Publicado 14 de Outubro de 2021 - 9h14

Por João Lucas Dionisio/Correio Popular

Funcionários trabalham em sala de operações de assessoria de investimento: profissão em alta no mercado

Ricardo Lima

Funcionários trabalham em sala de operações de assessoria de investimento: profissão em alta no mercado

Um levantamento realizado pela empresa Robert Half, especialista em recrutamento de profissionais, apontou que as áreas de recursos humanos, tecnologia da informação e planejamento financeiro são as que mais contratam em Campinas. Boa parte dos postos de trabalho possui remuneração entre R$ 8,9 mil e R$ 21 mil e são no sistema híbrido, ou seja, mesclam atividades presenciais e home-office. Em virtude da adaptação de mecanismos tecnológicos durante a pandemia, segundo a gerente de operações no município, Amanda Adami, há uma grande procura por profissionais com entendimento técnico em processos modernos e que utilizam a tecnologia. Segundo ela, "isso pode ser um diferencial no processo de admissão".

Mesmo com a alta taxa de desemprego no Brasil, que atinge cerca de 14,1 milhões de pessoas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a oferta de vagas entre os profissionais com qualificação continua aquecida em Campinas, segundo Amanda. "O número de pessoas sem emprego é realmente alto e preocupante, entretanto, quando analisamos o número de pessoas com alguma formação profissional, a proporção é bem menor", contou.

Em setembro, a empresa divulgou um índice de confiança realizado com 1.161 profissionais igualmente divididos nas categorias recrutadores, profissionais qualificados empregados e desempregados com formação superior. No levantamento, 66% dos recrutadores afirmaram que contratar trabalhadores qualificados está "difícil ou muito difícil". Além disso, 42% deles revelaram ter vagas em aberto devido a falta de pessoas adequadas à função.

Na percepção de Amanda, as indústrias localizadas no interior do Estado de São Paulo e, principalmente na RMC, passaram a buscar no mercado profissionais com conhecimento em tecnologia, além da compreensão específica na área de atuação. "Hoje em dia, se faz necessária uma análise mais completa sobre a empresa, com base na tecnologia, que possa projetar os rumos para o futuro. Por conta disso, os trabalhadores que possuem essa compreensão são bastante requisitados atualmente", completou. Hoje em dia, de acordo com o levantamento, um profissional de planejamentos em Campinas recebe, em média, de R$10 mil a R$18 mil mensais, dependendo do porte da empresa.

Desenvolvedores de Software possuem a média salarial mais alta da cidade, segundo a pesquisa, com o valor mensal entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, entretanto, são os profissionais onde as empresas possuem mais dificuldade para contratar. Para o diretor de uma empresa de investimentos localizada em Campinas, Luiz Clemente, a alternativa foi buscar talentos que residem em outras cidades. "A implantação efetiva de mecanismos tecnológicos foi um avanço significativo no mercado de trabalho, o que possibilita enriquecer consideravelmente o nosso grupo de trabalho", afirmou. Graças aos números positivos obtidos após a retomada econômica, Clemente pretende continuar com o método de produção híbrida. Segundo ele, "o home-office foi bem recebido pelos colaboradores da nossa empresa e gera uma economia de custos para as duas partes".

Responsável pelo setor de Recursos Humanos de uma empresa de tecnologia, Lilian Oliveira explicou que muitas áreas comerciais e industriais foram potencializadas durante a pandemia, entretanto, ao mesmo tempo, os modelos de trabalho passaram por mudanças significativas. "A implantação do home-office e, posteriormente, do sistema híbrido, alterou algumas metodologias e, além de reduzir custos para o empregador, expandiu o olhar para o mercado de trabalho", contou. Antes da pandemia, só era possível disponibilizar vagas em outras cidades mediante a presença de uma estrutura da companhia no local, entretanto, a forma de contratação de um profissional mudou. "Se antes a admissão só era possível para quem residia na mesma cidade da empresa, hoje em dia, temos colaboradores em Recife (PE), por exemplo, que fica a mais de dois mil quilômetros da nossa sede", ressaltou.

As tendências de mercado apontadas pela pesquisa são alguns dos sintomas de restruturação do setor industrial e comercial visando o pós-pandemia. É o que avaliou a professora de economia, Eliane Rosandiski, que pertence ao Observatório da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC). "De certa maneira, a pandemia trouxe desafios e dinâmicas diferentes para as empresas, o que causa a procura de profissionais capacitados para determinados desafios, como o financeiro, que compete a recuperação dos prejuízos e análise para o futuro", detalhou.

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João Lucas Dionisio/Correio Popular