Publicado 11 de Setembro de 2021 - 11h31

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Fim das obras é muito aguardado, uma vez que o trecho é usado diariamente por mais de 3 mil pessoas para o escoamento de produção rural, trânsito de moradores e acesso de turistas

Diogo Zacarias

Fim das obras é muito aguardado, uma vez que o trecho é usado diariamente por mais de 3 mil pessoas para o escoamento de produção rural, trânsito de moradores e acesso de turistas

Depois de dois anos de interdição e intervenções, a Estrada Municipal Dona Isabel Fragoso Ferrão (CAM-127), que liga o Distrito de Joaquim Egídio, em Campinas, à rodovia D. Pedro I (SP-65) e ao município de Valinhos, deverá ser totalmente liberada dentro de três meses. A previsão foi dada ontem pela Prefeitura de Campinas e pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que estimaram para dezembro a conclusão da construção de uma nova ponte sobre o Rio Atibaia e o término da pavimentação da estrada.

O piso será intertravado - com blocos de concreto que se encaixam e permitem a drenagem da água -, dentro das normas ambientais e respeitando a licença prévia para a pavimentação expedida na semana passada pelo Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental de Campinas (Congeapa) à Secretaria de Infraestrutura. Essa obra será iniciada nos próximos dias pela Prefeitura e concluída até dezembro. No local, está prevista ainda a implantação de seis passagens de fauna. Já a ponte interditada em outubro de 2019, para evitar acidentes e inundações, está sendo reconstruída pelo DER desde janeiro deste ano e será também concluída em no último mês do ano.

O investimento é de R$ 5,7 milhões para toda a obra. O montante de R$ 3,7 milhões será aplicado pelo Ministério de Desenvolvimento Regional nas obras de pavimentação, passagens de fauna e outras intervenções. O restante virá mediante emenda parlamentar da Câmara dos Deputados, que garantiu R$ 2 milhões para a construção da nova ponte sobre o Rio Atibaia.

O fim das obras de melhoria na estrada é muito aguardado, visto que o trecho é utilizado diariamente por mais de 3 mil pessoas para o escoamento de produção rural, trânsito de moradores e acesso de turistas. Além da população de Campinas, que vai à região, os 50 mil moradores dos dois distritos são prejudicados com a interdição da ponte.

Nestes dois anos de intervenções no local, o acesso à estrada é feito apenas pela outra ponta dela, passando pelos distritos de Sousas e Joaquim Egídio. Por isso, a população é obrigada a fazer um contorno de 17 quilômetros para chegar aos estabelecimentos comerciais, chácaras e fazendas da região e à ponte do Rio Atibaia, próxima ao km 122 da rodovia D. Pedro I. Mesmo assim, os usuários não podem acessar a rodovia.

A nova rota adotada neste período abrange a entrada do distrito de Sousas pela Avenida Dr. Antonio Carlos Couto de Barros; rodovia José Bonifácio Coutinho Nogueira (SP-81); e Rua Valentim dos Santos Carvalho até a Estrada Municipal Dona Isabel Fragoso Ferrão.

Transtornos

A situação gera transtornos para a população, independentemente de ser morador ou não da região. Osório Santos, comerciante de Campinas, por exemplo, conta que, nos finais de semana, vai a Joaquim Egídio com a família para almoçar e fazer passeios turísticos. "Antes, acessava pela rodovia D. Pedro I e, para utilizar a estrada municipal, percorria apenas 5 quilômetros até a ponte que passa sobre o Rio Atibaia. Nos últimos dois anos, entretanto, tenho que seguir pelo único caminho possível, passando por dentro dos dois distritos. Gasto cerca de mais de 17 quilômetros nesse trajeto e enfrento até filas de carros e congestionamento, dependendo do horário", comparou.

Carlos Roberto Almeida, que presta serviços de hidráulica na região e utiliza a estrada para ir pescar aos finais de semana, afirmou que é obrigado a fazer um retorno de pelo menos 15 quilômetros, passando por Sousas, para realizar seus serviços. "A obra é importante e vai ficar boa a estrada, porém, os transtornos são grandes com a volta enorme que as pessoas precisam fazer", reclamou.

Mariana Nascimento Costa, adestradora de cães que mora e atua comercialmente na região, avalia que perdeu muitos clientes por conta da interdição da ponte na estrada municipal e que sai no prejuízo também quando vai ao Centro de Campinas e ao município de Valinhos. "Antes, a gente chegava em dez minutos ao Centro de Campinas, indo pela estrada municipal e pela rodovia D. Pedro I. Agora, a gente gasta até meia hora, passando pelo distrito de Sousas para ir ao mesmo lugar", comparou. "Além disso, funcionários do meu estabelecimento deixaram de trabalhar no adestramento de cães porque moram em Valinhos e usavam a estrada para vir ao trabalho. Desde as obras na ponte, ficou inviável para eles", comentou.

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Gilson Rei/ Correio Popular