Publicado 14 de Setembro de 2021 - 8h59

Por João Lucas Dionisio/Correio Popular

Asfalto com distorções e ondulações, que colocam em risco os motoristas e pedestres, pede recomposição

Kamá Ribeiro

Asfalto com distorções e ondulações, que colocam em risco os motoristas e pedestres, pede recomposição

O Sistema BRT (Bus Rapid Transit - transporte rápido por ônibus), anunciado como a grande obra de mobilidade urbana, que resolverá os gargalos de tráfego em várias regiões de Campinas, cuja entrega estava prevista para dezembro de 2020 e por problemas diversos ocasionados pela pandemia ocorrerá apenas em 2022, já começa a mostrar sinais de deterioração e ocupação irregular em vários trechos.

O sistema, com 95% das obras concluídas, apresenta diversos sinais de desgastes, como ondulações e buracos na pavimentação, além de situações como a da alça de acesso para o futuro Terminal Campos Elíseos, na altura da Rua Piracicaba, que se transformou em um grande estacionamento de veículos à venda.

Apesar do alto investimento para a concretizar a obra, o sistema segue inoperante, devido à suspensão do processo de licitação do transporte público no município pelo Tribunal de Contas e Justiça (TCJ).

Sem a contratação de uma nova empresa, as plataformas do corredor BRT não poderão ser utilizadas, já que a maioria dos ônibus não possuem a altura necessária para o acesso à plataforma de piso elevado. A frota precisa ser renovada, com modelos que contemplem essa especificação.

E quem sofre é o usuário do transporte público. "É uma situação desagradável, ficar esperando no sol e sem lugar para se sentar", desabafou Lúcia Maria, de 63 anos, que aguardava o coletivo para o Terminal Vida Nova, junto a 15 outros usuários, em uma antiga parada de ônibus.

Em dias de chuva, a aposentada se abriga em um mercado, localizado em frente ao ponto, já que a parada, além de ser pequena, só possui três assentos. "A minha indignação é ainda maior porque espero, sob sol e chuva, diante da nova plataforma do BRT, que poderia acomodar muitos passageiros, mas que está fechada."

Feirão a céu aberto

Por outro lado, com as obras do Terminal Campos Elíseos ainda em andamento, a alça de acesso para o local, no cruzamento das ruas Piracicaba e Bragança Paulista, transformou-se em um grande estacionamento particular a céu aberto, que funciona para a comercialização de veículos.

Durante a manhã de ontem, cerca de 20 automóveis de uma loja estavam estacionados no meio da rua que, futuramente, será utilizada para que os ônibus acessem o novo terminal. Sem nenhum tipo de fiscalização, os vendedores mostravam os detalhes dos carros a alguns clientes que se encontravam por lá.

Asfalto novo, problema antigo

Na outra ponta da Rua Piracicaba, já no sentido Centro, o proprietário de uma loja automotiva, Cléberson César dos Santos, de 41 anos, revelou que, após dois meses da entrega da pavimentação, muitos buracos e ondulações começaram a aparecer no asfalto. "Os problemas surgiram logo depois da conclusão e, até hoje, provocam diversos transtornos aos motoristas que circulam por aqui", destacou o comerciante.

"Já testemunhei rodas danificadas, pneus estourados, para-choques amassados e, recentemente, uma dessas ondulações, que são muito altas, avariou por completo o motor de um veículo com o impacto", relatou. Mesmo com as inúmeras reclamações por parte de moradores e comerciantes, assegurou Santos, nenhuma medida foi adotada para resolver a situação no local.

Sem a utilização das novas plataformas de embarque e desembarque, os ônibus circulam pelo lado direito da via, que deveria ser exclusiva aos automóveis. Além do congestionamento causado pelas paradas - já que os pontos ficam do mesmo lado -, a circulação diária dos coletivos na faixa de asfalto e não na de concreto, agrava o problema.

Segundo o comerciante Aparecido Cortêz, de 69 anos, esse é apenas um dos motivos para o surgimento das irregularidades na pavimentação. "O material usado parece ser muito fraco e se deteriora muito rápido, principalmente com a passagem de veículos pesados", contou Cortêz. A faixa exclusiva dos coletivos é pavimentada com concreto, justamente para evitar a formação de ondulações.

De acordo com o comerciante, há alguns meses, um condutor perdeu o controle do automóvel por conta das ondulações e acabou colidindo com um poste. Preocupado com os motoristas que trafegam, principalmente à noite, pelo local, Cortêz revelou ter feito inúmeras reclamações. "Inclusive, para os agentes da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), mas ninguém resolveu o problema."

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João Lucas Dionisio/Correio Popular