Publicado 30 de Dezembro de 2021 - 9h16

Por Da Redação do Correio Popular

Fachada da agência do Banco Bradesco no Centro de Campinas: reclamações contra taxas e tarifas indevidas

Kamá Ribeiro

Fachada da agência do Banco Bradesco no Centro de Campinas: reclamações contra taxas e tarifas indevidas

O consumidor de serviços bancários do Banco Bradesco não tem muitas razões para comemorar neste final de ano. Dados do Procon mostram que o número de reclamações referente ao banco, um dos maiores do país, aumentou em 7% na comparação com os últimos anos. Em Campinas, a instituição passou a ocupar a quarta posição no ranking de reclamações fundamentadas de novembro de 2021, último dado divulgado pela Fundação Procon, ligada à Secretaria Municipal de Justiça.

No ano passado, também referente ao mês de novembro, a instituição estava fora do grupo de cinco empresas ou prestadores de serviços que mais gerou insatisfação aos consumidores campineiros. Conforme o levantamento, a instituição financeira ocupava a sexta colocação.

De acordo com os dados do Procon Campinas, apenas no mês passado, o Bradesco foi alvo de 71 reclamações por parte de correntistas. Ou seja, 2,36 reclamações por dia. O dado representa 3,88% de todas as queixas que chegaram ao órgão de proteção ao consumidor, seja por meio do site, de comparecimento até a agência ou por telefone. Em 2020, também em novembro, o banco recebeu o mesmo número de reclamações (71), o que representa 3,44% do total de ocorrências registradas no período.

Os dados fazem parte do cadastro de reclamações do Procon campineiro e são divulgados mensalmente pelo órgão. O ranking é elaborado neste modelo desde 2015 em atendimento à Lei Municipal 14.984, de 24 de março de 2015. São consideradas apenas as queixas abertas por meio de um processo administrativo após não ter ocorrido acordo inicial com a empresa.

Segundo o coordenador do Procon Campinas, Guilherme Salles Rodrigues, o ranking serve de parâmetro para a sociedade e para os consumidores no seu processo de identificação e escolha da prestação e serviço antes da assinatura de um contrato. "Por meio do ranking é demonstrado quais são as empresas que mais atendem e as que menos atendem os consumidores. As que mais geram satisfação são aquelas em que os clientes ou consumidores não estão sendo atendidos a contento", disse.

Na lista do Procon, a empresa Claro/Net Campinas/Embratel aparece liderando o ranking com 110 reclamações no mês de Novembro. Em seguida aparecem a Vivo/Telefônica, com 105 queixas, e o aplicativo de compras pela internet Facily Soluções, com 83 insatisfações de clientes. O Bradesco é a única instituição financeira entre as cinco empresas com mais reclamações no Procon no mês de novembro.

As queixas ao Bradesco aparecem em sua maioria por conta de serviços e cobranças de taxas que não atendem aos clientes. O coordenador do Procon explica que quando o cliente registra a queixa, é aberta uma carta de informações preliminares, em que a empresa é contactada para esclarecimento. "Não havendo o esclarecimento necessário por parte da empresa, a queixa do consumidor vira um processo administrativo", disse Rodrigues.

Polêmica

No último final de semana, o Banco Bradesco se envolveu em uma polêmica nas redes sociais, principalmente com clientes do agronegócio, por conta de um vídeo, que já foi retirado do ar, que oferecia dicas de como reduzir a pegada de carbono com mudanças nos hábitos alimentares.

Uma das medidas propostas era reduzir o consumo de carne. Em um vídeo veiculado nas redes sociais como postagem patrocinada em nome do banco, três influenciadoras digitais incentivavam a prática de comer um prato sem carne pelo menos um dia da semana, às segundas-feiras, no movimento que ficou conhecido como 'Segunda Sem Carne'.

Após a péssima repercussão da propaganda que enfureceu setores do agronegócio, em nota, o Bradesco reafirmou seu apoio ao segmento e sua 'crença indelével' no setor como vetor de crescimento do país. O Bradesco disse que a posição manifestada por "influenciadores digitais" em relação ao consumo de carne bovina é "descabida", mas reconheceu que, "lamentavelmente", acabou associada à empresa. Agora, o vídeo de divulgação do banco fala apenas da possibilidade de calcular a sua emissão de carbono.

Inconformados com a postura do banco, algumas lideranças rurais consideraram as desculpas apresentadas como insuficientes para reparar o dano causado ao agronegócio, especialmente à pecuária de corte. Assim, eles lançaram uma campanha nas redes sociais conclamando os produtores rurais a fecharem suas contas correntes que porventura mantenham no Bradesco e ainda cobraram do banco atitudes mais concretas a fim de reparar os efeitos negativos da propaganda.

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Da Redação do Correio Popular