Publicado 04 de Janeiro de 2022 - 8h53

Por Gilson Rei/ Correio Popular

O projeto, caso concretizado, será fundamental para transportar passageiros entre o Centro e Viracopos, favorecendo também a população do entorno

Ricardo Lima

O projeto, caso concretizado, será fundamental para transportar passageiros entre o Centro e Viracopos, favorecendo também a população do entorno

Os estudos para a implantação de um sistema de transporte ferroviário de 18 quilômetros entre o aeroporto de Viracopos e o Pátio Ferroviário do Centro de Campinas serão conhecidos até o próximo dia 15, quando a Secretaria Municipal de Transportes deverá receber os projetos de duas empresas e um consórcio de empresas que atenderam ao chamamento da Prefeitura para execução de estudos técnicos. Com eles, o Poder Público poderá avaliar custos, trajetos e modalidade do sistema, dentre outras questões, para o lançamento de um edital de licitação para execução da obra.

Sistemas de monotrilhos modernos e sustentáveis, que evitem desapropriações, estão dentre as possibilidades. A criação de Parceria Público Privada (PPP) deverá ser objeto da avaliação.

A expectativa é a de lançar a licitação em março e iniciar as obras neste ano ou em 2023. O projeto, caso seja concretizado, será fundamental para transportar passageiros entre o Centro e Viracopos, favorecendo também a população da região do Campo Belo e do Ouro Verde por meio de modal ferroviário.

Para essa implantação, as empresas deverão apresentar estudos técnicos preparatórios, a fim de subsidiar a modelagem de uma concessão para execução e operação do futuro ramal. Esses estudos apresentados por empresas interessadas vão indicar também se o modelo mais viável será o de PPP ou concessão.

O secretário de Transportes, Vinícius Riverete, informou ontem que a expectativa é positiva, pois trata-se de uma obra que vai gerar desenvolvimento para a cidade. "Um chamamento público foi feito em abril para que empresas especializadas apresentassem estudos técnicos sobre sistemas de interligação entre o Centro e o aeroporto de Viracopos. Com isso, será possível avaliar as melhores formas de se aplicar os recursos e o que realmente cabe à estrutura da cidade", afirmou. "Isso possibilitará realizar comparações sobre os possíveis sistemas para o projeto e, assim, realizar a modelagem da ligação entre o aeroporto e o Centro de Campinas de forma transparente e técnica."

O prazo de entrega dos estudos era de 90 dias, mas foi ampliado em função da pandemia, vencendo o prazo no próximo dia 15. O chamamento foi em abril, quando a Prefeitura lançou edital de Procedimento de Manifestação Privada de Interesse Público (MPIP) para implantação e operação do ramal, de 18 quilômetros, entre o Pátio Ferroviário de Campinas, no Centro, e o Aeroporto de Viracopos.

Dois meses depois, a Administração publicou, no Diário Oficial, a autorização para que duas empresas e um consórcio desenvolvessem os estudos. As empresas que se apresentaram foram a BYD do Brasil; o Instituto para o Desenvolvimento dos Sistemas de Transporte (Idestra); e o consórcio formado pela TS Infraestrutura e Engenharia S/A, Aerom Sistemas de Transportes S.A, FBS Construção Civil e Pavimentação S.A e a Jofege - Pavimentação e Construção Ltda.

Elas foram incumbidas de apresentar os estudos, projetos, levantamentos, investigações e estudos para modelagem técnica, operacional, econômico-financeira e jurídica. O secretário explicou que uma comissão avaliará o melhor projeto - que poderá ser utilizado no todo ou em parte - na elaboração de editais, contratos da licitação para a concessão da construção e operação do sistema.

Segundo Riverete, a definição da empresa que fará a execução e operação do sistema não está sendo considerada nessa fase. "O estudo de uma das empresas poderá ser selecionado pelo Município, porém, não existe a garantia de que a mesma empresa saia vencedora da licitação para a implantação e operação do ramal ferroviário. Se outra empresa vencer a concorrência para a obra, ela deverá pagar o custo do estudo", explicou.

Monotrilho

O monotrilho é visto como solução técnica por uma das empresas que já elaborou proposta inicial para implantar um sistema de transporte automatizado, batizado de SkyShuttle. É um sistema com capacidade menor, que pode transportar 12 mil passageiros por sentido/hora e apresenta vantagens por oferecer uma implantação mais rápida e versátil.

O modelo pode vencer inclinações de até 12% contra 4% de um trem de metrô. Também possui um raio mínimo de curva de apenas 15 metros, comparado aos 300 metros de uma via metroviária tradicional. Isso significa, na prática, que o sistema pode utilizar áreas íngremes e sinuosas, evitando desapropriações e adaptações.

A construção desse modelo, segundo a empresa, é simplificada e ágil. Com estrutura pré-fabricada, poderá ficar pronto em um ou dois anos, dependendo da extensão. O avanço de construção é calculado em 1 km por mês, segundo a empresa.

Outro diferencial do sistema é o uso de baterias recarregáveis em vez de um sistema de alimentação pleno. É recarregado durante as paradas nas estações por um sistema retrátil no teto de seus vagões. Isso reduz a infraestrutura e os custos do projeto, além de permitir que os passageiros possam andar pela via em caso de pane.

Ele utiliza pneus para circular, além de uma estrutura guia vertical de apoio e a estrutura das composições utiliza alumínio e materiais compostos para reduzir seu peso. A operação é totalmente automatizada, com velocidade máxima de 80 km/h e média entre 30 e 40 km/h.

TIC descarta ideia

Vale lembrar que a interligação férrea entre o Centro de Campinas e o aeroporto de Viracopos foi descartada do edital de licitação estadual [/TEXTO]do Trem Intercidades (TIC) para passageiros - que vai conectar Campinas a São Paulo em uma hora. A confirmação foi dada em agosto do ano passado pelo secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, e pelo prefeito de Campinas, Dário Saadi, na audiência pública do TIC realizada em plataforma virtual e no Salão Vermelho da Prefeitura de Campinas.

Escrito por:

Gilson Rei/ Correio Popular