Publicado 17 de Setembro de 2021 - 9h33

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Washington Luis Rodrigues aguarda há mais de um ano pela cirurgia no pé:

Ricardo Lima

Washington Luis Rodrigues aguarda há mais de um ano pela cirurgia no pé: "enquanto espero preciso conviver com a dor insuportável"

A Prefeitura de Campinas fará um levantamento para saber qual é a real demanda de cirurgias eletivas no município. O objetivo é realizar os procedimentos que foram suspensos durante a pandemia, devido à prioridade dada aos casos da covid-19. Segundo a Administração, a fila de espera deverá ser formada até o final deste ano. De acordo com o secretário de Saúde, Lair Zambon, a expectativa é a de que em 30 dias o projeto esteja pronto, para que as metas de atendimento possam ser estabelecidas.

De acordo com a Prefeitura, muitos dos casos que eram considerados adiáveis desde 2020 tornaram-se de urgência no meio da pandemia e precisaram ser atendidos imediatamente. Por isso, a Administração não soube informar o tamanho atual da fila de espera das cirurgias eletivas. "Mesmo durante a pandemia, os procedimentos continuaram sendo realizados, tendo prioridade os casos oncológicos e inadiáveis", garantiu o presidente da Rede Mario Gatti, Sérgio Bisogni. Mutirões cirúrgicos também estão sendo organizados, para que a demanda reprimida possa ser atendida com maior agilidade. "Existe a possibilidade de que uma dessas ações ocorra em outubro, durante o feriado prolongado de quatro dias", informou a Administração.

Segundo a presidenta do Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Campinas, Nayara Oliveira, a demanda reprimida de especialidades médicas, como cirurgias, consultas e exames, é um dos principais problemas da saúde pública do município. "Antes da pandemia, esse problema já exista. A situação apenas agravou-se desde 2020", declarou. A presidenta informou que a tendência é a de que o cenário piore ainda mais neste momento, por causa dos atendimentos pós-covid, que demandam o suporte das especialidades médicas. "Tem casos em que pessoas aguardam anos na fila para realizar a cirurgia", ressaltou.

O levantamento que será feito pela Prefeitura, avaliou Nayara, é uma iniciativa importante. Para ela, há um estrangulamento do sistema de saúde de Campinas, pois a atenção primária não funciona como deveria. “Os Centros de Saúde (CS) deveriam coordenar os cuidados, mas isso não é possível, pois a saúde primária está desmantelada, sem investimento em gestão e pessoas”, afirmou. Além desse problema, acrescentou, ainda há uma demanda que precisa ser atendida. A presidente do CMS ressaltou que é necessário que a Administração corra atrás do prejuízo.

Espera dolorosa

O representante comercial, Washington Luis Rodrigues, 47 anos, sofreu uma queda enquanto concertava o telhado de sua casa, em março de 2015. Ele fraturou o tornozelo esquerdo e precisou realizar uma cirurgia, na época. Depois que o procedimento foi concluído, Rodrigues fez dois tipos de tratamento. Ambos tiveram bons resultados nos dois primeiros meses, mas depois desse período ele começou a sentir muita dor. Por isso, o médico que o acompanha recomendou a realização de uma segunda cirurgia. A indicação ocorreu no início da pandemia.

Há mais de um ano Rodrigues aguarda para ser atendido. "Enquanto espero preciso conviver com a dor insuportável. Tem dias que não consigo andar", contou. De acordo com o representante comercial, a previsão é a de que a cirurgia ocorra daqui, pelo menos, um ano. "O médico me alertou que, atualmente, a fila de espera está gigantesca e por isso não serei chamado logo. Enquanto isso, não tenho o que fazer a não ser aguardar", lamentou.

Telemedicina

A Prefeitura de Campinas anunciou que vai implantar a telemedicina em 67 Centros de Saúde, três policlínicas e em consultas de especialidades nos hospitais Mário Gatti e Ouro Verde. Para que a novidade possa ser instituída, o edital para a contratação de uma empresa foi publicado ontem. De acordo com a Administração, a expectativa é a de que o sistema tenha capacidade para realizar 70 mil teleconsultas por mês. "Esse montante representa cerca de 55% das 130 mil consultas presenciais realizadas na Atenção Básica (centros de saúde) e Atenção Secundária (policlínicas e ambulatórios de hospitais)", informou o município.

Para o prefeito de Campinas, Dário Saadi, a iniciativa vai agilizar o atendimento à população e desafogar o sistema. De acordo com o secretário de Saúde, esse método aumentará a capacidade de atendimento da saúde pública. "Com a implantação da plataforma, a rede vai ganhar agilidade e, consequentemente, a otimização do tratamento, que são fundamentais na Saúde", declarou o secretário.

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