Publicado 21 de Dezembro de 2021 - 8h37

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Feira do Centro de Convivência Cultural, uma das mais tradicionais e diversificadas de Campinas

Ricardo Lima

Feira do Centro de Convivência Cultural, uma das mais tradicionais e diversificadas de Campinas

Em meio à pandemia, feiras de artesanato, gastronomia e economia solidária surgem como opção de comércio, renda e emprego em vários pontos da Região Metropolitana de Campinas (RMC) e podem criar uma identidade de turismo para as cidades. As barracas ocupam praças e outros locais públicos, configurando-se como expressões da economia criativa de uma população que oferece para sobreviver os objetos relacionados ao seu conhecimento, sabedoria e expertise. Com isso, as feiras criam uma identidade para o município porque os artesãos "mostram a sua cara" e arregaçam as mangas com o que têm de melhor.

Em Campinas e região, essas feiras espalham diversidade e garantem preços acessíveis Por isso, caíram no gosto do consumidor. As especializadas em artesanato, por exemplo, ganharam mais espaços e estão crescendo neste período como opção para as compras de presentes para o Natal. As barracas com produtos artísticos e gastronômicos variados surgiram também como oportunidade para a geração de emprego e renda.

A professora e economista Eliane Navarro Rosandiski, responsável pelo estudo de Mercado de Trabalho na RMC do Observatório da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), considera que é importante expandir espaços para feiras com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, que deve fomentar a conexão de saberes e conhecimentos inerentes à população local. "Este momento de surgimento de novas feiras deve servir como um incentivo à economia criativa, que abrange desde as artes em geral, gastronomia, conhecimentos e habilidades, dentre outras aptidões", disse.

Segundo Eliane, é importante a feira se consolidar como "atividade virtuosa", deixando assim de ser vista como um "bico". "Existe a possibilidade de cuidar de uma tradição em artesanato, música, cultura gastronômica e teatro dentre tantas outras opções e vocações. É importante para trazer à tona a identidade da cidade e fazer desta identidade uma oportunidade de turismo e atração de emprego e renda", afirmou.

A professora citou exemplos nesse sentido. "Os produtores de flores de Holambra fizeram isso. Em Vinhedo e Valinhos, os produtores também decidiram criar feiras para expor o que tinham de melhor. São cidades que estabeleceram suas feiras de frutas e flores com base em suas vocações", comentou. Eliane destacou a importância do poder Público neste processo. "Quanto mais incentivo, mais se consolidam tais atividades. As vocações podem ser desde a arte gastronômica, trabalhos em cerâmica e pinturas de telas, até atividades relacionadas à música, fabricação de roupas, design de objetos e de artigos diversos. Isso tudo garante maior valorização à cultura local", reforçou.

Três feiras de economia solidária foram organizadas pela Prefeitura de Campinas na região central e estarão funcionando até a véspera de Natal. Uma delas foi instalada no arruamento do Paço Municipal e a outra na Praça José Bonifácio, em frente à Catedral Metropolitana. Há outra feira ocorrendo na Praça Bento Quirino, em frente ao Jockey Club Campineiro. Os expositores oferecem artesanatos, acessórios, decoração e alimentação, no período das 8h às 17h.

Um dos expositores é Sylvia Helena Veras Teixeira, que vende cookies e doces em sua barraca batizada como "Coisa de Formiga". Os produtos feitos por ela são muito apreciados pelos consumidores e comprovam sua habilidade na cozinha desde adolescente. "Sou psicóloga, mas comecei a fazer cookies e doces na pandemia para sobreviver em Fortaleza, no Ceará", comentou.

A vinda para Campinas com o marido ocorreu há quatro meses, para que o casal pudesse ficar próximo do filho e do neto. "Comecei a oferecer meus doces nas feiras do Largo das Andorinhas duas vezes por semana e agora estou neste programa da Feira Solidária. Está sendo uma benção e pretendo começar a vender também na Feira Hippie do Centro de Convivência", disse. Esta última, aliás, está sendo realizada todos os dias, das 16h às 22h. Participam, ao todo, 110 expositores. Outras opções de feiras são as de Barão Geraldo, na Praça do Coco, e do Castelo, na Praça Silvia Rego.

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Gilson Rei/ Correio Popular