Publicado 25 de Novembro de 2021 - 9h14

Por Thifany Barbosa/ Correio Popular

Entrada do hospital da PUC-Campinas, onde a bebê de apenas um ano e 9 meses está internada, aguardando uma vaga em uma unidade especializada

Cedoc

Entrada do hospital da PUC-Campinas, onde a bebê de apenas um ano e 9 meses está internada, aguardando uma vaga em uma unidade especializada

A Polícia Civil indiciou na tarde de ontem os pais da criança de 1 ano e 9 meses, que apresentava queimaduras de terceiro grau nas costas e no glúteo. Segundo o delegado Sandro Jonasson, titular do 11º Distrito Policial, os ferimentos foram causados pelo próprio pai, que estava embriagado e deixou cair água fervendo na bebê.

O casal ainda tentou incriminar a babá visando a evitar consequências para o autor do crime. As investigações e apurações do fato ocorreram durante toda a tarde de ontem e a conclusão se consolidou depois dos depoimentos dos pais e da babá separadamente, depois, foi realizada uma acareação entre a mãe e a cuidadora da criança.

Os pais teriam confessado o acidente doméstico e a tentativa de incriminar a babá. “Nos depoimentos do pai e da mãe da pequena vítima, percebemos várias contradições em relação à versão apresentada, aos horários, que não batiam e às ações”, explicou Sandro.

Segundo alegações do pai, ele estava totalmente embriagado quando foi cozinhar salsichas durante a madrugada. Ferveu a água e acabou deixando cair nas costas da bebê. Com medo das consequências, a mãe, junto com o pai, bolou um teatrinho para incriminar a babá.

O caso ganhou evidência anteontem, quando um inquérito policial foi aberto. A criança apresentou as queimaduras no dia 18 deste mês e foi levada para o Hospital PUC-Campinas no dia seguinte. Ela segue internada e aguarda vaga em unidade especializada para queimados, a Unidade de Tratamento de Queimaduras (UTQ) da Santa Casa de Limeira.

O delegado também afirmou que tratativas sobre a manutenção ou não da guarda da criança devem ser feitas pelo Ministério Público (MP), após a conclusão do inquérito policial. Os investigadores aguardam laudos técnicos para fechar a investigação.

O pai responderá por lesão corporal grave e maus-tratos, enquanto a mãe será indiciada por denunciação caluniosa e maus-tratos. “Agora, com o aporte dos laudos técnicos, concluiremos as investigações e vamos relatar o inquérito com os devidos pedidos, podendo ser necessária a prisão preventiva do autor”, concluiu o delegado.

Versão dos pais

Na primeira versão, o pai do bebê contou que a babá, que mora em uma rua próxima à família, no Jardim Satélite Íris 1, cuidava dos três filhos enquanto eles trabalhavam. Além da mais nova, dois meninos, de 9 e 5 anos, também ficam sob os cuidados da mulher.

Segundo ele, no dia 18, a babá comentou que a menina de 1 ano e 9 meses estava com assaduras, mas que já havia passado uma pomada no local. No dia seguinte, porém, a mãe viu o ferimento nas costas.

Depois disso, os dois levaram a filha à uma Uunidade Básica de Saúde (UBS), onde foi feito um curativo e recomendado que fosse procurada outra unidade. A queimadura de 3º grau foi constatada no Hospital da PUC.

Porém, a babá negou o crime, afirmando que recebeu a criança com a queimadura. Segundo o delegado, a mulher chegou a chorar quando viu a foto do ferimento e reafirmou que a bebê estava apenas com leve assadura quando a devolveu.

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Thifany Barbosa/ Correio Popular