Publicado 12 de Outubro de 2021 - 9h29

Por Ronnie Romanini

Pacientes aguardam por atendimento no Hospital Municipal Mário Gatti: instituição faz mutirão para reduzir fila de pacientes que esperam por cirurgias eletivas

Kamá Ribeiro

Pacientes aguardam por atendimento no Hospital Municipal Mário Gatti: instituição faz mutirão para reduzir fila de pacientes que esperam por cirurgias eletivas

Um mutirão de cirurgias ortopédicas está sendo realizado pelo Hospital Municipal Mário Gatti desde o último sábado. A ideia é diminuir a fila de espera por intervenções eletivas. Um mês atrás, o número de pacientes aguardando procedimento na instituição era de 3,8 mil, além de outros 2,4 mil no Hospital Ouro Verde em diferentes especialidades. Os dois estabelecimentos integram a Rede Mário Gatti. Já foram feitas 12 cirurgias desde sábado e nesta terça-feira (12), último dia do mutirão, mais oito serão realizadas. A iniciativa tem por objetivo atender os pacientes que adiram suas cirurgias por causa da sobrecarga do sistema de saúde durante a pandemia.

Foram selecionados pacientes com mais tempo na fila de espera, com menos comorbidades e que precisam de intervenções consideradas mais simples, que dispensam o uso de UTI. Esse é considerado o primeiro mutirão de retomada após uma leve melhora nos números da pandemia. Um segundo acontecerá em novembro para a realização de cirurgias urológicas.

A escolha de começar pela área ortopédica foi por conta da necessidade de as operações serem feita em um período menor de tempo. De acordo com o diretor técnico do Hospital Mário Gatti, Carlos Arca, além do "primeiro grupo", o de urgência (fraturas expostas, situação que a operação precisa ser realizada imediatamente), há dois outros perfis dentro da cirurgia ortopédica: um abrange as fraturas não urgentes, que podem aguardar um mês ou mais até o procedimento, e outro se refere aos pacientes com doenças crônicas ortopédicas, como artroses de joelho, quadril e cotovelo, casos em que o tratamento cirúrgico pode ser feito depois de um período maior.

No mutirão que termina nesta terça, os dois últimos grupos foram priorizados, com atenção especial ao de trauma cirúrgico. Ainda houve a inclusão de pacientes do terceiro grupo, sempre buscando encaixar quem atende aos requisitos necessários estabelecidos. Por serem inadiáveis, as cirurgias no primeiro grupo nunca pararam durante a pandemia. Mesmo algumas eletivas eram realizadas.

De acordo com o diretor do Mário Gatti, é inegável que outras operações ficaram prejudicadas. Agora a corrida da rede - ao lado da secretaria de Saúde de Campinas - é para organizar e divulgar uma lista atualizada com todos os pacientes que aguardam na fila. "Estamos revisando, reclassificando e vendo prioridades para poder divulgar a lista até o final de novembro. A partir daí começamos a programar para os próximos meses como realizar os procedimentos", adiantou Arca.

Outras medidas estão sendo tomadas pela Rede Mário Gatti para atender à demanda reprimida. "Estamos tentando aumentar o número de cirurgias que ocorrem durante a semana e retomando leitos que estavam exclusivos para covid para ocupá-los com pacientes de eletivas. Também está sendo retomado o centro cirúrgico ambulatorial, que ficou paralisado durante os piores meses da pandemia", informou Arca.

Para Nayara Oliveira, presidenta do Conselho Municipal de Saúde (CMS), o problema da grande fila e da dificuldade em agendar procedimentos não é novo. "O SUS de Campinas tem esse estrangulamento histórico da fila de especialidades. Ela variava, mas foi piorando com o tempo. Com a pandemia, uma priorização teve que ser feita, mas o problema que vinha se arrastando se agravou", detalhou.

O CMS, que acompanha e fiscaliza as políticas municipais de saúde, vai realizar amanhã a 30ª reunião extraordinária com transmissão ao vivo pelas redes sociais. Uma das pautas do encontro será justamente a demanda reprimida das especialidades na saúde de Campinas. Com experiência tanto na área privada quanto pública, o cirurgião-geral Bruno Pereira, também representante de um grupo que atende nove hospitais de Campinas, já notou um aumento na procura pelas cirurgias eletivas.

Em janeiro, 80% dos procedimentos realizados eram de urgência e apenas 20% eram eletivos. O número atual dos procedimentos não emergenciais está em 40%. Isso significa que, proporcionalmente, a demanda dobrou e está próxima aos números pré-pandemia, considerados ideais pelo grupo. Em termos os absolutos, a procura é maior do que era em 2019. Para o médico, durante a pandemia as pessoas tinham receio de ir aos hospitais até mesmo em alguns casos mais emergenciais. Agora, o problema é outro. Não há como operar todos ao mesmo tempo. Com o aumento na procura, a prioridade é para quem está há mais tempo aguardando pela intervenção ou com sintomas mais graves. Sobre o mutirão realizado pelo Mário Gatti, o medico aprovou a iniciativa. "Mutirão do sistema público é algo que pode ajudar a resolver", concluiu.

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Ronnie Romanini