Publicado 11 de Setembro de 2021 - 11h28

Por Gilson Rei/ Correio Popular

O aluno Gabriel da Silva Santos: fim das aulas noturnas deverá trazer prejuízos para quem trabalha de dia e precisa estudar à noite

Diogo Zacarias

O aluno Gabriel da Silva Santos: fim das aulas noturnas deverá trazer prejuízos para quem trabalha de dia e precisa estudar à noite

Um grupo formado por professores, alunos e moradores de cinco bairros da região Norte de Campinas realizou nesta sexta-feira (10) um ato diante da Diretoria Estadual de Ensino Oeste contra o fechamento do período noturno da Escola Reverendo Professor José Carlos Nogueira, localizada na Vila Boa Vista. A escola recebe aproximadamente 500 estudantes dos bairros Parque Via Norte, Condomínio Chico Amaral, Parque Shalon, Parque Universal e Vila Boa Vista.

O fim das aulas noturnas, segundo os manifestantes, deverá causar transtornos à aproximadamente 80 alunos das comunidades próximas, que contam com apenas aquela escola na região, localizada entre duas rodovias: Anhanguera (SP-330) e Jornalista Francisco Aguirre Proença (SP-101), a Campinas-Monte Mor. Além dos alunos do noturno, os estudantes do período diurno também são contrários à medida porque planejam estudar futuramente durante a noite. A grande maioria dos moradores da região é de família de baixa renda e precisa trabalhar durante o dia.

A notícia de que não haveria mais aulas noturnas na escola foi dada em janeiro deste ano pela Diretoria de Ensino. A medida foi criticada pelos professores, alunos e comunidade como um todo. Um abaixo assinado foi elaborado e uma comissão de representantes foi criada para que a diretoria da escola revertesse a medida anunciada. Mesmo com um pedido de reunião, a comissão não foi recebida. Por isso, os integrantes da comissão decidiram ir ontem a Diretoria Estadual de Ensino Oeste para realizar um ato e tentar reverter a decisão.

A dirigente da Diretoria Estadual de Ensino Oeste não atendeu o grupo em um primeiro instante, mas depois mudou de posição. A professora Stephanie Fenselau, que integra o Conselho Escolar da Reverendo Professor José Carlos Nogueira e participou da reunião, disse que a possibilidade de encerrar as aulas noturnas será analisada pela Diretoria de Ensino e que existe a intenção de manter atividades no período apenas para os alunos do 2o e 3o ano do Ensino Médio. As aulas do 1o ano vão depender da demanda. "Porém, nada está ainda garantido", comentou a professora.

Evasão Escolar

A proposta levantada nesta sexta-feira na reunião pela representante da Diretoria de Ensino, segundo Stephanie, é um incentivo à evasão escolar. "Houve uma compreensão de que as aulas noturnas são importantes para a comunidade local, mas esta limitação mostra o interesse da Secretaria de Educação de acabar com esta opção no futuro", analisou.

Na opinião de Stephanie e das entidades que representam os professores da rede estadual, existe uma tendência de se acabar com as aulas noturnas na maioria das escolas estaduais. A Escola para Jovens e Adultos (EJA) já não existe mais no período noturno na escola da Vila Boa Vista e em outras unidades da rede. A professora destacou que há um esforço do governo estadual de ampliar o Programa Escola Integral (PEI), que incentiva o fim das aulas noturnas. "A escola integral é importante e ninguém é contra, mas o fim das aulas noturnas não deve ser aplicado por conta disso", comentou.

Stephanie afirmou que existe uma tentativa do Estado de adotar o PEI na escola e o fato de anunciar o fim das aulas noturnas é um indício de que esta opção continua nos planos. "A aplicação do PEI foi recusada pelo Conselho Escolar nos dois últimos anos e, de repente, anunciaram o fim das aulas noturnas. Isto é uma tentativa que prejudica a comunidade da região, que deixará de ter aulas noturnas no bairro, ampliando as chances das classes mais pobres terem acesso à Educação", comentou.

Os alunos que dependem das aulas noturnas são os maiores prejudicados. O estudante do 3o ano, Gabriel Matheus da Silva Santos, 18 anos, disse que o estudo à noite em uma escola em outra região vai prejudicar a comunidade e provocar até a desistência de muitos colegas. "Vai dificultar muito, por vários motivos. A expectativa é de transferir os alunos para a Escola Carlos Gomes, e vai ficar muito distante. A maior preocupação é com o transporte na volta da escola, pois falta segurança e falta ônibus", afirmou. Procurada para falar sobre a manifestação, a representante da Diretoria de Ensino não foi localizada.

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Gilson Rei/ Correio Popular