Publicado 10 de Outubro de 2021 - 10h19

Por Da Redação do Correio Popular

A ponte sobre a Via Anhanguera chegou a ser inaugurada pela Prefeitura, mas foi bloqueada horas depois pela AutoBAn: falta de acesso impediu instalação de empreendimento comercial na região do Trevo da Bosch

Diogo Zacarias

A ponte sobre a Via Anhanguera chegou a ser inaugurada pela Prefeitura, mas foi bloqueada horas depois pela AutoBAn: falta de acesso impediu instalação de empreendimento comercial na região do Trevo da Bosch

Um viaduto de 50 metros sobre a Rodovia Anhanguera, próximo ao chamado Trevo da Bosch, que deveria ligar o Jardim Pacaembu ao Jardim Garcia, em Campinas, está interditado há 13 anos, em virtude de um entrave jurídico que ainda está longe de ser solucionado. O impasse entre a AutoBAn, que administra a estrada, e a Prefeitura de Campinas, além de prejudicar a mobilidade dos moradores da região, inviabilizou um empreendimento comercial de aproximadamente R$ 50 milhões, que previa gerar 1,8 mil empregos indiretos.

Em abril de 2020, a estrutura chegou a ser liberada pelo então prefeito Jonas Donizete. Menos de 12 horas depois, entretanto, a ponte voltou a ser bloqueada pela AutoBAn. O impasse gerou uma ação judicial, que até o momento não obteve sentença. Mais do que isso, o imbróglio frustrou a expectativa da construção de um complexo comercial no local. A consequência foi a não abertura de 1,8 mil vagas de emprego e a geração de tributos para a Administração Municipal.

O caso não é o primeiro registrado na cidade com esses contornos. Um hipermercado construído no entroncamento das rodovias Dom Pedro I e Adhemar de Barros (SP-340) se transformou em um grande elefante branco após o Ministério Público denunciar, em 2011, diversas irregularidades no projeto relativo ao sistema viário, como a falta de implantação de faixa adicional, instalação de passarela de pedestre e construção de uma ponte sobre o Ribeirão Anhumas.

O hipermercado chegou a funcionar garantido pela obtenção de uma liminar, mas depois foi obrigado a encerrar suas atividades. Em março deste ano, uma rede atacadista adquiriu o terreno e se propôs a realizar as adequações necessárias. No entanto, o imóvel continua desocupado. Para quem aguardava um grande centro comercial na região do Jardim Garcia, avistar um enorme barracão abandonado devido ao embate judicial é estarrecedor.

"É muita burocracia para uma ponte de 50 metros. Esse impasse tirou o emprego de milhares de pessoas da região e gerou prejuízos enormes", contou o aposentado Antônio Freitas, que reside no Jardim Pacaembu há 15 anos. "Querendo ou não, isso é dinheiro nosso". Outros estabelecimentos, que estão no local há anos, sofrem com o abandono na região. Os proprietários de mecânicas e borracharias, que ficam próximas do viaduto, dependem exclusivamente do movimento de automóveis nas proximidades.

Com o acesso bloqueado, o local fica praticamente deserto. Cléber Ferreira, de 32 anos, trabalha em um ferro-velho localizado na rua da passagem interditada e sente falta da circulação de pessoas e de veículos na região. "Querendo ou não, com o bloqueio, estamos isolados, o que acaba prejudicando bastante o comércio", ressaltou Ferreira, que torce pela reabertura do local.

Alguns moradores da região não acreditam mais na reabertura da passagem, já que, além dos blocos de concreto, defensas foram instaladas naquele ponto. Para o aposentado Antônio Freitas, o problema não tem solução. "Fico com a impressão de que até a Prefeitura já desistiu de regularizar isso", arriscou. Se o trecho fosse liberado, segundo ele, o movimento poderia ajudar os estabelecimentos comerciais localizados próximos. "Esse viaduto está aqui há mais de dez anos. Poderia servir de retorno para quem trafega pela Anhanguera, mas optaram por construir um novo viaduto a um quilômetro de distância daqui", lamentou.

O "viaduto da discórdia", que tem duplo sentido, permite o acesso entre a Rua Professor Euclydes Vaz de Campos Filho, na região do Jardim Garcia, com as ruas Antônio Rodrigues de Carvalho e Antônio Nunes dos Santos, no Jardim Pacaembu. No entanto, em virtude de um bloqueio com blocos de concretos, apenas a passagem de pedestres está liberada. Alguns motociclistas também atravessam o local de maneira irregular.

O trecho viário aparenta boas condições, mas de acordo com a concessionária que administra o Sistema Anhanguera-Bandeirantes, a Prefeitura de Campinas não cumpriu com as suas obrigações, que previam a execução de obras de adequação viária no local. Na época em que p viaduto foi inaugurado, o então secretário de Transportes e presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), Carlos José Barreiro, afirmou que toda a região havia recebido melhorias na sinalização viária> O investimento teria sido de aproximadamente R$ 3,2 milhões.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Infraestrutura de Campinas informou, em nota, que "o caso está tramitando na justiça" e permanece sem novidade. A concessionária AutoBAn informou, também em nota, que a transposição faz parte de projeto de acessibilidade devidamente aprovado pelo Governo do Estado do Estado de São Paulo, através da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e Prefeitura de Campinas, incluindo adequações no acesso municipal junto à conexão com a Via Anhanguera, além de alargamento e melhorias geométricas da rua.

"Até o presente momento, as adequações não foram implantadas em sua totalidade pela Prefeitura de Campinas e empreendedores, motivo pelo qual está mantido o bloqueio de sua operação, preservando a segurança viária no local", explicou a empresa. A Artesp também foi consultada e corroborou com o posicionamento emitido pela concessionária.

Escrito por:

Da Redação do Correio Popular