Publicado 12 de Outubro de 2021 - 9h46

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Laís Fernanda Santos, 27 anos, nasceu na Maternidade de Campinas e agora está prestes a dar à luz o segundo filho nesse mesmo hospital

Ricardo Lima

Laís Fernanda Santos, 27 anos, nasceu na Maternidade de Campinas e agora está prestes a dar à luz o segundo filho nesse mesmo hospital

O Hospital Maternidade de Campinas completa hoje 108 anos. Fundada em 1913, no dia em que é comemorado o Dia das Crianças e o de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, a instituição, considerada a maior do gênero do interior do país em número de partos, foi a responsável pelo nascimento de milhares de crianças de Campinas e região. De acordo com os arquivos do hospital, datados dos últimos 63 anos, foram exatamente 524.454 nascimentos até o mês passado.

Integrante de um seleto grupo de instituições centenárias de Campinas, ao lado da Estação Cultura, Catedral Metropolitana e do Mercadão, a Maternidade continua fazendo parte da vida da cidade. Dos milhares de nascimentos registrados e das tantas histórias advindas deles, está a da cartorária Laís Fernanda Santos, 27 anos, moradora do Jardim Santa Eudóxia, em Campinas.

Prestes a dar à luz o segundo filho, Laís conta que a mãe Adriana da Silva Santos, 47 anos, no início da década de 90, deu à luz ela própria no hospital. Depois, ainda vieram outros três filhos, irmãos da cartorária. E a história de Laís com a Maternidade não para por aí. Agora, ela aguarda a chegada do segundo filho. O primeiro, nascido há três anos, também veio ao mundo por meio da centenária instituição.

"É uma curiosidade, sempre ouvi falar na Maternidade. Eu nasci aqui e meus irmãos também. E tive minha primeira filha, Maria Fernanda, aqui também. E agora estou para ter meu segundo filho novamente nesse hospital. Não tenho o que dizer. Faz parte da história da minha família", disse.

A gestante esteve ontem na Maternidade para iniciar o acompanhamento do pré-natal. Até então, ela estava sendo atendida pelo Posto de Saúde do bairro onde mora. Laís conta que dessa vez irá ser atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na sua primeira gestação, o parto foi realizado por convênio.

Nessas décadas de história, segundo dados do hospital, dos mais de meio milhão de nascimentos documentados, 54,8% foram atendidos por meio do SUS, e 45,2% pela chamada saúde suplementar, que integra os convênios e particulares. Atualmente, são registrados uma média de 9 mil nascimentos por ano.

A instituição atua a 108 anos de portas abertas, ou seja, com atendimentos 24 horas ininterruptas por dia.

Como todo hospital filantrópico que atende o SUS, a Maternidade atravessou dificuldades financeiras. E por isso, há alguns anos, diversificou e ampliou o seu atendimento, passando a realizar outros procedimentos entre eles, cirurgias plásticas, bariátricas, oncológicas, urológicas e de otorrino, medida necessária, segundo a entidade, para manter a filantropia em ginecologia e obstetrícia.

Mesmo assim, os números de atendimentos impressionam. São 1.900 internações e 750 partos por mês. Esse número representa, praticamente, a metade de todos os nascimentos ocorridos na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Dos 40 leitos de sua Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal, 22 são oferecidos para a rede pública. O hospital registra, em média, 930 atendimentos em UTI Neonatal por ano.

Essa estrutura chama atenção das mulheres grávidas. A técnica em enfermagem Elisangela da Silva Ramos, 27 anos, com 42 semanas de gestação, contou ontem que vai aguardar a chegada da Helena, sua primeira filha, na Maternidade de Campinas, justamente pela estrutura que o local oferece. "Estou bem tranquila, o médico que me atende no pré-natal, trabalha na maternidade e a escolha pelo hospital foi por todo o suporte neonatal que teremos aqui caso necessário.", disse.

Segundo informações do hospital, a Maternidade apresenta o menor índice de mortalidade dentro de uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI Neonatal). A baixa taxa de infecção é comparável aos melhores hospitais do mundo. A Maternidade se destaca pelo Centro de Lactação Banco de Leite Humano, que é considerada referência.

Uma das pacientes que utilizou o banco de leite, ontem, foi a analista de departamento pessoal, Carolina Ferraz, 31 anos. Mãe do pequeno Miguel, de 22 dias, nascido na Maternidade, ela retornou ontem para orientações sobre a amamentação. Moradora de Vinhedo, ela conta que descobriu a Maternidade por indicação. "Eu não conhecia, mas ocorreu tudo certo e sou muito grata por tudo", conclui.

Em 2020, a Maternidade atravessou um dos momentos mais delicados de sua história. Com a pandemia de covid-19, a instituição registrou um total de 332 casos suspeitos, sendo que 47% tiveram resultados positivos. No mês de março deste ano, o mais crítico da pandemia, a Maternidade chegou a ter seis leitos na UTI ocupados por pacientes positivos para a covid-19, das quais quatro foram casos de intubação.

Nesse período, na UTI Neonatal, o hospital lidou com quatro recém-nascidos com covid positivo, provenientes dessas mães que internaram nesse período.

Apesar do cenário crítico da pandemia, e que provocou uma expressiva queda nos nascimentos no país em 2019 em comparação com anos anteriores, a Maternidade de Campinas manteve a média e registrou 9.657 nascimentos. Desses, 4.951 homens e 4.706 mulheres. Até setembro deste ano, nasceram 6.750 pessoas.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular