Publicado 09 de Outubro de 2021 - 9h40

Por Gilson Rei/Correio Popular

Acompanhado de ministros e pesquisadores, o presidente Jair Bolsonaro observa maquete do Laboratório Sirius, em Campinas: complexo inaugurou cinco novas linhas de luz para pesquisas em diferentes áreas

Isac Nóbrega/PR

Acompanhado de ministros e pesquisadores, o presidente Jair Bolsonaro observa maquete do Laboratório Sirius, em Campinas: complexo inaugurou cinco novas linhas de luz para pesquisas em diferentes áreas

Cinco linhas de luz no Sirius (o acelerador de partículas brasileiro de última geração) foram inauguradas ontem no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que gera luz síncrotron, em Campinas. No evento estiveram presentes o presidente da República, Jair Bolsonaro; o ministro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcos Pontes; o ministro da Educação (MEC), Milton Ribeiro; e demais autoridades políticas e científicas.

Com as novas linhas de luz, o Sirius passa a contar com seis estações de pesquisa, inauguradas nos últimos dois anos, que vão contribuir com pesquisas de ponta em diversas áreas do conhecimento. A luz, de altíssimo brilho, é capaz de revelar estruturas, em alta resolução, dos mais variados materiais orgânicos e inorgânicos, como proteínas, vírus, rochas, plantas, ligas metálicas e outros.

O acelerador de partículas iniciou operações em julho de 2020, com a abertura da estação experimental Manacá, em caráter emergencial, visando contribuir no combate à pandemia de covid-19. A estação é equipada com instrumentos que revelam estruturas tridimensionais de proteínas e enzimas humanas, além de patógenos com resoluções que não podem ser obtidas em equipamentos convencionais.

As novas estações de pesquisa receberam os nomes de Carnaúba, Cateretê, Ema, Ipê e Imbuia. Também foram inaugurados laboratórios de apoio ao usuário, com toda a infraestrutura necessária ao preparo de amostras que serão levadas às linhas de luz, e a Unidade Tepui, equipada com supercomputadores que vão armazenar e processar o gigantesco volume de dados do Sirius.

Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM e do Projeto Sirius, destacou que as inaugurações alçam o País a um novo patamar. "Temos muito trabalho pela frente, mas cada avanço do Sirius reforça que temos competência para elevar a ciência e a tecnologia do Brasil a um novo patamar." Segundo diretor-geral, o objetivo é o de oferecer condições de pesquisa inéditas no País. "Estamos montando uma máquina para ser competitiva internacionalmente, projetada por brasileiros e construída em parceria com a indústria nacional. Trabalhamos para que o Sirius seja motivo de orgulho para os brasileiros", afirmou.

As novas linhas

A linha Carnaúba poderá realizar análises dos mais diversos materiais nanoestruturados, visando à obtenção de imagens 2D e 3D, com resolução nanométrica da composição e estrutura de solos, materiais biológicos e fertilizantes, por exemplo, além de outras investigações nas áreas de ciências ambientais. É um grande microscópio de raios X capaz de penetrar todo tipo de matéria e trazer à tona informações sobre sua estrutura, morfologia e estados químicos. Ela foi construída para estudar materiais de grande complexidade, principalmente os heterogêneos, como catalisadores, células solares, solos e fertilizantes.

A linha Cateretê foi otimizada para a obtenção de imagens tridimensionais, com resolução nanométrica de materiais, para as mais diversas aplicações. Nas ciências biológicas, por exemplo, será possível visualizar as organelas dentro de uma célula e, com isso, inferir sobre efeitos estruturais e metabolismo celular. É uma ferramenta que propiciará estudos de fenômenos biológicos em diferentes escalas, que poderão resultar no entendimento aprofundado de doenças crônicas, como o câncer, e, consequentemente, no avanço de tratamentos médicos mais eficazes.

Já a linha Ema, possibilitará a realização de experimentos em materiais submetidos a condições extremas de temperatura, pressão ou campo magnético. O estudo da matéria nessas condições permite investigar novos materiais com características que não existem em condições normais, como os supercondutores.

A linha Ipê se dedicará a estudar a distribuição dos elétrons em átomos e moléculas presentes em interfaces líquidas, sólidas e gasosas, e de como ela afeta as propriedades dos materiais, permitindo sondar como as ligações químicas ocorrem nas interfaces de materiais como os catalisadores, células eletroquímicas, materiais sujeitos a corrosão ou ainda como a corrente elétrica se propaga em diferentes materiais, desde isolantes até supercondutores.

Por fim, a linha Imbuia realizará experimentos com luz infravermelha, que permite a diferenciação entre os distintos grupos funcionais e a análise da composição de praticamente qualquer material, com resolução nanométrica. Imbuia permitirá, assim, as pesquisas de fronteira tanto em novos materiais sintéticos como para o entendimento de materiais naturais, como os biológicos.

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Gilson Rei/Correio Popular