Publicado 12 de Outubro de 2021 - 9h23

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Represa 1, localizada no Jardim Paulista, em Vinhedo, está com apenas 20% de seu volume útil: decreto de emergência hídrica pretende reduzir o consumo de água por parte da população

Diogo Zacarias

Represa 1, localizada no Jardim Paulista, em Vinhedo, está com apenas 20% de seu volume útil: decreto de emergência hídrica pretende reduzir o consumo de água por parte da população

Vinhedo passou a contar, desde esta segunda-feira (11), com um sistema de rodízio no fornecimento de água. A medida, que vai atingir 70% da população (57.061 habitantes), foi instituída para evitar um colapso no abastecimento hídrico do município, que enfrenta as consequências da pior estiagem desde 2014. A Administração decretou situação de Emergência Hídrica na cidade na última sexta-feira.

De acordo com o documento, foi aprovado o Plano de Racionamento devido à redução do volume de água bruta disponível na cidade. Vinhedo conta com três represas. Uma delas secou, outra tem 20% da sua capacidade e a terceira, com 80% - é a que está evitando que a situação se torne ainda mais crítica.

O município foi dividido em três regiões: Oeste, Leste e Centro. Na Oeste não será necessário aplicar o racionamento, pois ela é abastecida por mananciais internos que, no momento, estão conseguindo atender à demanda da área. As regiões Centro e Leste, foram nomeadas como Setor Amarelo e Verde, respectivamente.

O rodízio será adotado em ambas as áreas, com alternância de 24 horas entre a suspensão e o fornecimento. Portanto, o abastecimento será feito dia sim, dia não. Vinhedo conta com duas Estações de Tratamento de Água (ETA), as ETA 1 e ETA 2 . O esquema de rodízio será feito para os bairros abastecidos pela ETA 1, que fornece água para 70% da população.

O abastecimento foi interrompido ontem no setor Amarelo, que concentra 73 bairros, desde as 10h. Hoje, o Verde, composto por 62 bairros, ficará sem água a partir do mesmo horário. "Dessa forma, o setor Amarelo fica sem água nos dias ímpares e o Verde, nos dias pares", esclareceu a Administração. Segundo o prefeito de Vinhedo, Dario Pacheco, os moradores da cidade consomem, em média, até 220 litros de água por dia. Com a adoção do rodízio, a expectativa é a de que o consumo diário seja reduzido para 140 litros diários por habitante.

Segundo o superintendente do Saneamento Básico de Vinhedo (Sanebavi), Jaderson Spina, caso a cidade não consiga poupar água, em pouco mais de um mês o município poderá ficar sem recursos hídricos. "O rodízio é uma estratégia que visa garantir o abastecimento até o final deste mês. A partir de novembro, esperamos que as chuvas aumentem. Se o racionamento não funcionar, a próxima medida será a de comprar água tratada. Mas isso somente será adotado em caso extremo", declarou Pacheco.

De acordo com a assessoria de imprensa da Sanebavi, a represa, que atualmente está com 80% do seu volume útil, armazena a reserva hídrica do município. O objetivo da medida é preservar esse montante o máximo possível.

O agravamento da situação ocorreu por causa do aumento do consumo de água registrado nos últimos meses e do baixíssimo índice de chuvas. Vinhedo capta recursos hídricos do Rio Capivari e do Córrego Bom Jardim, que são responsáveis pelo abastecimento das três represas. Segundo o prefeito, ambos estão com os leitos baixos.

O chefe do Executivo afirmou que o volume de água do córrego, mesmo abaixo do ideal, permanece em boas condições. Entretanto, o montante captado do Rio Capivari está com alta concentração de poluentes. "Isso interferiu na qualidade da água do Rio Capivari, que atualmente é péssima", declarou.

A outorga permite que Vinhedo retire 600 mil litros de água por hora do Rio Capivari. Por causa do baixo volume e da qualidade do recurso, apenas um terço do montante autorizado está sendo captado.

Atualmente, o Rio Capivari é responsável por 50% do abastecimento do município. Na tentativa ampliar as fontes de recursos hídricos, a Administração reativou 12 dos 22 poços artesianos da cidade. Os poços ativos são responsáveis por 10% do abastecimento da população. Para combater o desperdício de água no município, desde junho estão sendo aplicadas multas para quem não usar os recursos de maneira consciente. Até o momento, foram aplicadas 15 multas no valor de R$ 535,83 cada.

População

A cuidadora Sandra de Almeida é moradora do Jardim Alba, um dos bairros do setor Amarelo. Mesmo com o início do rodízio ontem, ela afirmou que na última sexta-feira ficou sem água o dia todo. Desde que ela e a família souberam da implantação do racionamento, começaram a economizar água em casa. Há uma semana, a cuidadora está reutilizando a água usada na máquina de lavar roupa para limpar o quintal. "O uso consciente dos recursos hídricos tem que ser uma prática diária e não apenas quando é solicitado. Não adianta ficar desesperado quando falta água. Tem que agir antes", garantiu.

O aposentado Dario Cecom decidiu armazenar a água da chuva em casa. Dessa forma, ele pretende garantir a disponibilidade do bem nos dias de rodízio. O objetivo, informou Cecom, é que o projeto seja uma fonte hídrica a mais, como um complemento para auxiliar no consumo da família. "As pessoas estão acomodadas em abrir a torneira e ter a água nas mãos", afirmou. Ele vai utilizar uma caixa d'água para acumular o volume que conseguir captar das precipitações.

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Mariana Camba/ Correio Popular