Publicado 24 de Novembro de 2021 - 9h27

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

O vereador Carlinhos Camelô e seu homólogo, Rodrigo da FarmaDic, fizeram uma indicação pedindo para que a Prefeitura cancele o carnaval

Ricardo Lima

O vereador Carlinhos Camelô e seu homólogo, Rodrigo da FarmaDic, fizeram uma indicação pedindo para que a Prefeitura cancele o carnaval

Faltando pouco mais de 100 dias para o carnaval, que em 2022 acontece dias 28 de fevereiro e 1º de março, a Prefeitura de Campinas ainda não definiu se a cidade fará festa de rua ou se o evento será cancelado pelo segundo ano consecutivo. Enquanto isso, a polêmica se arrasta e parece estar longe do fim. Se por um lado há aqueles que defendem a realização da festa, para compensar as perdas do cancelamento ocorrido este ano por conta da pandemia, outros argumentam que a folia pode provocar uma nova onda de transmissão do coronavírus. Na região, Valinhos e Vinhedo decidiram cancelar o reinado de momo.

Ao chamar os blocos interessados em participar do carnaval 2022 para se cadastrar, até o dia 10 de dezembro, no site da Secretaria de Cultura e Turismo, as autoridades campineiras pareceram acenar para a confirmação da festa. A pasta informou que, até agora, dez blocos se inscreveram manifestando a intenção de participar do desfile. No entanto, uma decisão final sobre a realização do evento, segundo a Prefeitura, vai depender da evolução do quadro epidemiológico. "Independentemente das decisões do poder público, no Brasil o carnaval de rua ocorre tradicionalmente", diz trecho da nota enviada por meio da assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura e Turismo.

Polêmica

A discussão sobre a necessidade ou não da festa ser realizada ganhou holofotes, inclusive, com posicionamentos distintos envolvendo Legislativo e Executivo, entre outros atores. O vereador Carlinhos Camelô (PSB) protocolou, na semana passada, junto com outro parlamentar, Rodrigo da FarmaDic (DEM), por meio de indicação, um pedido para que a Prefeitura não realize o carnaval.

Segundo o parlamentar, apesar do avanço da vacinação e a redução dos níveis de internação e de mortes, não é o momento da cidade realizar a festa. "Nossa proposta leva em consideração diversos aspectos, como a atenção aos índices hospitalares, suscetíveis a impactos após as festas de final de ano, bem como a instabilidade enfrentada no período de pandemia", diz o vereador.

Entre os organizadores da folia de rua, as posições também são divergentes. A diretoria do bloco carnavalesco Nem Sangue nem Areia informou que realizou o cadastramento na Secretaria de Cultura manifestando intenção de colocar o bloco na rua em 2022. Em nota oficial, a diretoria do bloco disse que "irá aguardar o posicionamento oficial da Prefeitura e das autoridades de Saúde antes de se manifestar com relação ao carnaval de 2022".

O presidente do bloco Berra Vaca, Inácio Brito Moreira de Azevedo, que comanda a folia no Distrito de Barão Geraldo foi categórico ao afirmar que o bloco pelo segundo ano consecutivo não vai sair às ruas. "Estamos tristes e inconformados! Mas o Berra não vai botar a vaca na rua. Não dá, né. No carnaval vem gente de outras cidades, estados e países. Seria a uma irresponsabilidade nossa. A vaca berrou para nós", disse.

O sambista, compositor e presidente da Liga das Escolas de Samba de Campinas, Edson Jóia, afirma que a cidade precisa ter cautela. Ele diz que a não realização do carnaval pelo segundo ano consecutivo, em um momento de crise, onde muitas pessoas tiram sua renda das atividades carnavalescas pode ser muito prejudicial.

"A cidade está sem desfile desde 2015. Embora Campinas não bateu o martelo, é complicado não termos o carnaval. Temos consciência que a pandemia não acabou, mas sabemos que a vacinação avançou muito. E já temos muitos eventos acontecendo, como o futebol. Enfim, o cancelamento do carnaval é complicado, é um trabalho que resulta em alegria para outras pessoas", disse.

O sambista disse acreditar que se a opção for o de cancelamento da festa, será mais por discriminação ao carnaval do que pela pandemia. "A discriminação com a festa do carnaval já vem de muitos anos na cidade. Então tudo acaba virando motivo. Volto a dizer, claro que sabemos e temos consciência que a pandemia está aí, porém diferente de 2021. E quanto ao respeito ao luto de quem perdeu familiares, infelizmente todos nós passamos por isso. Agora, o setor de eventos está voltando, não sei porque não realizar o carnaval", disse.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular