Publicado 17 de Novembro de 2021 - 8h54

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Criança brinca ao lado de vala de esgoto a céu aberto na favela do Jardim do Lago II; precariedade e falta de estrutura de saneamento básico ainda são os grandes vilões da mortalidade

Ricardo Lima

Criança brinca ao lado de vala de esgoto a céu aberto na favela do Jardim do Lago II; precariedade e falta de estrutura de saneamento básico ainda são os grandes vilões da mortalidade

Prestes a encerrar 2021, a taxa de mortalidade infantil na cidade está 24,5% mais alta este ano do que o índice apurado no ano passado. O dado acumulado acende o sinal de alerta, principalmente, para as regiões de maior vulnerabilidade social que concentra o maior número de gestantes de difícil adesão aos sistemas de saúde. Segundo informações confirmadas pela Secretaria Municipal de Saúde, até o mês de agosto o índice acumulado da mortalidade infantil em Campinas está em 9.96%. A taxa apurada em 2020 ficou em 8.0, segundo a Prefeitura. Em 2018, o índice fechou o ano em 9,1%. Em 2019, em 7,5%.

O índice registrado até agosto por pouco não encerrou o segundo quadrimestre do ano pela segunda vez na casa de dois dígitos, o que frustraria o Plano Municipal de Saúde 2018-2021, que desde que foi lançado, preconiza como meta a manutenção da taxa abaixo de dois dígitos no período. De janeiro a abril o acumulado apurava índice superior a 10%. Apesar da queda no segundo quadrimestre, a taxa de mortalidade infantil na cidade acumulada até agosto deste ano também supera o dado estadual do ano passado, que alcançou o menor patamar da história. Segundo a publicação anual realizada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e divulgada semana passada, a taxa paulista chegou a 9,75% de óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos.

A taxa de mortalidade infantil é um indicador social representado pelo número de crianças que morreram antes de completar um ano de vida a cada mil crianças nascidas vivas no período de um ano. É considerado um importante indicativo da qualidade dos serviços de saúde, saneamento básico e educação de uma cidade, país ou região, segundo a Organização Mundial de Saúde. Sua representação é medida a cada mil nascidos, ou seja, uma taxa de 10% significa óbito de dez crianças a cada mil nascidos vivos.

Mesmo com o índice apurado até agosto estar acima do registrado em 2020, a Secretaria da Saúde informa que a taxa, relativa a este ano, está se mantendo abaixo de dois dígitos. De janeiro a abril o índice acumulado estava maior e, portanto, não há uma perspectiva de aumento até o fechamento do ano. A Administração explica que o índice se mantém dentro do que preconiza o Plano Municipal de Saúde 2018-2021 e que as diversas políticas implementadas na saúde pública do município vêm contribuir para que a taxa se mantenha menor que 10%.

Ações

Conforme a Prefeitura, uma dessas políticas é o cuidado pré-natal com as gestantes. A Secretaria de Saúde cita o fortalecimento do pré-natal nos últimos anos, inclusive, com programação de capacitação em assistência pré-natal de profissionais envolvidos nesse cuidado. "Contamos com o apoio matricial realizado pelos médicos do pré-natal de alto risco, sendo possível realizar atendimento compartilhado, capacitações conforme a identificação de necessidade como a realizada em assistência à gestante com covid-19 e pré-natal odontológico", diz trecho da resposta enviada à reportagem pela Secretaria de Saúde.

Em relação ao recém-nascido, as autoridades de saúde do município informam que o incentivo ao aleitamento materno, a visita domiciliar da Equipe de Saúde da Família após o nascimento, o atendimento do binômio mãe-bebê até o quinto dia de vida, assim como a garantia dos atendimentos de Puericultura nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), mesmo durante a pandemia, também contribuíram para o índice apurado até o momento ter se mantido abaixo dos dois dígitos.

De acordo com a Prefeitura, os casos de mortalidade materna e infantil são investigados e analisados pelo Comitê de Mortalidade Materno Infantil, órgão responsável pelas articulações das ações para evitar a recorrência de casos. Apesar do esforço, entre os meses de janeiro e abril foram registrados 48 óbitos de bebês com menos de um ano em Campinas, conforme boletim de junho divulgado pelo Conselho Municipal de Saúde, que acompanha o dia a dia das unidades básicas de saúde.

Esse número de óbitos, porém, é o mesmo registrado em todo o ano passado na cidade. A quantidade de óbitos registrados nos quatro primeiros meses desse ano fez o acumulado da taxa de mortalidade apurada na ocasião chegar a 11.59%. Uma das justificativas para o fato foi o pico da pandemia, uma vez que o município manteve a realização de consultas de Pré-Natal, devido à importância destas consultas para redução da morbimortalidade materna e infantil. Apesar de o trabalho não ter sido interrompido, foi observada uma diminuição dessas consultas provavelmente pela insegurança que as gestantes tiveram em continuarem seu atendimento frente à pandemia. Em 2020, de janeiro a abril, o acumulado da mortalidade infantil em Campinas estava em 6.08%.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular