Publicado 17 de Novembro de 2021 - 9h07

Por Da Redação do Correio Popular

A designer Paula Amin e os filhos Cecília e Joaquim:

Kamá Ribeiro

A designer Paula Amin e os filhos Cecília e Joaquim: "Poder compartilhar essas obras com os meus filhos é mágico. É o nosso momento em família durante a semana e do qual não abrimos mão"

A Biblioteca Pública "Guilherme de Almeida", localizada no distrito de Sousas, que reúne um acervo de 19 mil livros, além de inúmeras fotografias e documentos históricos do vizinho distrito de Joaquim Egídio, comemorou 58 anos recentemente. Para o bibliotecário responsável, Marcelo Paulo Ferreira, o local é um ponto de acolhimento dos moradores daquela região. É através dos livros que eles compartilham conhecimento e cultura, e por meio dos grupos de leitura que perpetuam a história do lugar onde nasceram entre as novas gerações. A biblioteca tem feito pulsar aquele pedaço bucólico do município ao longo dos anos.

"Uma característica do espaço é seu ambiente aconchegante, que gera maior proximidade entre as pessoas. Todos que vivem aqui buscam preservar a memória de Sousas e Joaquim Egídio. A contação de histórias é fundamental para isso", observou Ferreira. Segundo ele, muitos procuram na biblioteca o acervo histórico dos distritos, que retrata memórias antigas e marcantes por meio de fotografias. São imagens que descrevem a vida cotidiana da população daquela região e seus costumes. "A biblioteca desperta o interesse das pessoas por reforçar o elo com o antigo", ressaltou.

Nas estantes dos livros e nas gavetas de fotos há os registros de inúmeras lembranças. As histórias da biblioteca e dos distritos se entrelaçam em meio ao tempo. Para Ferreira, poder trabalhar no espaço literário é um privilégio. Afinal, é através dessa atividade que ele se aproxima da comunidade. Desde o início da pandemia o horário de funcionamento do local foi reduzido, e passou a ser das 11h às 17h. Para tentar driblar o afastamento causado pelo isolamento social, Ferreira contou com o auxílio da tecnologia. Um grupo de Whats App foi criado para os frequentadores da biblioteca para troca de informações.

Quando uma obra chega, ela é publicada na rede social. Assim, quem tiver interesse se manifesta e garante o empréstimo do título. Segundo o bibliotecário, esse foi o jeito que a comunidade encontrou para se reaproximar de forma segura em meio ao período pandêmico. "De certa maneira, nunca fomos tão unidos como agora", garantiu. De acordo com Ferreira, muitos intelectuais, professores e estudantes frequentam o espaço. A maior parte dos leitores é moradora de Sousas e Joaquim Egídio. No ambiente repleto de histórias, as pessoas ficam encantadas com a preservação da literatura.

O espaço também dispõe de uma área infantil, que contempla o lúdico e ajuda a atrair a atenção dos pequenos. Essa foi a maneira encontrada pelo bibliotecário para conseguir associar a leitura ao ato de brincar. Para Ferreira, os grupos de leitura são a alma do local. Eles são formados por pessoas de diferentes idades, dos mais velhos aos mais jovens. Essa dinâmica possibilita a interação de uma comunidade heterogênea, em meio à troca de conhecimento entre as gerações. Também existem as rodas de conversa destinadas apenas à discussão de histórias e temas literários. Os que participam da atividade analisam a importância do livro para a sociedade.

Segundo o bibliotecário, o foco principal dos grupos é unir a comunidade por meio da leitura. Mesmo durante a pandemia, algumas turmas permanecem ativas através dos encontros on-line. "Percebemos que mesmo com o passar do tempo e com o advento da tecnologia, o livro continua protagonista. Que todos possam ter um amigo como esse", desejou Ferreira. O papel de cada obra, acrescentou, é disseminar informação e conhecimento, ser fiel e atemporal.

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