Publicado 14 de Novembro de 2021 - 9h46

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Espécies exibidas no zoológico são da fauna nativa, oriundas de resgates, transferências de outros zoos e remanescentes de tempos antigos do Bosque

Kamá Ribeiro

Espécies exibidas no zoológico são da fauna nativa, oriundas de resgates, transferências de outros zoos e remanescentes de tempos antigos do Bosque

O Zoológico do Bosque dos Jequitibás, localizado em Campinas, tem 26 anos de história e abriga em torno de 240 animais, sendo a maioria aves e répteis. Em meio às visitações no local, que é voltado ao lazer e cultura de seus frequentadores, também são desenvolvidas atividades que vão além da exposição dos bichos nos recintos, como a reabilitação dos animais que são resgatados pela Polícia Ambiental, Guarda Municipal e Corpo de Bombeiros.

Normalmente, eles chegam lesionados, até mesmo com membros amputados. Por isso, o suporte veterinário é importante, para que os animais silvestres possam ser atendidos em tempo hábil diante da ausência de um Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras) no município. O zoo recebe até dois animais resgatados por semana.

Segundo o veterinário do Bosque e responsável técnico do zoológico, Douglas Presotto, as aves são a maioria entre os resgatados. Muitas delas são feridas por linhas de cerol durante os voos ou se chocam contra as janelas de vidro e espelhadas de arranha-céus. O zoológico também recebe os bichos que são atropelados, como o cachorro-do-mato, a onça e o gambá. Nesses casos, são poucos os que conseguem ser atendidos ainda com vida, por causa do impacto da batida.

Os saguis, por exemplo, são lesionados com frequência por choques elétricos durante os seus deslocamentos nas fiações dos postes. Os animais também são vítimas da ação do homem, acrescentou Presotto, seja ela intencional ou não. "Muitos são agredidos pelo homem, por serem considerados invasores", explicou.

Está abrigado no zoo um gavião que, ao entrar em uma chácara, foi ferido com tiros de chumbinho disparados pelos moradores do local. Ele fraturou um dos ossos da asa e precisou ser resgatado. Nesse caso, o animal precisou passar por cirurgia, procedimento que ocorreu em um hospital conveniado ao município. Sem o atendimento, ele estaria fadado à morte em seu habitat natural, pois não conseguiria mais voar. Dentre as aves resgatadas e acolhidas no Bosque, a maioria é de corujas e gaviões, que, segundo o veterinário, são espécies comuns em cidades. De acordo com o especialista, nesta época do ano, aumenta a reprodução dos animais, inclusive, dos silvestres. Por isso, a aparição deles no ambiente urbano tende a crescer neste período.

Presotto afirmou que, ao receber o animal ferido, inicia-se uma corrida contra o tempo para que ele possa ser recuperado o quanto antes e, assim, garantir que as suas condições de soltura não sejam afetadas. "O ideal é que o bicho não crie uma dependência dos cuidados humanos, para facilitar o seu retorno à natureza. Quanto mais o animal sofre interferência na sua rotina, mais difícil é a sua reinserção em meio à fauna", ressaltou. Quando o ferimento é grave, a ponto de o animal não conseguir mais se recuperar plenamente, ele permanece em um abrigo para o resto da vida. Por isso, há animais silvestres resgatados nos recintos do zoo.

O zoológico oferece atendimento, principalmente, em casos de urgência e emergência. Atualmente, estão passando por um processo de recuperação no local: um quero-quero que quebrou a asa; um falcão, que foi encontrado caído na rua; dois saguis, que receberam uma descarga elétrica e um gambá, que foi agredido. "Temos uma estrutura limitada. Conseguimos manter pelo menos 15 animais em reabilitação. Quando necessário, eles são encaminhados aos hospitais veterinários parceiros."

Atenção

Presotto recomendou que as pessoas ao depararem com um animal silvestre tenham atenção e cuidado, além de recorrer a um profissional capacitado para que o bicho possa ser resgatado com segurança. Entre aqueles que são salvos, os mamíferos são os mais raros. "Muitos bichos vão para a área urbana por causa da perda do seu habitat natural, seja por queimadas ou em busca de alimento. Eles não são nossos inimigos", garantiu. Todos do plantel possuem um registro junto à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, por serem animais silvestres.

Todos os bichos em exposição constam no sistema do Estado e possuem um microchip de monitoramento implantado. "O animal que é resgatado não é registrado e nem monitorado. Apenas aqueles que ficam no zoo", explicou.

Entre os 240 animais do plantel, há 100 répteis, como jacarés e jabutis; 120 aves, como araras, papagaios e gaviões; e 20 mamíferos, entre eles os macacos, hipopótamos e antas. Todas as espécies exibidas no zoológico são da fauna nativa, oriundas de resgates, transferências de outros zoos e remanescentes de tempos antigos do Bosque.

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Mariana Camba/ Correio Popular