Publicado 24 de Novembro de 2021 - 8h58

Por Ronnie Romanini/ Correio Popular

Consumidores aguardam atendimento na empresa: valor médio atual da dívida do campineiro é de R$ 5.180,00, superior à média no Estado

Diogo Zacarias

Consumidores aguardam atendimento na empresa: valor médio atual da dívida do campineiro é de R$ 5.180,00, superior à média no Estado

Com o endividamento das famílias brasileiras crescendo diante da crise econômica, alguns campineiros já estão conseguindo renegociar as suas dívidas, desde o início do mês, por meio do 26º Feirão Serasa Limpa Nome, uma iniciativa da empresa que promete oferecer descontos que podem chegar a 99% e parcelamento de até 72 vezes.

A campanha, que termina no próximo dia 6 de dezembro, já atraiu cerca de 22,5 mil campineiros, o que representa quase 6% do total de inadimplentes no município. De acordo com a Serasa, Campinas contava com aproximadamente 400 mil cidadãos nessa situação ao final do mês passado.

Esses números colocam Campinas no terceiro lugar no ranking geral do Estado de São Paulo em relação à inadimplência e 15º lugar no Brasil. O valor médio atual da dívida do campineiro é de R$ 5.180,00, maior que a média estadual de R$ 4,7 mil. Considerando que a população geralmente acumula mais de uma pendência financeira, o valor médio de cada uma delas, separadamente, é de R$ 1.410,00.

Esse valor é bem próximo à divida inicial adquirida pelo aposentado Ivair, de 74 anos, que preferiu não revelar o sobrenome. Ele estava em uma unidade da Serasa ontem tentando limpar o seu nome. Ele precisava quitar R$ 1,8 mil há cinco anos, mas viu esse número mais do que dobrar ao não realizar o pagamento. Ivair relatou ser a primeira vez que se endividou a ponto de ter o nome comprometido, o que ocorreu devido a uma fatalidade na família, que o obrigou a destinar o orçamento familiar a outras despesas.

Antes do atendimento, o aposentado confessou que, diante de outras destinações, apenas uma proposta boa e que coubesse dentro do rendimento mensal seria sedutora. Embora tenha gostado do atendimento e das explicações, Ivair não fez acordo, principalmente por ter constatado que a dívida atual já está quatro vezes maior do que era no início.

"(O acordo oferecido) não encaixou no que posso dentro do meu atual orçamento. Esperava algo mais próximo ao divulgado, os 90% de desconto, por exemplo, mas ofereceram apenas 50%. Com esse desconto, eu ainda pagaria o dobro da dívida original", lamentou o aposentado.

Outros cidadãos consultados pela reportagem estavam na mesma situação que Ivair, ou seja, queriam ver o que seria oferecido pela empresa, diante da possibilidade de limpar o nome às vésperas de um período em que o consumo cresce. É o caso de Joaquim Ferreira dos Santos, comerciante aposentado de 66 anos. "Estou aposentado e com um rendimento menor, portanto, espero que seja feita uma boa proposta. Aí consigo pagar. Vou analisar a proposta e ver se tenho condições."

A dona de casa Rosângela Silva se mostrou otimista em relação a um acordo. "Perdi a renegociação anterior que a Serasa fez. Como estou com o nome sujo, qualquer renda a mais que recebo, logo penso em limpar o meu nome. O valor não é muito alto, acho que pode dar certo", afirmou esperançosa.

Para o coordenador do Núcleo de Estudos ++de Conjuntura Econômica (NEC) da Facamp, Saulo Abouchedid, as renegociações são essenciais e o momento é crucial considerando-se o endividamento das famílias, que compromete o consumo pela restrição ao crédito. "A inadimplência está aumentando, mas ainda não é algo extremamente preocupante. Isso pode ocorrer no longo prazo, justamente porque passamos por um momento de recuperação lenta da economia. A renegociação pode evitar uma escalada no total de inadimplentes e beneficia a população, que ganha fôlego no orçamento familiar."

A 26ª edição do Feirão Serasa Limpa Nome conta este ano com uma novidade, o "auxílio-dívida". De acordo com a Serasa, quem realizar um acordo até o dia 30 de novembro e pagar à vista qualquer valor a partir de R$ 200,00, recebe de volta R$ 50,00 na carteira digital da Serasa. Esse montante ficará disponível ao consumidor até 31/01/2022, e poderá ser utilizado para quitar outras dívidas ou ser transferido para ele usar da forma que achar mais conveniente no seu dia a dia. A renegociação pode ser realizada presencialmente, no escritório da Serasa, que fica na Avenida Barão de Itapura, 1.518, ou por meio dos canais digitais, incluindo o aplicativo Serasa, o site: http://feiraolimpanome.com.br; telefone 0800 591 122 ou o WhatsApp (11) 99575-2096.

Existe também a possibilidade de renegociação em agências dos Correios, mas, nesse caso, ao contrário dos outros que são gratuitos, há uma taxa de R$ 3,60. Em relação ao app, uma vez que ele estiver baixado no dispositivo do consumidor, um breve cadastro e o CPF serão requisitados. A partir disso, todas as informações financeiras estarão disponíveis, já com propostas para o pagamento com descontos aplicados.

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Ronnie Romanini/ Correio Popular