Publicado 14 de Outubro de 2021 - 9h10

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Alunos da rede municipal de Campinas ainda estudam com distanciamento previsto entre as carteiras: Prefeitura aguarda decreto para definir diretrizes

Diogo Zacarias

Alunos da rede municipal de Campinas ainda estudam com distanciamento previsto entre as carteiras: Prefeitura aguarda decreto para definir diretrizes

A volta total às aulas presenciais anunciada ontem pelo governador do Estado de São Paulo, João Doria, foi duramente criticada por especialistas e representantes da categoria, que classificaram a medida como perigosa e irresponsável, por causa da exposição à covid-19. O retorno será obrigatório a partir da próxima segunda-feira. A determinação foi imposta aos estudantes das redes estadual, municipal e privada.

O distanciamento de um metro entre os alunos será mantido apenas até final deste mês. Por isso, ainda em outubro, será necessário manter o revezamento entre as turmas. Afinal, diante da capacidade física das instituições de ensino, não tem como todos retornarem concomitantemente e manter a garantia do espaçamento necessário. A partir do dia 3 de novembro, o distanciamento deixará de ser obrigatório entre os estudantes.

Segundo o governo, 97% dos profissionais da educação estão com o esquema de vacinação completo. Em relação aos estudantes, 90% dos jovens entre 12 e 17 anos tomaram a primeira dose do imunizante contra a covid-19. Tais índices, mencionou Doria, garantem a maior segurança na retomada total das aulas presenciais. O retorno às escolas foi liberado sem restrições a partir do dia 2 de agosto. Desde então, a volta às instituições de ensino era opcional.

As aulas remotas continuarão para os alunos com mais de 12 anos, que pertencem aos grupos de risco de contágio ao novo coronavírus, ou com comorbidades e que não tenham concluído o ciclo vacinal. A exceção também é válida a jovens gestantes e puérperas e para as crianças com menos de 12 anos que são do grupo de risco.

Estudantes com o ciclo vacinal completo e que apresentem maior suscetibilidade à covid-19 poderão não comparecer às aulas presenciais, desde que tenham orientação médica para permanecer em atividade remota. De acordo com o Estado, a frequência dos alunos da rede tem oscilado entre 65% e 70%.

A secretaria municipal de Educação de Campinas informou, por nota, que aguardará a publicação do decreto estadual sobre a obrigatoriedade das aulas presenciais, para, então, definir posteriormente quais serão as diretrizes nas escolas da cidade. "Todos os profissionais que atuam da rede municipal de ensino já completaram o ciclo de imunização", ressaltou a Administração.

Avaliação

A especialista em educação e avaliação institucional, Márcia Malavasi, a diretora estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Suely Fátima de Oliveira, e o Sindicato dos Servidores Municipais de Campinas são contra à medida anunciada pelo Estado. Para elas, a decisão do governo é grave por expor os alunos ao novo coronavírus.

Segundo Márcia, para que a medida fosse tomada seria necessário que toda a comunidade escolar estivesse complemente vacinada. "Não podemos brincar com a vida. O Estado agiu de maneira equivocada e colocou a comunidade escolar em risco", declarou a especialista em educação.

De acordo com Suely, as salas da rede estadual são pequenas, por isso, com o retorno total será impossível evitar a aglomeração. "Não tem como recuperarmos o aprendizado a qualquer custo. Isso é perigoso", reiterou a diretora da Apeoesp.

Segundo ela, os professores foram pegos de surpresa com o anúncio do Estado e estão com medo. "Todos estavam trabalhando na perspectiva do retorno gradual até 2022, ano em que a volta presencial total será possível. Agora não é a hora disso ocorrer", concluiu Suely.

Segundo o diretor do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), Tony dos Santos, as escolas particulares estão preparadas para atender todos os alunos, com ou sem o distanciamento.

Para o gerente de farmácia e pai de uma aluna da rede estadual, José de Oliveira, a volta total dos estudantes às escolas é segura, por causa da vacinação. A doméstica Viviane Nunes é mãe de três alunas da rede municipal de Campinas e também se posicionou favorável ao anúncio. "As crianças ficaram estressadas depois de permanecerem tanto tempo em casa. A caçula, eu que alfabetizei. O convívio social é fundamental para elas e tem feito falta", opinou.

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Mariana Camba/ Correio Popular