Publicado 09 de Outubro de 2021 - 9h19

Por Cibele Vieira / Caderno C

Caracterizado como um drama tropical – uma ficção que mostra lances da vida real com muito sarcasmo

Janderson Pires

Caracterizado como um drama tropical – uma ficção que mostra lances da vida real com muito sarcasmo

É um filme ou uma peça de teatro? Nenhum dos dois, é um formato novo, híbrido e que veio para ficar, responde a atriz e produtora Luciana Malavasi. Ela se refere ao novo espetáculo Alethea Dreams que tem estreia nacional na noite de hoje, seguida por temporada gratuita via web. Caracterizado como um drama tropical – uma ficção que mostra lances da vida real com muito sarcasmo – o teatro-filme foi gravado durante a pandemia em um teatro transformado em estúdio de cinema. Fica disponível para acesso gratuito até 31 de outubro pelo canal youtube.com/artefranco

Na trama, uma empresária premiada e bem-sucedida recorre a um misterioso experimento para reprogramar a própria identidade na tentativa de sanar sua crise existencial e a insatisfação com a aparência física. A montagem chama a atenção para a fixação das pessoas em se enquadrarem nos estereótipos tidos como ideais, a qualquer custo. O espetáculo é dirigido por Jorge Nassarala, com direção de atores de Miwa Yanagizawa, a partir da peça homônima do dramaturgo Rafael Souza-Ribeiro (autor de Gisberta.

Nada convencionais

Alethea Dreams foi gravado no palco de um teatro que virou um grande set de filmagem, com uma estrutura que se assemelha a de uma produção de cinema, conta Luciana Malavasi. A equipe, de aproximadamente 30 integrantes, passou por várias mudanças até atingir o resultado desejado para esse formato novo do teatro-filme. O elenco contou com a ajuda de Miwa Yanagizawa na preparação para dar uma interpretação mais realista à trama.

O palco do teatro, inspirado pelo filme Dog Ville, de Lars Von Trier, recebeu os cenários de todos os ambientes da história, dispostos lado a lado, para que uma cena tivesse continuidade na outra com cortes não convencionais. A opção de incluir cenas de bastidores no filme, revelando imagens dos equipamentos e da equipe em ação, conduziram a narrativa da montagem final do teatro-filme.

Achei muito interessante a proposta de mostrar parte dos bastidores durante as filmagens. Fizemos a captação durante as gravações e só na montagem decidimos onde encaixar esses trechos. Acho que traz um respiro para história, além de mostrar para o público um pouco de como é esse trabalho por trás das câmeras, comenta o diretor Jorge Nassarala.

A quebra da fantasia

O desnudamento da cena na montagem provoca o efeito de desconectar o espectador da fantasia, do enredo, e o conectar com a realidade dos bastidores para mostrar que o que está sendo assistido é ficção, mas ao mesmo tempo é real. A história está acontecendo com a personagem, mas poderia estar acontecendo com o espectador, contam os produtores. O elenco é formado por Francine Flach, Henrique Manoel Pinho, Luciana Malavasi, Monique Franco e Sabrina Faerstein.

A peça discute questões presentes atualmente, como a construção da própria imagem por parte dos indivíduos que se veem obrigados a atender os padrões estabelecidos por eles mesmos. Identidade e autoaceitação estão presentes na trama que dialoga com o universo da ficção científica e é apresentada como um quebra-cabeça, mostrando diferentes lados das personagens e como as relações sociais são construídas na atualidade. Questões como crise de identidade e redes sociais são abordadas na obra.

Uma história cotidiana

Ao se olhar no espelho e não se reconhecer, Teresa B (Sabrina Faerstein) decide conhecer um procedimento inusitado que promete transformar a sua vida. É quando vai à Alethea e conhece a Dra. Betina (Luciana Malavasi), que tenta persuadi-la a se submeter ao experimento, ressaltando os benefícios oferecidos a uma mulher cansada da própria imagem, que precisa descansar.

A partir daí, se estabelece o envolvimento pelo desenrolar da grande mudança de vida proposta em Alethea. Mas a escolha inusitada se desdobra em consequências irreversíveis, deixando claro que não é só a aparência física que está em jogo.

Em um cenário incerto e sem percepção de melhora durante a pandemia, as atrizes Luciana Malavasi, Monique Franco e Francine Flach se viram obrigadas a pensar em uma alternativa para o projeto. O espetáculo estava pronto para iniciar a turnê, com teatros reservados em oito cidades, quando foi preciso estabelecer o distanciamento social. Alethea Dreams se tornou então o registro da capacidade criativa e empresarial deste trio de artistas, que arregaçaram as mangas para encontrar um formato que viabilizasse a continuidade do projeto original, interrompido temporariamente pela pandemia. O projeto foi patrocinado pelo Ministério do Turismo e Instituto CCR e a divulgação está sendo feita nas oito cidades do interior paulista (incluindo Campinas), que estavam programadas para receber a turnê presencial.

ALETHEA DREAMS

Texto: Rafael Souza-Ribeiro

Direção e fotografia: Jorge Nassarala

Elenco: Francine Flach, Henrique Manoel Pinho, Luciana Malavasi, Monique Franco e Sabrina Faerstein

Estreia hoje, às 20h, com transmissão pela web. O espetáculo estará disponível até 31 de outubro.

Canal de acesso gratuito à transmissão: youtube.com/artefranco

Acessibilidade: há uma versão com audiodescrição para pessoas com deficiência visual, intelectual, dislexia e idosos.

Debates públicos: após a apresentação, sempre às 20h, serão realizados debates com mediação de mulheres influenciadoras.

Dia 14/10 participa a paulistana Mayte Ca rvalho, autora do best-seller Persuasão.

Dia 21/10 será a vez da educadora social de teatro Isabel Ramos e a empresária Raquel Carvalho, de Lorena.

Dia 28/10 a ativista do movimento da mulher negra e periférica Kátia Campos e a comunicadora Bianca Celoto, ambas de Sorocaba.

Escrito por:

Cibele Vieira / Caderno C