Publicado 30 de Novembro de 2021 - 9h20

Por Ronnie Romanini/ Correio Popular

Marca na parede indica o nível alcançado pela água na última enchente ocorrida no Beco do Mokarzel, no distrito de Sousas: moradores vivem em estado de alerta permanente

Diogo Zacarias

Marca na parede indica o nível alcançado pela água na última enchente ocorrida no Beco do Mokarzel, no distrito de Sousas: moradores vivem em estado de alerta permanente

A Prefeitura de Campinas mapeou e fará o monitoramento de 18 áreas povoadas que apresentam risco de enchentes, deslizamentos e inundações, principalmente durante o Verão. Esses locais serão acompanhados pela Administração a partir do dia 1º de dezembro na Operação Verão. Até o dia 31 de março, secretarias e órgãos municipais agirão de acordo com o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil (PCPDC).

O diretor da Defesa Civil, Sidnei Furtado, explicou que o Plano de Contingência é dividido em quatro estágios: observação, atenção, alerta e alerta máximo. O primeiro nível acontece quando a precipitação pluviométrica não ultrapassa os 80 mm em três dias. Quando esse limite é superado, passa a vigorar o estado de atenção. A partir do momento em que ocorrências mais graves aparecem, como enchentes e deslizamentos, prevalece o estado de alerta, quando é feita uma vistoria no local e a, caso necessário, remoção preventiva de parte da população moradora das áreas de risco. Alerta máximo se dá quando há a remoção de todos os habitantes do lugar afetado.

Uma área é considerada de risco quando há construções não recomendadas pela suscetibilidade do terreno a eventos naturais, tais como deslizamentos, enchentes e inundações. Os principais pontos que geram preocupação são os que ficam sob encostas de morros ou à beira de rios. Em relação às encostas, muitas casas são construídas em cima de aterro de entulhos, sem a devida compactação, o que deixa a residência vulnerável a desabamentos a qualquer movimentação do solo, principalmente quando ele está encharcado.

Em Campinas, uma das áreas de risco é o Beco do Mokarzel, no distrito de Sousas, cujos moradores permanecem em estado de alerta permanente em relação a enchentes e solapamento das margens do Rio Atibaia. A última vez que uma grande cheia trouxe sérios transtornos ao local foi há quase seis anos, mas a cautela permanece entre os moradores quando chove.

A autônoma Antonia de Lima Coelho, de 58 anos, disse estar acostumada com os prejuízos causados pela chuva. Ela contou que, na última ocorrência de enchente, precisou ser resgatada pelos filhos. A residência de Antonia foi invadida por um grande volume de água, que atingiu um nível de quase dois metros de altura. Enoque Timóteo, servidor público aposentado de 45 anos, e também morador do local, descreveu a sensação de preocupação com novas enchentes.

"Quando começa a chegar novembro, dezembro e janeiro, a situação fica complicada. Há um alarme da Prefeitura que toca quando o rio começa a encher, mas geralmente ele soa quando a água já está invadindo a rua. Ficamos em estado de atenção total, mesmo sem inundação há alguns anos. A enchente é traiçoeira. A água sobe rapidamente e toma conta de tudo", relatou Timóteo.

Embora os casos de enchentes e deslizamentos tenham diminuído bastante nos últimos anos, sem grandes registros nas principais áreas de atenção, ainda há áreas do município que preocupam. Na Avenida Orosimbo Maia, as inundações bruscas ou enxurradas são frequentes. O escoamento é rápido, e não deixa a via alagada por muito tempo, mas a dificuldade para a Defesa Civil é antecipar-se a esses casos para adotar medidas preventivas.

Furtado também mencionou outra avenida importante da região, a Princesa D'Oeste, ao falar sobre outra ocorrência frequente em Campinas, que é o alagamento. No caso daquela via, o evento principalmente pela falta de escoamento e problemas no sistema de drenagem. O diretor da Defesa Civil ainda alertou que, atualmente, são duas as grandes preocupações em relação às chuvas em Campinas. A primeira é acerca dos temporais localizados, com ventos fortes e com alto poder de destruição.

Outro cuidado é com os dias consecutivos de chuva, já que, mesmo em menor intensidade, o volume de água pode acarretar em ocorrências nas regiões. Atualmente, há um site (http://resiliente.campinas.sp.gov.br) que publica alertas sobre as condições meteorológicas. Há equipes da Defesa Civil monitorando 24 horas as informações que chegam do município, Estado ou até de órgãos federais, para repassar aos cidadãos campineiros.

A Defesa Civil também disõe do número 40199 para alertas via mensagens de texto. São cerca de 100 mil pessoas inscritas até o momento no serviço, número considerado insuficiente pela Defesa Civil, que pretende popularizá-lo ainda mais. Para receber os alertas por SMS é necessário apenas mandar uma mensagem de texto para o número 40199 com o CEP da região. Quando houver um alerta próximo ao local cadastrado, o usuário será notificado pelo celular.

Verão 2022

Segundo o Boletim Agroclimatológico divulgado pelo Instit<SC210,186>uto Nacional de Meteorologia (Inmet), os meses de dezembro e janeiro devem ter volumes de chuva próximos ou pouco acima da média histórica na região Sudeste. Em Campinas, dezembro costuma ter 203,9 mm de precipitação pluviométrica, enquanto janeiro tem a média de 273 mm. São os dois meses mais chuvosos historicamente no município.

Mesmo com a previsão de chuvas ligeiramente acima da média, ainda há a possibilidade de veranico em algumas regiões do Estado de São Paulo, um fenômeno meteorológico que consiste em um período de estiagem com forte calor e baixa umidade relativa do ar em plena estação chuvosa. Isso indica que, embora haja uma expectativa de que a quantidade de chuva nos próximos meses supere a média, ela deve ficar concentrada em menos dias, por causa da possibilidade da estiagem durante o veranico.

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Ronnie Romanini/ Correio Popular