Publicado 10 de Setembro de 2021 - 9h14

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Caminhões estacionados nas proximidades da Replan, em Paulínia, aguardam para fazer o carregamento: dia foi marcado por longa espera

Kamá Ribeiro

Caminhões estacionados nas proximidades da Replan, em Paulínia, aguardam para fazer o carregamento: dia foi marcado por longa espera

Os protestos dos caminhoneiros promovidos na manhã de ontem, embora tenham sido pontuais na região de Campinas, provocaram uma corrida de consumidores aos postos de combustíveis. Boatos indicando uma possível paralisação geral da categoria levou uma multidão de pessoas a abastecer seus veículos, temendo por uma eventual escassez de etanol e gasolina. De acordo com o Sindicato dos Postos de Combustíveis de Campinas e Região (Recap), a normalização do carregamento de caminhões na Refinaria de Paulínia ocorreu ainda na manhã de ontem. A entidade garantiu que não faltará combustível.

O funcionário de um posto localizado no bairro Vila Nova, Abel Alves, informou que ontem, até às 12h, o volume de combustíveis comercializado equivalia às vendas registradas durante uma semana. Desde as 6h, quando o estabelecimento começou a funcionar, havia fila de carros no local. "Não tem como a bomba ficar livre. Assim que um veículo sai, outro chega", contou. Segundo Alves, os motoristas estavam com medo de ficar sem combustível e provocaram uma corrida contra o tempo, o que fez com que a gasolina e o álcool acabassem até às 14h.

A maioria encheu o tanque, mesmo com o recente aumento do preço do combustível. Segundo o funcionário, desde o início da pandemia não era registrado um movimento tão intenso como o de ontem. Desde 2020, as vendas no posto caíram 60%, acrescentou Alves. "Essa loucura que registramos hoje (ontem) fez lembrar a paralisação dos caminhoneiros em 2018. Foi igual", comparou.

A auxiliar administrativa Aparecida Palmeira da Silva foi até o posto garantir que o carro não ficasse parado na garagem. O veículo estava apenas com o tanque reserva. "Eu sinto que o nosso país está desgovernado. No fundo, tenho medo de que algo pior possa ocorrer. Não tem como vivermos em uma situação sem controle", afirmou. O estoquista Enzo Delgado ficou sabendo por uma amiga da manifestação dos caminhoneiros e decidiu abastecer o tanque do carro.

Ele ainda garantiu um galão extra para não correr risco. "Eu saí do trabalho na hora do almoço e vim correndo para o posto de combustível. Dependo do carro para trabalhar. Enchi o galão reserva porque o carro bebe muito", contou. Delgado gastou cerca de R$ 150 para não ficar "à mercê da sorte". O entregador de aplicativo Murilo Edson Ribeiro de Souza depende da moto para trabalhar. Quando ele soube do protesto dos caminhoneiros, correu ao posto de combustível para abastecer. "Preciso ter como trabalhar pelo menos até o final de semana, que é quando tem a maior demanda", explicou. Com o tanque cheio, o entregador consegue trabalhar por dois dias.

De acordo com o presidente do Recap, Flávio Campos, poderá haver atrasos pontuais nos abastecimentos dos postos, por causa da fila registrada ontem nos estabelecimentos. As informações distorcidas compartilhadas pela internet, disse, estimularam a corridas aos postos. "O movimento anormal nos postos ocorreu porque as redes sociais estão fervendo. As pessoas estão compartilhando que é uma greve geral e não é. Trata-se de um efeito psicológico", analisou.

A partir de hoje "é vida normal", segundo Campos. Para ele, o que ocorreu ontem foi pontual, por isso não há risco de os motoristas ficarem sem combustível. As pessoas precisam se acalmar, ressaltou, para que a situação volte à normalidade. Em Campinas existem 176 postos. Segundo Campos, todos vão receber combustível. "A economia já estava naufragando e com isso piora ainda mais", concluiu.

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Mariana Camba/ Correio Popular