid-19 se a mãe já teve a doença. O aleitamento diminui a frequência de doenças do aparelho gastrointestinal, respiratórias e alergias para a criança. É um benefício a curto e longo prazo, já que o leite materno também diminui a obesidade e a diabetes na fase adulta. Ainda há uma influência positiva na parte cognitiva. Ele beneficia o raciocínio, a memória e até o vínculo do bebê com a mãe", concluiu a coordenadora do Banco de Leite da Maternidade, que é credenciado pela Fiocruz e pelo Ministério da Saúde.

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