Publicado 14 de Novembro de 2021 - 9h49

Por Thifany Barbosa/ Correio Popular

Segundo o agente de segurança pública, muitas pessoas evitam andar com dinheiro em espécie, contando com a simplicidade e rapidez que o PIX trouxe às transações bancárias

Pixabay

Segundo o agente de segurança pública, muitas pessoas evitam andar com dinheiro em espécie, contando com a simplicidade e rapidez que o PIX trouxe às transações bancárias

No último mês, a ferramenta de pagamento eletrônico instantâneo e gratuito, o PIX, completou um ano de funcionamento. Criada para facilitar e agilizar as transações de quantias por meio digital, a opção também abriu margem para a volta de um crime que já teve seu pico na história da criminalidade e agora voltou com força total: os sequestros-relâmpago. Nessa modalidade, a vítima fica sob o poder dos assaltantes até que as transferências bancárias via PIX sejam efetivadas e as contas bancárias “limpas” de todo o saldo disponível.

De acordo com dados passados pela Polícia Militar, o total de ocorrências dessa modalidade subiu 8,21%, de 2020 para 2021. Foram registrados 2.416 casos de sequestro-relâmpago em 2020 contra 2.856 em 2021, segundo o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Centro, Fileto de Albuquerque. O aumento é significativo e se justifica por dois fatores principais. O primeiro é a deficiência no regramento do PIX, que facilita, e muito, a transação de altas quantias.

Porém, desde o dia 4 de outubro deste ano, o Banco Central determinou que as transferências e pagamentos feitos por pessoas físicas entre as 20h e as 6h terão limite de R$ 1 mil. “Mesmo assim, os episódios se sucedem, o que mostra que a medida foi insuficiente para evitar o crime”, avalia Fileto.

O segundo fator, como explica o presidente do Conseg, é o uso de aplicativos de bancos nos aparelhos celulares, deixando as vítimas vulneráveis e suscetíveis a sofrerem o sequestro-relâmpago. “Os infratores, muitas vezes, sabem mexer melhor nos aparelhos que a própria vítima. Eles (os suspeitos) são rápidos e eficientes”, afirmou.

Geralmente, as vítimas escolhidas pelos sequestradores são aquelas que aparentam um nível social e econômico alto, visto que elas sinalizam um potencial maior de lucratividade para os criminosos.

Inovação com risco

Já o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas, José Glauco Ferreira, o número de sequestros-relâmpago, crime que estava “adormecido”, disparou após a implantação do PIX no Brasil.

Segundo o agente de segurança pública, muitas pessoas evitam andar com dinheiro em espécie, contando com a simplicidade e rapidez que o PIX trouxe às transações bancárias.

A inovação acabou, de certa forma, incrementando a modalidade criminosa. Há inclusive quadrilhas especializadas em outros tipos de delitos que estão “migrando” para roubos envolvendo a ferramenta eletrônica, atraídos pela facilidade de rapidez de acessar uma alta quantidade de dinheiro em um período curto de tempo. Além disso, os infratores são oportunistas, aproveitam a desatenção das pessoas para realizar a abordagem das vítimas e fazê-las refém.

Em setembro deste ano, uma investigação de policiais da DIG conseguiu localizar um imóvel que foi usado como cativeiro de um homem que havia sido roubado e mantido em cárcere privado no Jd. Campo Belo até que as transferências bancárias fossem efetuadas pelo PIX.

O delegado explica que a delegacia especializada atua fortemente contra essa modalidade criminosa. No caso mencionado, as investigações estão em curso. “Conseguimos identificar os principais suspeitos e acreditamos que, em breve, todos serão presos, garantiu.

Orientações

Acerca dos cuidados relacionados aos sequestros-relâmpago, o delegado aconselha que, primeiramente, os correntistas entrem em contato com seus gerentes bancários e estabeleçam um limite de valor para efetivar o PIX e outras formas de transferência.

Além disso, os motoristas e passageiros de veículos não devem demorar para embarcar ou desembarcar do carro e tampouco ficar por muito tempo parado com o automóvel na rua, com os faróis acesos ou falando ao celular, pois isso propicia uma situação de vulnerabilidade que oportuniza a ação dos bandidos.

Caso uma pessoa seja vítima desse crime, orienta o delegado, a primeira ação ao se ver libertada é a de comunicar a polícia. Posteriormente, é imprescindível que ela procure o seu banco, cuja conta teve os valores subtraídos, para as devidas providências de segurança, como troca de senhas.

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Thifany Barbosa/ Correio Popular