Publicado 10 de Outubro de 2021 - 10h32

Por Thifany Barbosa/ Correio Popular

Acima, faca usada para assassinar a vítima, que chegou a partir tamanha violência dos golpes; à esq. imagem da jovem, mais uma vítima de feminicídio

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Acima, faca usada para assassinar a vítima, que chegou a partir tamanha violência dos golpes; à esq. imagem da jovem, mais uma vítima de feminicídio

A família de Ana Carolina Cardoso, vítima de um feminicídio que chocou moradores do distrito de Aparecidinha, em Campinas, sentiu que um pouco de justiça foi alcançada após a divulgação da decisão do julgamento do criminoso, identificado como Lucas dos Anjos Alexandre, de 23 anos, que cumprirá a pena de 26 anos e 3 meses em cárcere privado pelo crime que ele cometeu no dia 19 de julho de 2020, na chácara da família.

O julgamento foi realizado na última terça-feira, e o acusado, que confessou o crime, foi condenado. De acordo com a mãe da vítima, Andreia Alves Cardoso Moreira, que presenciou o assassinato, Ana Carolina e Lucas, que tiveram dois filhos, viviam um relacionamento conturbado há cinco anos. “Ele (Lucas) era muito violento. Todos desconfiavam das agressões, mas a Ana não admitia. Percebíamos pelas marcas em seu corpo ou pelo que os vizinhos deles contavam”, relatou.

Mesmo após romper o ciclo de violência, Ana Carolina não conseguiu seguir em busca de seus sonhos, recorda a mãe. “Naquela noite de terror, antes do crime, eu sentei na beira da cama da minha filha e ela me disse: ‘Mãe, meu objetivo é terminar meus estudos e trabalhar. Focar nos meus filhos e conseguir retribuir tudo o que você fez por mim’”, rememorou Andreia emocionada. Mas todos os planos acabaram naquela noite, quando Lucas tirou a vida de sua filha, com 39 facadas.

Andreia lembra de cada detalhe daquele dia e narra como tudo aconteceu. Segundo ela, a casa estava cheia, pois a família realizava um churrasco. Por volta das 23h, todos os convidados foram embora e Andreia trancou toda a casa como de costume. Passou no quarto dos filhos deu boa noite e se recolheu em seu quarto.

Por volta da meia-noite, ela ouviu gritos e barulhos vindos de algum cômodo da casa. Foi neste momento que Ana Carolina entrou no quarto correndo e gritando. Ela perguntou o que estava acontecendo e a filha respondeu: “Ele quer me matar!”. Quando a genitora olhou para porta, viu Lucas transtornado e indo para cima da sua filha.

Os pais e irmãos da vítima tentaram impedir o agressor, mas com uma faca em punhos, Lucas conseguiu chegar até Ana Carolina e começou golpeá-la. Depois a pegou pelo cabelo e a arrastou até o quintal. “Tentei puxar ela pelo braço, mas não consegui, só pedia para ele parar”, relata Andreia.

Quando Lucas chegou no quintal, bateu a cara dela no chão, arrancou todos os seus dentes e continuou a esfaqueá-la. Andreia implorava, aos berros, para que ele parasse, mas o criminoso olhou para ela e disse “Sei que estou tirando um pedaço seu, mas se ela não ficar comigo, não ficará com mais ninguém”.

Quando a polícia e o resgate chegaram, Ana Carolina já estava morta e Lucas tinha fugido.

Segundo a delegada titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Campinas, Ana Carolina Bacchi, depois que o crime foi registrado, iniciaram-se as investigações, com o depoimento das testemunhas, inclusive da mãe do autor do homicídio. Lucas ficou foragido pelo período de 9 dias, até ser preso no dia 28 de julho, em Guarulhos. A polícia chegou até ele após uma denúncia anônima.

A delegada esclarece que o feminicídio é uma qualificadora do homicídio, que não só abrange a violência doméstica como também outros crimes de menosprezo ao gênero feminino. “Entretanto, essa tipificação tem características específicas: na maioria dos casos, o autor é o ex ou atual companheiro da vítima. O crime é executado dentro de casa, geralmente com o uso de arma branca”, revelou a delegada Ana Carolina.

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Thifany Barbosa/ Correio Popular