Publicado 11 de Novembro de 2021 - 9h06

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Consumidora observa enfeites natalinos que já estão à venda nas lojas de artigos de decoração em Campinas; comércio espera um aumento de 3,5% no faturamento este ano em relação ao Natal do ano passado

Kamá Ribeiro

Consumidora observa enfeites natalinos que já estão à venda nas lojas de artigos de decoração em Campinas; comércio espera um aumento de 3,5% no faturamento este ano em relação ao Natal do ano passado

Impulsionado pela injeção de R$ 5,2 bilhões do 13º salário na economia e pela vacinação em massa contra a covid-19, o Natal de 2021 deverá movimentar R$ 6,3 bilhões no comércio da Região Metropolitana de Campinas (RMC) e gerar 12 mil empregos temporários. O clima natalino já chegou nas lojas e a expectativa dos comerciantes é de faturar aproximadamente 50% a mais neste final de ano, em comparação às vendas dos últimos meses de reabertura e flexibilização das atividades.

A Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) projeta uma expansão de 3,45% no faturamento da RMC em relação ao ano passado. As vendas na RMC devem atingir R$ 6,3 bilhões neste ano, contra os R$ 6,1 bilhões em 2020. Além disso, o montante previsto pela Acic para este ano chega ao mesmo patamar faturado no Natal de 2019, antes da pandemia. Somente em Campinas, o varejo no Natal de 2021 deverá crescer 3,5%, movimentando R$ 2,8 bilhões, contra os R$ 2,6 bilhões faturados no Natal de 2020.

O economista Laerte Martins, diretor da Acic, avaliou que, apesar da queda do poder de compra da população; da elevação dos preços provocada pela inflação; da desvalorização do Real; e da forte queda na Bolsa de Valores, as expectativas de vendas no Natal deste ano são otimistas. Segundo Martins, o valor médio do presente natalino em 2021 deve ser de R$ 305 - que representa uma expansão de 2,35% sobre o Natal de 2020, que chegou à média de R$ 298.

13º salário salvador

Martins revelou que o impacto do 13º salário será fundamental neste ano. Segundo cálculos da Acic, o 13º salário movimentará aproximadamente R$ 5,2 bilhões na RMC. Já o impacto do 13º salário no município de Campinas representará R$ 2 bilhões, índice 5,84% superior ao Natal de 2020. "Estima-se que 55% deste benefício, recebido pelo trabalhador que tem registro em carteira, seja utilizado no consumo de Natal. Aproximadamente 49% do 13º salário deverá ser reservado para o pagamento de dívidas e matrículas escolares. Geralmente, apenas 1% reserva a quantia extra de final de ano para poupar", avaliou o economista.

Para atender a maior demanda, a Acic definiu com os comerciantes do Centro de Campinas a abertura das lojas em horários especiais e ampliados em dezembro para as compras de Natal. Maiores detalhes estão disponíveis no site da entidade.

Temporários

São estimadas 95 mil contratações temporárias para o Natal de 2021 no País, conforme pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Já na RMC deverão ser abertas aproximadamente 12 mil vagas temporárias, um índice 6,25% superior às contratações extras do Natal de 2020.

A maior quantidade de vagas este ano deve ser ofertada pelos setores de vestuário, hipermercados e calçados, nas funções de vendedores e operadores de caixa. A remuneração média é prevista em R$ 1,6 mil. As mais altas devem ser encontradas para as funções de farmacêutico, com remuneração de R$ 3,4 mil e de gerente administrativo de R$ 3 mil.

Comércio animado

Além da aplicação do 13º salário no consumo de Natal, comerciantes apostam também na flexibilização das atividades, motivada pela vacinação contra a covid-19 e na saudade das reuniões natalinas demonstrada pelas pessoas com seus familiares - afinal o Natal da pandemia no ano passado não permitiu muitas celebrações. As expectativas do comércio apontam para um aumento entre 30% e 50% nas vendas, em relação aos meses de atividades comerciais neste ano.

Paulo Luiz dos Santos, proprietário de uma distribuidora de cestas de Natal da Vila Industrial, em Campinas, disse que a expectativa é de ter um aumento de 30% nas vendas em relação às vendas mensais que faz de cestas básicas em empresas da cidade. "No Natal deste ano, as empresas ampliaram o volume de pedidos em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, é expressivo o número de pessoas que buscam cestas para doação às comunidades carentes. A solidariedade está em alta", comentou.

Santos explicou também que a melhora no controle da pandemia, com a vacinação em massa, resultou em uma retomada de encontros das famílias, fato que ocorreu em menor volume no ano passado. "Isso gera mais pedido de cestas de Natal. Nem a inflação atrapalhou, pois são disponibilizadas cestas de todos os tamanhos com preços variados, conforme a quantidade de produtos", explicou.

O clima de Natal anima também as vendas em uma papelaria na região do Parque Prado, em Campinas, pela grande procura que já está sendo percebida em embalagens de presentes, enfeites para árvores e decoração para a ceia de Natal. "Pelo o que já estou vendendo, deve melhorar entre 40% e 50% em relação às vendas mensais deste ano. Além das opções de Natal, as pessoas estão antecipando também opções de cadernos e materiais escolares para a volta às aulas do ano que vem", comentou a proprietária da papelaria, Vanessa Stevanato. A vendedora Maria Luiza Vani Marangni destacou que a procura está sendo intensa, principalmente para o enfeites de mesa e de árvores.

Dentre os consumidores do Centro ontem, Murilo Maurício e Mara Marson buscavam as melhores opções de preço para artigos de Natal. "Estamos pesquisando as opções e a ideia é voltar nesta semana para comprar enfeites, árvore e presentes. A expectativa é boa e mais favorável para uma reunião em família, que não ocorreu no ano passado por conta da pandemia. Neste ano, mesmo com a vacinação de todos, vamos nos reunir em família, porém mantendo os cuidados e sem aglomerações. Afinal, a vacina não protege 100%", afirmou Mara.

Devanir da Silva Crisóstimo, designer de interiores e decorador de uma rede de lojas de presentes e variedades para o lar do bairro Ponte Preta, em Campinas, disse que a decoração e ambientação já foi estruturada desde o início deste mês em todas as lojas e que a expectativa é de crescimento de 50% nas vendas, em comparação às vendas dos últimos meses. "A população ficou muito tempo sem poder se encontrar com os entes queridos. No Natal anterior muitas famílias não se reuniram, nem festejaram.

Agora, as pessoas estão tendo o privilégio deste encontro importante para celebrar o nascimento de Jesus", disse. "Estes encontros familiares fizeram muita falta no ano passado e todos querem compensar no Natal deste ano", comentou.

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Gilson Rei/ Correio Popular