Publicado 21 de Outubro de 2021 - 11h13

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Mães de alunos matriculados na escola se surpreenderam com a ocorrência e destacaram que a unidade oferece atendimento e ensino de qualidade

Kamá Ribeiro

Mães de alunos matriculados na escola se surpreenderam com a ocorrência e destacaram que a unidade oferece atendimento e ensino de qualidade

Um aluno, de 10 anos, que estava com a máscara abaixo do queixo, foi agredido ontem por uma funcionária da Escola Estadual Cristiano Volkart, no Jardim Planalto, em Campinas, um dia depois da volta presencial obrigatória dos estudantes nas escolas do Estado de São Paulo. A funcionária, contratada temporariamente, não fazia parte da equipe pedagógica da unidade escolar e foi demitida após a agressão.

O desligamento foi informado ontem pela Secretaria Estadual de Educação, que apura o caso, ocorrido na terça-feira. A mulher foi contratada por meio do programa Bolsa do Povo Educação, do governo estadual, que prevê a contratação de mães de alunos desempregadas para auxiliar no cumprimento das medidas sanitárias na pandemia, com remuneração de R$ 500,00.

O caso foi registrado pelos pais do garoto como maus-tratos no 4º Distrito Policial de Campinas e encaminhado ao 13º DP, onde as investigações estão sendo realizadas.

Dados fornecidos pela Secretaria de Segurança revelam que o estudante foi agredido logo após o recreio, quando a mulher viu que a criança estava sem a máscara e o seguiu até o banheiro. Na sequência, prensou o menino contra a porta. A partir de relatos colhidos, o estudante teria conseguido se desvencilhar, mas foi perseguido pela funcionária, que o pegou pelo braço e deu-lhe uma rasteira.

Segundo a apuração junto aos pais da vítima, a criança seguia para o banheiro com a máscara abaixada para limpar o nariz, pois ele sofre de rinite alérgica. O menino não ficou ferido, mas os pais aguardam uma posição da escola a respeito de um apoio psicológico ao estudante.

Repercussão

Ontem, mães de alunos da escola ficaram surpresas com a agressão e lamentaram o uso da violência, porém, destacaram que a escola é de boa qualidade e que desconhecem ocorrências desse tipo em décadas de ensino. Rosângela Cremasco, mãe de uma aluna da escola, disse que a funcionária não deveria ter agredido de forma alguma. "São crianças dentro de uma escola e devem ser orientadas com educação.

É preciso conversar com a criança. Foi um caso isolado. Esta escola é muito boa. Os alunos são bem tratados", disse. "A minha filha que já é adolescente estudou aqui e só tenho elogios à escola. Tanto é que a minha filha mais nova também está estudando nela. Infelizmente, aconteceu esse caso com uma pessoa sem o preparo adequado para a função".

Janaina Toledo, mãe de uma outra aluna da escola, estranhou a atitude agressiva contra o estudante. "Conheço esta escola há mais de cinco anos e o ensino é elogiável. Sobre o que aconteceu, defendo o uso da máscara e das medidas sanitárias, no entanto, tudo deve ser feito com muita calma e educação. Quem está cuidando dos estudantes tem que saber como agir. Pode até causar um trauma ou problema psicológico", comentou.

Repúdio

A Secretaria da Educação de São Paulo, por meio de nota, lamentou o ocorrido e informou que repudia qualquer forma de violência. A Pasta relata que todas as medidas foram tomadas imediatamente e que a funcionária teve o contrato rescindido. Informou, ainda, que o caso foi registrado no sistema do Programa Conviva (Placon), que tem como principal objetivo monitorar a rotina das escolas da rede estadual. A Secretaria ressaltou também que a escola conta com sistema de monitoramento por câmeras, mas as imagens só são divulgadas com autorização judicial.

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