Publicado 14 de Outubro de 2021 - 9h34

Por Cibele Vieira/ Correio Popular

Além do plantio e do cuidado com as árvores, os alunos da escola Newton Oppermann também aprenderam a reciclar e a dar o destino apropriado ao lixo, tudo em um ambiente colaborativo e de descontração

Kamá Ribeiro

Além do plantio e do cuidado com as árvores, os alunos da escola Newton Oppermann também aprenderam a reciclar e a dar o destino apropriado ao lixo, tudo em um ambiente colaborativo e de descontração

Alfabetizar, a arte de ensinar a ler e escrever, ganhou uma abrangência mais ampla na Escola Estadual Dr. Newton Oppermann, no Jardim Florence. Ali, as crianças e adolescentes estão praticando a alfabetização ambiental. Com a ajuda de professores e a partir de projetos muito criativos, aprendem desde cedo o passo a passo para se tornarem cidadãos focados na preservação da natureza.

A educadora Valquíria Coltri, vice-diretora, conta que "a escola queria plantar uma semente ambiental nos alunos, por isso uniu projetos, investiu em atividades e o resultado foi gratificante, tanto nas posturas quanto no visual. E eles amaram". Mais do que gostar, os alunos passaram a levar para casa os ensinamentos recebidos, o que estimulou o envolvimento de toda a comunidade.

Um exemplo é a aluna Ana Beatriz Oliveiram Silva, da 4ª série, que participou da ação realizada na escola no último sábado de setembro. Ela contou que entendeu a importância da separação do lixo para a reciclagem e falou com a família para incorporar esse hábito em casa, para proteger o meio ambiente. Esse repasse do conhecimento e a criação de uma rede de preservação é um dos objetivos do trabalho.

Na atividade presencial realizada no dia 25 de setembro, os alunos ajudaram a grafitar o muro, sob a orientação do artista plástico Kranium, que usou cores vivas para a proposta de transformar a realidade local. Quinze árvores frutíferas também foram plantadas nesse dia e os estudantes aprenderam a construir seus próprios terrários. Agora, com a compostagem que também aprenderam a fazer, preparam a construção de uma horta.

Teoria e prática

A pandemia afastou os alunos da escola e os professores precisaram assumir aulas on-line. Mas isso não os impediu de trabalhar uma boa base teórica sobre questões ambientais, lembrando a importância da reciclagem, o papel das árvores, o uso racional da água e as posturas ecologicamente corretas, com linguagens adequadas a cada faixa etária. Isso facilitou a retomada da prática quando as aulas presenciais voltaram, em agosto.

As lixeiras próprias para separar os resíduos recicláveis dos orgânicos foram instaladas, os alunos aprenderam a selecionar o material e um reciclador da comunidade recolhe os volumes cumulados periodicamente. As merendeiras também foram envolvidas e passaram a separar as cascas para abastecer a composteira. Esse material vai compor a horta que já está sendo planejada.

As atividades relacionadas ao plantio das árvores foram divididas da seguinte forma. Primeiro, os alunos viram na teoria a importância das espécies e os cuidados necessários para sua manutenção. Depois colocaram as mãos na terra e plantaram as mudas recebidas, usando canteiros com pneus doados pela comunidade. Eles também aprenderam a plantar temperos em garrafas pets e a montar terrários com suculentas, em criações levadas para casa.

Leandro Ferreira dos Santos - ou Kranium como é conhecido - é grafiteiro há mais de 20 nos, arte-educador e produtor cultural. Morador de Hortolândia, ele tem como característica marcante em seu trabalho as cores vivas e as formas geométricas. Foi ele quem orientou a grafitagem do muro e os alunos coloriram a área com tintas doadas por comerciantes do bairro, imprimindo mais alegria à fachada.

Incentivo

Todas essas ações, trabalhadas teoricamente durante a pandemia e consolidadas com as atividades presenciais, integram dois programas que a escola decidiu unir, conta a vice-diretora Valquíria. O Projeto de Educação Ambiental faz parte do currículo paulista e é conduzido pela Secretaria Estadual de Educação. Para potencializar o tema, foi adotado também o Plano Municipal de Educação Ambiental, proposto pela Secretaria Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Este último fomenta ações em parceria com as escolas públicas da cidade, com o objetivo de transformar os alunos em educadores ambientais. Foi nesse contexto que a escola abraçou o projeto piloto Grafite, Proteção Animal e Sustentabilidade, consolidado na ação do dia 25 de setembro, com a presença do secretário do Verde, Rogério Menezes. Em palestra aos estudantes e professores, ele abordou os temas da proteção animal e do meio ambiente e disse que esse tipo de ação será ampliado para outras escolas.

Para a vice-diretora da escola Newton Oppermann, "esses projetos fortalecem os espaços escolares sustentáveis e promovem as temáticas socioambientais nos processos de ensino e aprendizagem, além de estimular o debate sobre a conservação da biodiversidade". Ela salienta que as crianças amaram e se sentiram muito motivadas. O próximo passo, assim que as condições sanitárias estiverem mais controladas em relação à covid-19, consistirão na realização de atividades externas com grupos de alunos para que possam conhecer de perto matas ciliares, cooperativas de reciclagem e outras vivências práticas que agreguem novos conhecimentos.

A Escola Estadual Dr. Newton Oppermann foi criada em 1984 e está sediada na Rua Heloisa Prato Galbiatti, número 500, no Jardim Florence II, no distrito do Campo Grande. Funciona em três períodos, com um total de 787 alunos em turmas que vão do Ensino Fundamental I e II ao Ensino Médio.

Escrito por:

Cibele Vieira/ Correio Popular