Publicado 25 de Novembro de 2021 - 9h04

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Foliões na City Banda em 2020: turistas de outros estados e estrangeiros podem trazer novas variantes

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Foliões na City Banda em 2020: turistas de outros estados e estrangeiros podem trazer novas variantes

Os foliões campineiros, todo segmento envolvido na realização do Carnaval e sociedade em geral, a favor ou contra, ainda terão que aguardar pelo menos mais uma semana para terem uma confirmação sobre a realização ou não do Carnaval de 2022 em Campinas. A Prefeitura, por meio de uma nota oficial, informou ontem que prepara para a próxima semana o anúncio de novas medidas de enfrentamento à pandemia na cidade e que, entre elas, constarão informações relativas ao reinado de Momo no município.

A demora para uma definição coloca a cidade na contramão de diversos outros municípios que se posicionaram de forma efetiva sobre a intenção de realizar a festa ou cancelar o evento pelo segundo ano consecutivo, e acirra o debate sobre a segurança sanitária no evento. A cidade de São Paulo foi uma das primeiras a confirmar a realização do Carnaval 2022.

Na região, de forma conjunta e unânime, os prefeitos, secretários e gestores de Cultura dos municípios de Valinhos e Vinhedo já informaram a opção de cancelar a festa em 2022. Segundo nota divulgada pela Prefeitura de Valinhos, apesar do avanço da vacinação da população contra a covid-19 e a redução dos níveis de internação e mortes em decorrência da doença, a proposta leva em consideração aspectos, como a atenção aos índices hospitalares, suscetíveis a impactos após as festas de final de ano, além do cumprimento dos prazos legais para a contratação e entrega de serviços estruturais necessários.

Em Hortolândia, a administração municipal informou, ontem, a opção também pela não realização do Carnaval. Por meio de uma nota oficial, ressaltou ainda que não permitirá a realização de eventos que promovam aglomerações.

Esclareceu, no entanto, que a medida visa proteger os cidadãos e a rede de atendimento em Saúde contra possíveis efeitos de uma nova onda da pandemia de covid-19. Em Paulínia, informações da prefeitura apontam que haverá uma discussão mais para o final do ano para uma definição.

Além dessas cidades do entorno, no interior de São Paulo, dezenas de municípios informaram o cancelamento da festa. Na região de Jundiaí, por exemplo, um consenso entre prefeituras e gestores de cultura definiu pela não realização da festa nas cidades de Cabreúva, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Várzea Paulista e Itatiba.

Apesar de não ter uma definição, Campinas, através da Secretaria de Cultura e Turismo, publicou um edital convocando os blocos carnavalescos interessados em participar do Carnaval de 2022. O cadastro deve ser feito até 10 de dezembro. O edital esclarece que a realização da festa popular está condicionada à situação epidemiológica da covid-19. Conforme a Pasta, a avaliação será feita pela Vigilância em Saúde.

Dez blocos realizaram o cadastro. Outros já afirmaram que mesmo o Carnaval sendo liberado não colocarão o bloco na rua devido aos riscos da pandemia. O tempo para organização da festa, caso ela seja autorizada em Campinas, também está correndo. Conforme diretores de blocos tradicionais na cidade, neste período do ano, em situações normais, muitos encaminhamentos já estariam sendo feitos, visto que toda a captação de recursos e infraestrutura é das agremiações.

Diante do impasse, a médica infectologista Raquel Stucchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) faz um alerta. As cidades que optarem pela realização do Carnaval provavelmente deverão receber o público de foliões das que não irão realizar a festa. "As cidades que forem realizar a festa devem receber um número grande de pessoas e turistas, e quando analisamos a cobertura vacinal no país, constatamos que ela é muito heterogênea. Temos estados que mal chegam em 40% da população completamente vacinada".

Segundo ela, apesar do avanço da vacinação, com redução expressiva de internações e óbitos, é preciso que as autoridades levem em consideração o percentual de pessoas efetivamente protegidas. Ela se refere àquelas com vacinação completa e a dose de reforço já feita. Além disso, a especialista ressalta a necessidade de se conhecer, de fato, qual é a taxa de transmissão do vírus. "Esse dado, muito importante, geralmente, as cidades desconhecem, porque testam muito pouco", disse.

A médica leva em conta ainda o fluxo estrangeiro que pode chegar via os aeroportos. "Essas pessoas vindas do exterior podem sim trazer novas variantes. Uma vez que a situação da Europa está caminhando para uma situação fora de controle", disse.

De acordo com Stucchi, as cidades que já optaram por realizar a festa deviam ainda exigir pelo menos nas grandes aglomerações o uso de máscaras, e deveriam exigir passaporte vacinal. "É uma forma para ter uma segurança de que as pessoas estejam vacinadas. Seria importante também exigir um teste de antígeno negativo", completa.

Mesmo assim, a Secretaria de Cultura e Turismo informou, na nota enviada, que tem se reunido com representantes de blocos carnavalescos para entender a necessidade de cada projeto e, somente se as condições sanitárias permitirem, os blocos poderão realizar suas atividades.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular