Publicado 30 de Novembro de 2021 - 9h13

Por Mariana Camba/ Correio Popular

O jornalista Eduardo Gregori, que reside em Portugal:

Reprodução/ Instagram

O jornalista Eduardo Gregori, que reside em Portugal: "As pessoas estão saindo às ruas sem preocupação"

A descoberta da nova variante da covid-19, a Ômicron, na semana passada, causou alarde entre governantes de diversos países, mas não alterou na prática a rotina de parte da população europeia. De acordo com brasileiros que vivem na Irlanda, Inglaterra e Portugal, apesar de a atenção estar voltada à nova cepa neste momento, a Ômicron não tem provocado desespero entre os moradores que, por enquanto, vivem em meio às medidas de restrição sanitárias adotadas até então. O desespero tem sido relatado por brasileiros que vivem em países da África e que estão enfrentando inúmeras dificuldades para conseguir sair do continente, diante da recusa de países em receber voos daquela região.

Segundo o profissional da área de Tecnologia da Informação (TI), Pedro Teixeira Vasconcelos, morador há três anos de Dublin, capital da Irlanda, apesar do receio da população em relação à nova cepa, nada mudou no dia a dia das pessoas. O aumento de casos no país tem sido registrado há semanas, mas as medidas de restrição ainda não foram intensificadas. "O governo recomendou que as pessoas trabalhem em casa, mas foi apenas uma orientação. Há o receio de que os hospitais voltem a lotar, mas, por enquanto, o cenário atual não aponta para uma situação caótica, como a vivenciada no início da pandemia", contou.

Há algumas semanas, a Irlanda reduziu o horário de funcionamento de alguns estabelecimentos, como casas noturnas e restaurantes, que deixaram de operar até a madrugada e passaram a encerrar as atividades a meia-noite. A medida foi adotada devido à nova onda da covid-19 que assola a Europa e não em detrimento da nova variante. "Por enquanto, aqui, não foram confirmados casos da Ômicron, mas em países vizinhos, como a Inglaterra, a presença da nova cepa foi detectada", ressaltou Vasconcelos. A mudança mais rígida adotada pelo governo, acrescentou, foi proibir os voos oriundos de alguns países da África, principalmente da região Sul do continente.

Para os que querem ir ao Brasil ou brasileiros com viagem marcada à Irlanda, Vasconcelos garantiu que não há transtornos. O uso de máscara no país permanece obrigatório em locais fechados e no transporte público. "O problema é a parcela da população que não se vacinou. Na França, por exemplo, muitos se negaram a receber a dose contra a covid-19. A gente acaba se prejudicando por causa dos negacionistas e estamos pagando pela loucura dos outros", declarou o profissional de TI. A população, ressaltou, tem preferido esperar para saber quais serão as conclusões de pesquisadores em relação aos riscos da Ômicron. "Mesmo com a nova variante, acho impossível voltarmos a uma situação caótica de lockdown", garantiu.

Portugal

O jornalista Eduardo Gregori, que reside em Almada, município da Área Metropolitana de Lisboa, disse que em Portugal um caso da Ômicron já foi confirmado. O endurecimento das medidas de restrição por lá foi adotado antes do registro da nova cepa, na semana passada, momento em que a obrigatoriedade do uso da máscara voltou a ser exigida em estabelecimentos e locais abertos. "Na tentativa de controlar o avanço de casos e óbitos da pandemia, o governo local tem trabalhado para coibir o negacionismo em relação à vacina contra a covid-19. Um certificado de vacinação tem sido cobrado em diversos locais, como restaurantes. Por isso, quem não toma o imunizante aqui tem uma rotina mais restrita", comentou.

O país português também não está recebendo voos oriundos de alguns destinos do continente africano. Ainda assim, acrescentou Gregori, as pessoas estão saindo às ruas sem se preocupar com a doença, enquanto os índices pandêmicos têm oscilado diariamente com tendências de aumento. "Portugal é um dos países mais vacinados do mundo, com taxas de imunização completa que beiram os 90%", comentou. Segundo o jornalista, quem pretende entrar no país precisa fazer um exame que ateste ou não a presença do novo coronavírus para que o acesso seja liberado. "O que sabemos é que o lockdown não deve ser retomado por ora", concluiu.

Inglaterra

A estudante Luiza Lanna vive em Londres, capital da Inglaterra, há três meses, e garantiu que o anúncio da descoberta da Ômicron não causou alarde. A sensação no país, segundo ela, é de normalidade. "É difícil que as pessoas usem máscara aqui, até mesmo no metrô. Mesmo com a tranquilidade da população, o governo está preocupado. A fronteira foi fechada para alguns países da África", relatou. A quarentena obrigatória para quem entra no país, contou, não estava mais sendo exigida, mas agora qualquer pessoa que venha de outra nação, seja ela africana ou não, precisa fazer um exame que ateste a presença do novo coronavírus. E até o resultado ser emitido, é necessário permanecer em quarentena.

"A partir de hoje, o uso de máscara volta a ser obrigatório nos meios de transporte e em locais fechados. Mas acho difícil o governo inglês conseguir fiscalizar a todos", revelou Luiza. Na Inglaterra, também já foram confirmados casos da nova cepa da covid-19. As pessoas que estão mais apreensivas, de acordo com a estudante, são as que residem em Londres e que, devido às festas de final de ano, retornam aos seus países de origem para visitar as famílias. "Essas estão com medo de sair e algo mudar até que voltem ao país", afirmou. O governo local, acrescentou Luiza, tem monitorado a evolução dos casos para decidir quais serão os próximos passos. A implementação do passaporte da vacina tem sido cogitada, informou.

África 

Brasileiros que estão na África do Sul não conseguem encontrar voos, mesmo autorizados a voltar ao país. Ainda que as viagens aéreas pela Etiópia sejam, até o momento, a opção de retorno dos brasileiros, a Embaixada do Brasil em Adis Abeba emitiu um comunicado neste mês recomendando que os brasileiros evitem viagens não essenciais com destino à Etiópia. "Gostaria de voltar o quanto antes, porque não pude ver minha família no ano passado. Entendi que era muito arriscado viajar sem a vacina", relatou, que está na África do Sul desde janeiro do ano passado.

Buono vê as restrições impostas aos países africanos como "uma medida drástica, que nunca foi aplicada tão rapidamente a nenhum outro continente e que não segue as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS)". "Fica difícil entender porque nem todos os países com casos confirmados foram banidos, somente os do continente africano", concluiu. (Com Estadão Conteúdo)

Escrito por:

Mariana Camba/ Correio Popular