Publicado 05 de Janeiro de 2022 - 8h56

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

O estudante Lucca Campos Cagiarani Cabral Pereira realiza teste para detectar o vírus da H3N2 em laboratório de Campinas: positividade tem ficado abaixo de 5%

Ricardo Lima

O estudante Lucca Campos Cagiarani Cabral Pereira realiza teste para detectar o vírus da H3N2 em laboratório de Campinas: positividade tem ficado abaixo de 5%

A procura por testes rápidos para verificar a presença ou não de anticorpos da covid-19 disparou nas últimas semanas em Campinas. Tanto a rede pública, quanto farmácias e laboratórios registraram aumento na demanda pelos testes. As festas de final de ano, a disseminação da variante Ômicron e o surto fora de época do vírus da Influenza, conhecido popularmente como gripe, que possui sintomas parecidos com os provocados pelo coronavírus, tem levado uma multidão em busca da confirmação ou não da contaminação.

Segundo informações da Rede Mário Gatti, que administra os dois hospitais municipais, além das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Serviço Municipal de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a média diária é de 500 testes PCR por dia. O resultado nestes casos leva em média quatro dias para sair. A positividade tem ficado abaixo de 5%, e a grande maioria é de casos leves, sem necessidade de internação, segundo informações da Rede.

No SUS Municipal, numa comparação entre a quantidade dos testes PCR realizados no início de dezembro até o dia primeiro de janeiro, verifica-se um aumento de 140%. Segundo dados do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas (Devisa), desde o início de dezembro, há um mês, o número de exames coletados vem crescendo. Entre 5/12 e 11/12 1.551 exames PCR foram coletados. Entre os dias 12 e 18, foram 2.200. Do dia 19 até o dia 25 o número chegou a 2.550. Na última semana epidemiológica, entre os dias 26/12 e 1/01 o número de exames PCR coletados alcançou 3.728. Totalizando em um mês mais de 10 mil exames realizados. Uma média de 333 por dia.

No setor farmacêutico a procura por testes rápidos também tem sido intensa. Os agendamentos têm tido uma fila de espera de mais de quatro dias. O retrato de Campinas é uma realidade também registrada em todo o país, segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). Em todo o Brasil a entidade verificou um aumento de 44% em um intervalo de duas semanas. O levantamento foi realizado nas duas primeiras semanas de dezembro.

Conforme os dados, entre 13 e 19 de dezembro, foram 137.618 atendimentos, que representam 9% a mais do que o verificado entre 6 e 12 do mesmo mês. Em relação ao intervalo de 29 de novembro a 5 de dezembro, no entanto, o aumento chega a 44%. A média de testagem em farmácias, segundo a associação, estava em queda desde junho, mas voltou a crescer nos últimos dois meses.

Em relação aos positivados, dos mais de 137 mil atendimentos feitos na terceira semana de dezembro, foram confirmados 10.982 casos de covid-19. Na semana anterior, eram 8.278. O percentual de diagnósticos de coronavírus em relação ao total de atendimentos passou de 6,56% para 7,98%. Mas, de acordo com o levantamento, "se considerada a média diária de casos, o índice segue em viés de baixa". A Abrafarma reúne as 26 maiores redes de farmácias do país, somando mais de 8,5 mil unidades em todos os estados e no Distrito Federal.

Nos laboratórios e hospitais da rede particular a situação também não é diferente. Segundo dados do Laboratório Ramos de Medicina Diagnóstica, que possui sete unidades e tem alcance em todas as regiões de Campinas, o número de procura por testes para covid-19 triplicou com o retorno das festas de Ano Novo. Antes do Natal o laboratório já havia registrado aumento, mas o motivo era prevenção ou sintomas confundidos com a gripe. Já os testes de influenza aumentaram em 400% em dezembro, por causa do surto fora de época.

Para o médico patologista clínico Fábio Tambascia, do laboratório Ramos, a alta procura pela testagem para covid-19 coincide com o surto de gripe provocado pelo vírus da Influenza, ou o H3N2. Ele confirma a alta procura já no início do mês de dezembro em relação aos meses anteriores da ordem de 45%. "Mas de dezembro para agora, após as festas de Natal e Ano Novo, o aumento chega a 300%. É uma média de 130 atendimentos por dia para testes de covid-19", disse.

O médico que atende também na rede particular, informou que no hospital onde presta serviços, no distrito de Barão Geraldo, apenas ontem foram realizados 350 testes de covid-19. "Realmente é muita coisa. Um aumento considerável", ressalta. O especialista aproveita para ressaltar a importância da testagem. "É muito importante as pessoas manterem os protocolos de higiene, uso de máscara e distanciamento. E tendo sintomas procurar atendimento médico para testagem e isolamento", explica.

O especialista ressalta que com a presença da nova variante da covid-19, a Ômicron, e o surto de Influenza, os prontos atendimentos tanto da rede particular quanto da rede privada encontram-se sobrecarregados. "A variante Ômicron é uma variante de alta transmissão e baixa virulência. E está lotando os prontos socorros. Pois os pacientes procuram atendimento, fazem o teste, são diagnosticados e são orientados a cumprir o isolamento em casa, mas o impacto de superlotação é inevitável", explica.

Os dados sobre os casos e óbitos por covid em Campinas serão divulgados hoje, segundo informações da administração.

Surto atinge CS do Jd. Itatinga e sindicato pede testagem

O Centro de Saúde (CS) Santos Dumont, no Jardim Itatinga, é alvo de investigação sobre um possível surto de covid-19 entre os funcionários. Informações dão conta de que cinco trabalhadores testaram positivo para a doença nos últimos dias. A situação mobilizou o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, que cobra uma testagem em massa dos funcionários dos CSs da cidade.

A Secretaria de Saúde informa, no entanto, que os casos no CS Santos Dumont estão sendo acompanhados pela Vigilância em Saúde Sudoeste e Distrito de Saúde Sudoeste, que investigam se a situação se trata realmente de um surto.

A Administração ressalta que pelo menos cinco pessoas foram infectadas fora da unidade. Os demais locais de infecção estão sendo apurados. A Saúde informa ainda que as pessoas com sintomas serão testadas e afastadas de acordo com protocolo da Vigilância em Saúde.

A Pasta ressalta que, até o momento, os atendimentos de sintomáticos respiratórios e a vacinação estão mantidos. Os demais serviços estão acontecendo de acordo com classificação de risco.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular