Publicado 21 de Dezembro de 2021 - 8h33

Por Ronnie Romanini/ Correio Popular

Com a disparada do preço do gás, famílias campineiras passaram a usar gravetos e pedaços de madeira para improvisar fogões de lenha: socorro financeiro deve amenizar o sofrimento

Ricardo Lima

Com a disparada do preço do gás, famílias campineiras passaram a usar gravetos e pedaços de madeira para improvisar fogões de lenha: socorro financeiro deve amenizar o sofrimento

Os prefeitos da Região Metropolitana de Campinas (RMC) vão receber hoje a confirmação de um aporte de R$ 18 milhões a serem investidos em ações sociais para ajudar famílias em situação de vulnerabilidade, afetadas financeiramente pela pandemia. Com a conclusão de todos os trâmites burocráticos, a verba, que já havia sido liberada em maio pelo governador de São Paulo, João Dória, virá do Fundo de Desenvolvimento Metropolitano (Fundocamp), ligado à Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp).

Os municípios poderão utilizar os recursos para comprar e distribuir itens de higiene, vale-gás e cestas básicas. Eles terão autonomia na definição de quais produtos serão selecionados de acordo com a necessidade local, podendo optar por gastar o dinheiro em um item, dois ou em todos os três. Após a comunicação, as prefeituras farão um processo interno para definir a logística e o calendário para a distribuição dos itens. A estimativa é que a população receba os benefícios em até 60 dias.

Depois da liberação de Dória, os prefeitos que fazem parte do Conselho de Desenvolvimento da RMC aprovaram, em julho, como será feita a partilha do recurso entre as 20 cidades que fazem parte da RMC. Os municípios com mais de 200 mil habitantes (Campinas, Americana, Hortolândia, Indaiatuba e Sumaré) vão receber aproximadamente R$ 1,3 milhão. Cidades como Itatiba, Paulínia, Santa Bárbara D'Oeste e Valinhos, que tem de 100 a 200 mil habitantes, ficarão com R$ 1,05 milhão. Serão beneficiadas com R$ 800 mil as cidades de Artur Nogueira, Cosmópolis, Jaguariúna, Monte Mor, Nova Odessa e Vinhedo, que têm uma população entre 50 a 100 mil habitantes. Por fim, as menores cidades da região, com até 50 mil habitantes, vão ficar com R$ 500 mil. São elas Engenheiro Coelho, Holambra, Morungaba, Pedreira e Santo Antônio de Posse.

A princípio, quando houve a aprovação inicial pelo Conselho de Desenvolvimento da RMC, em abril, a verba seria destinada para combater os efeitos da covid-19 na região. Entretanto, com a redução dos casos de ocupação de leitos hospitalares, houve uma mudança nos critérios de aplicação da verba de R$ 18 milhões para ações de assistência social, atendendo à deliberação dos prefeitos que constataram uma maior demanda nessa área. Os municípios terão autonomia para selecionar como será feita a distribuição e a compra dos produtos, podendo ocorrer processos de licitação.

Moradora do Jardim São José e atualmente desempregada, Pâmela Ferreira de Souza, de 23 anos, é uma das pessoas que pode ser ajudada com a liberação dos recursos, principalmente com o vale-gás. Para Pâmela, o preço atual do gás de cozinha faz com que nem sempre ela consiga comprar o produto. Muitas vezes a solução é cozinhar no fogão a lenha. "Às vezes eu pego reciclagem ou conto com a ajuda de algumas pessoas. Eu tento me virar e trabalhar até conseguir comprar o gás, mas nem sempre é possível". Mesmo quando há possibilidade de adquirir o gás, o elevado preço de itens básicos de alimentação assusta Pâmela. Ela avaliou que a oferta de cestas básicas por parte do poder público ajuda muitas pessoas e famílias que estão na mesma situação que ela.

O diretor-executivo da Agemcamp, Odair Dias, confirmou que os recursos, enfim, chegarão aos municípios. Ele valorizou o empenho de diversos atores para que entraves fossem resolvidos e a verba disponibilizada. "É uma iniciativa importante, de muito empenho e de união entre o Conselho de Desenvolvimento da RMC, a Secretária de Desenvolvimento do Governo do Estado e Agemcamp para poder proporcionar o benefício às pessoas que se encontram em um momento de vulnerabilidade por consequência da pandemia. O montante vai para os mais necessitados e é de extrema relevância. Muitos prefeitos já estavam ansiosos para levar essa contribuição para dentro das suas cidades".

Embora haja necessidade de celeridade para que as pessoas possam usufruir dos benefícios, a estimativa de mais dois meses até a distribuição tem um motivo: cumprir todos os processos internos que garantam a lisura dos investimentos. "Tenho certeza que todos os prefeitos querem definir tudo o mais rápido possível, até por ser uma demanda recorrente deles, mas todos também vão querer trabalhar de forma transparente para não haver qualquer brecha ou dúvidas", concluiu Dias.

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Ronnie Romanini/ Correio Popular