Publicado 15 de Setembro de 2021 - 9h15

Por Karina Fusco/ Correio Popular

Geladeiras convencionais são reformadas em unidade da Ambev em São Paulo, onde são dotadas de tecnologias que tornam o seu consumo mais eficiente

Claudio Lira

Geladeiras convencionais são reformadas em unidade da Ambev em São Paulo, onde são dotadas de tecnologias que tornam o seu consumo mais eficiente

As temperaturas em elevação na reta final do inverno e a proximidade das estações mais quentes do ano despertam a vontade de tomar bebidas bem geladas. Água, suco, água de coco, refrigerante e até a cervejinha se tornam mais atrativos. Seja no momento da sede ou numa convidativa pausa para a happy hour, dificilmente alguém questiona o impacto do consumo de energia para gelar as bebidas.

A Ambev, empresa brasileira dedicada à produção de bebidas, entre elas a cerveja, pensou nisso e lançou um projeto para transformar suas geladeiras que ficam nos pontos de venda em equipamentos ecológicos. A iniciativa está em andamento desde 2008 e já contabiliza resultados positivos em favor do meio ambiente. Somente para Campinas foram enviados, desde 2019, mais de 1.800 desses equipamentos chamados de eco coolers.

Um deles está em um restaurante do distrito de Barão Geraldo. O proprietário, Cesar Ribeiro, que é bastante preocupado com a sustentabilidade e a economia de energia, afirma que não sabe exatamente quanto uma geladeira de bebidas consome ao mês, mas tem certeza de que é muito menos do que o freezer de cerveja que ele tinha anteriormente. "O consumo deve ser considerável, pois a porta é aberta e fechada várias vezes", diz. No entanto, ele considera importante a possibilidade de ter um equipamento mais sustentável como a eco cooler. "Aqui também investi em geração de energia solar. Hoje produzo mais energia do que consumo e pago a taxa mínima da conta de luz", completa.

Com sede em São Paulo, a Ambev trilha a chamada jornada de sustentabilidade, um programa com vários projetos que buscam soluções para os problemas ambientais, desde aqueles relacionados aos hábitos dos consumidores, até a criação de uma agenda de compromissos com o meio ambiente, que pensa e age no presente, mas com o olhar voltado para o futuro. Como explica Claudia Lopez, gerente de suprimentos da categoria de Capex Comercial e customer experience da companhia, o projeto dos eco coolers, que irá transformar mais de 660 mil equipamentos em operação no país em refrigeradores ecológicos, é sustentado por três pilares: economia circular, redução no consumo de energia e eliminação de gás nocivo para o meio ambiente.

Na fábrica de retrofit da Ambev, que fica no bairro da Mooca, na capital paulista, as geladeiras que já não têm vida útil no mercado são reformadas. Os gabinetes, por exemplo, são recuperados e recebem nova pintura. Peças mecânicas e eletrônicas também são reaproveitadas e materiais como alumínio, ferro e cobre são recuperados e integram os novos equipamentos que irão para os pontos de venda. "O impacto dessa ação é muito positivo porque, além de deixar de descartar muitos materiais, não precisamos comprar novos, ou seja, deixamos de utilizar recursos do meio ambiente", ressalta Claudia.

O projeto não é engessado. Conforme vão surgindo novas soluções no mercado e possibilidades, elas são agregadas para otimizar os resultados dessa transformação. Com isso, as geladeiras também são melhoradas a partir do uso de novas tecnologias. Uma delas foi a substituição do gás R136, nocivo para o meio ambiente, por pelo R290, que é um hidrocarboneto mais puro e que não agride a camada de ozônio.

"Também passamos a utilizar luzes de led, que têm menor consumo de energia, e micromotores eletrônicos, que são mais eficientes. E, por fim, apostamos em controladores eletrônicos, que são como pequenos computadores dentro do cooler que permitem o funcionamento eficiente do equipamento mesmo com tanta abertura e fechamento da porta", explica Claudia. Segundo ela, com o retrofit, a vida útil dos coolers recuperados é de pelo menos dois anos a mais, mas alguns chegam a durar cinco a dez anos, dependendo do uso.

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Karina Fusco/ Correio Popular