Publicado 09 de Setembro de 2021 - 9h43

Por Do Correio Popular

Relatório The Global E-waste Monitor 2020, revela que, em todo o mundo, cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico foram produzidas em 2019

Diogo Zacarias

Relatório The Global E-waste Monitor 2020, revela que, em todo o mundo, cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico foram produzidas em 2019

A reciclagem de materiais ganhou este ano um importante reforço: a Olimpíada de Tóquio, que utilizou toda a tecnologia disponível para fazer um evento sustentável. Até as medalhas foram produzidas de lixo eletrônico - material ainda com pouca cultura de reciclagem. Em Campinas já há locais específicos para o recebimento de computadores, cabos, celulares e outros artigos e equipamentos eletrônicos, além de empresas criadas especificamente para a separação adequada desse tipo de componente.

Marcos Rosa é formado em Administração e foi durante o mestrado em Economia feito na Argentina, em 2008, que começou a analisar o fluxo de resíduos no comércio exterior. Quando voltou ao Brasil, em 2011, abriu a Reversis, empresa especializada em reciclagem de equipamentos de informática e eletrônicos em geral. Para ele, o mercado de sucatas já está consolidado há muito tempo, mas a destinação do lixo eletrônico - uma variação desse nicho - ainda precisa de educação e conscientização.

Essa percepção é comprovada pelo relatório divulgado em 2020 pela Organização das Nações Unidas (ONU), onde o Brasil aparece como o maior produtor de lixo eletrônico da América Latina. A estimativa é a de que o País gere cerca de 1,5 milhão de toneladas por ano, sendo que apenas 3% do lixo eletrônico brasileiro é reciclado ou descartado de maneira adequada. O relatório The Global E-waste Monitor 2020, revela que, em todo o mundo, foram produzidas cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2019.

Impactos positivos

O descarte correto do chamado lixo eletrônico traz benefícios que vão muito além da garantia de que esse material não vai acabar em locais inadequados. A Green Eletron, gestora sem fins lucrativos de logística reversa de eletrônicos e pilhas, estudou o ciclo de vida de materiais para identificar os impactos e benefícios ambientais do seu sistema de coleta. Para a avaliação, foi considerada a coleta de 330,7 toneladas de eletroeletrônicos descartadas em 2019 por consumidores em coletores instalados em várias cidades, inclusive em Campinas.

O relatório apontou que foram evitadas as emissões de 745 toneladas de CO2 (equivalente a 300 carros que deixaram de rodar por 1 ano), economizou-se 12,8 mil metros cúbicos de água (comparado ao consumo anual de 228 pessoas) e ainda evitou-se o consumo de 244 toneladas de óleo diesel. Segundo a empresa, foram recuperadas do interior dos resíduos eletrônicos cerca de 85 toneladas de plástico, 75 toneladas de ferro, 32 toneladas de cobre, 20 toneladas de alumínio, 14 toneladas de vidro e 47 toneladas de outros materiais (incluindo metais nobres e preciosos).

Fundada em 2016 pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a Green Eletron tem sede em São Paulo, de onde administra os mais de 650 Pontos de Entrega Voluntária de eletroeletrônicos e outros 6,3 mil exclusivos de pilhas distribuídos em quase uma centena de cidades. Toda a operação é financiada por cerca de 100 empresas associadas. O gerente-executivo Ademir Brescansin conta que a empresa gerencia as etapas de coleta, transporte, desmontagem e reciclagem dos produtos descartados nos pontos de coleta, transformando os resíduos em novas matérias-primas para a indústria.

E-lixo vira matéria-prima

Entre os resíduos eletrônicos e tecnológicos que podem ser entregues em pontos de descarte estão monitores, telefones celulares, computadores, televisores, câmeras fotográficas, impressoras, cabos, conectores, rádios, eletrodomésticos, além de pilhas e baterias automotivas e industriais. Nem sempre o material entregue em ecopontos, que não dispõem de mão de obra especializada, consegue ser aproveitado adequadamente. "Por isso, vem aumentando o número de empresas que atuam especificamente nesse tipo de coleta e desmonte. A maioria dos componentes eletrônicos é reciclável", diz Marcos Rosa.

O empresário esclarece que, quando chegam os equipamentos descartados, eles são desmontados e separados manualmente por tipo de matéria-prima, como cabos, plásticos, placas, metais (ferroso e não ferroso), vidro e outros. E destina-os a outros elos da cadeia recicladora. Segundo Rosa, os metais nobres das placas de computador (aqueles que foram usados na confecção das medalhas da Olimpíada), por exemplo, são destinados a empresas do exterior, uma vez que no Brasil não há equipamento para a filtragem. Já o alumínio, cobre e ferro que saem desse processo são rebeneficiados e voltam à cadeia produtiva. Os plásticos são triturados e retornam como matéria-prima para outros produtos (como os rodapés de piso), enquanto os vidros - como os de monitores - podem ser usados na indústria cerâmica.

Escrito por:

Do Correio Popular